Lista C encerra tema das eleições do V. Guimarães mas deixa reparos: «Mantemos reservas e dúvidas legítimas»

Candidatura liderada por Viriato Sampaio entende que pedidos de esclarecimento não foram devidamente atendidos

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Viriato Sampaio, candidato eleições V. Guimarães
Viriato Sampaio, candidato eleições V. Guimarães • Foto: Luís Vieira / Movephoto
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A Lista C das eleições aos órgãos sociais do Vitória emitiu, esta quinta-feira, o "comunicado final" acerca da polémica em torno do processo eleitoral decorrido no passado sábado. A candidatura liderada por Viriato Sampaio decidiu encerrar definitivamente o tema, de forma a salvaguardar "os superiores interesses do Vitória", mas não sem deixar alguns reparos, em particular à atuação do Conselho de Jurisdição e do Conselho Vitoriano.

Na ótica da Lista C, "o Conselho de Jurisdição e o Conselho Vitoriano optaram por responder através de comunicados públicos" aos pedidos de esclarecimento feitos pelos canais apropriados, trazendo para a esfera pública questões que, "pela sua natureza e sensibilidade, deveriam ser apreciadas e esclarecidas internamente, sem exposição desnecessária do Vitória".

Na mesma nota, a candidatura liderada por Viriato Sampaio lamentou que as solicitações relativas a várias matérias do ato eleitoral tenham ficado por responder. "Até à presente data, a Lista C não recebeu qualquer resposta formal e direta à carta apresentada, nem foi informada das diligências concretamente realizadas para averiguar os factos nela descritos. No nosso entendimento, uma vez apresentado um pedido fundamentado de averiguação de alegadas irregularidades, impunha-se que fossem promovidas as diligências necessárias ao integral esclarecimento dos factos suscitados e que as respetivas conclusões fossem comunicadas diretamente aos requerentes, podendo posteriormente ser dada nota pública da decisão tomada", apontou a Lista C, prosseguindo com o reparo.

"Sucede que não consideramos que o nosso pedido tenha sido objeto da averiguação aprofundada que a sua relevância justificava. E tal não decorre, no nosso entendimento, de qualquer insuficiência institucional dos mecanismos estatutários do Clube, mas antes das fundadas reservas quanto à imparcialidade do processo de apreciação, decorrentes dos conflitos de interesse que adiante identificamos. Mantemos, por isso, reservas e dúvidas legítimas relativamente a diversos aspetos do processo eleitoral que não foram objeto de esclarecimento suficiente", acrescentou, criticando também a decisão de não proceder a uma recontagem.

Não obstante, a Lista C deu o tema por encerrado.  "Apesar de tudo isto, a Lista C entende que os superiores interesses do Vitória Sport Clube devem prevalecer. Por esse motivo, e porque consideramos que a exposição pública prolongada desta matéria prejudicaria mais o Clube do que o beneficiaria, este será o último comunicado que emitiremos sobre este assunto. Não recorreremos aos tribunais judiciais. Não porque todas as nossas dúvidas tenham sido esclarecidas, nem por falta de matéria de prova, mas porque entendemos que o Vitória está acima de qualquer disputa eleitoral e porque não desejamos contribuir para um processo de desgaste institucional que em nada serviria os interesses do Clube", concluiu.

Eis o comunicado da Lista C na íntegra: 

"Caras Associadas e Caros Associados do Vitória Sport Clube,

Ao longo dos últimos dias, a Lista C exerceu um direito que considera legítimo e inerente à vida democrática de qualquer instituição: solicitar esclarecimentos e averiguações relativamente ao ato eleitoral realizado em 13 de junho de 2026. Não o fizemos de ânimo leve, mas sim porque tínhamos – e ainda temos – dúvidas relativamente ao ato eleitoral ocorrido.

Fizemo-lo sempre com sentido de responsabilidade, através dos mecanismos internos previstos nos Estatutos, e procurando preservar o bom nome do Vitória Sport Clube.

Por essa razão, a carta enviada no dia 15 de junho aos órgãos competentes do Clube não foi divulgada publicamente. Entendemos que as questões suscitadas, pela sua natureza e sensibilidade, deveriam ser apreciadas e esclarecidas internamente, sem exposição desnecessária do Vitória na praça pública.

Lamentavelmente, o Conselho de Jurisdição e o Conselho Vitoriano optaram por responder através de comunicados públicos divulgados no website oficial do Clube.

Respeitamos essa opção. Contudo, não podemos deixar de assinalar que os referidos comunicados deixaram por esclarecer diversas matérias concretas constantes do nosso pedido de averiguação, algumas das quais relevantes para uma avaliação completa da regularidade do ato eleitoral.

Até à presente data, a Lista C não recebeu qualquer resposta formal e direta à carta apresentada, nem foi informada das diligências concretamente realizadas para averiguar os factos nela descritos. No nosso entendimento, uma vez apresentado um pedido fundamentado de averiguação de alegadas irregularidades, impunha-se que fossem promovidas as diligências necessárias ao integral esclarecimento dos factos suscitados e que as respetivas conclusões fossem comunicadas diretamente aos requerentes, podendo posteriormente ser dada nota pública da decisão tomada.

Sucede que não consideramos que o nosso pedido tenha sido objeto da averiguação aprofundada que a sua relevância justificava. E tal não decorre, no nosso entendimento, de qualquer insuficiência institucional dos mecanismos estatutários do Clube, mas antes das fundadas reservas quanto à imparcialidade do processo de apreciação, decorrentes dos conflitos de interesse que adiante identificamos. Mantemos, por isso, reservas e dúvidas legítimas relativamente a diversos aspetos do processo eleitoral que não foram objeto de esclarecimento suficiente.

Entre essas matérias incluem-se, designadamente, situações concretas relacionadas com o exercício do voto por correspondência, incluindo casos reportados à Lista C de associados que, apesar de terem manifestado atempadamente a intenção de votar por essa via e de terem insistido junto dos serviços do Clube, alegadamente nunca receberam os respetivos boletins de voto, bem como situações em que votos remetidos por associados não foram considerados por não terem sido enviados por correio registado, requisito cuja consagração estatutária suscitou dúvidas e que justificava, no nosso entendimento, um esclarecimento formal e inequívoco.

Incluem-se igualmente dúvidas quanto à capacidade eleitoral ativa de alguns votantes, designadamente associados com categoria de sócio atleta ou outra categoria distinta da de sócio efetivo, limitações impostas ao acesso e verificação dos cadernos eleitorais, a não disponibilização integral e atempada da documentação eleitoral solicitada, incluindo a ata eleitoral, dúvidas relativas à observância do dever de neutralidade por parte de todos os intervenientes presentes nas operações eleitorais e, ainda, situações relacionadas com o exercício de funções por pessoas cuja posição poderia suscitar dúvidas objetivas quanto à sua independência ou à inexistência de conflitos de interesse.

Todas estas questões foram expressamente colocadas pela Lista C para efeitos de averiguação e esclarecimento. Contudo, permanecem, no nosso entendimento, insuficientemente esclarecidas, impedindo que subsista um grau de confiança e transparência que seria desejável num ato eleitoral decidido por uma diferença de apenas dois votos.

Continuamos igualmente a considerar que a participação, no Conselho de Jurisdição, de membros que integravam simultaneamente a candidatura da Lista D e que subscreveram o comunicado oficial de resposta ao nosso pedido de averiguação suscita uma questão objetiva de conflito de interesses relativamente à apreciação desta matéria, independentemente da honorabilidade pessoal de todos os envolvidos.

Do mesmo modo, entendemos que o comunicado emitido pelo Conselho Vitoriano não responde às questões colocadas pela Lista C nem substitui a apreciação que competia ao órgão estatutariamente responsável pela verificação da regularidade eleitoral.

Importa ainda registar que este processo eleitoral apresentou circunstâncias pouco habituais na história recente do Vitória Sport Clube. Entre elas contam-se divergências na aceitação de documentos de identificação apresentados por associados, limitações ao acesso aos cadernos eleitorais antes do ato eleitoral e após o encerramento da votação e a divulgação diferida em quase 24 horas dos resultados parcelares em cada urna de voto. Acresce que, até à presente data, não nos foi facultada toda a documentação eleitoral solicitada, incluindo elementos essenciais para a verificação independente do ato eleitoral. Entre esses documentos encontra-se a ata da Assembleia Geral Eleitoral, relativamente à qual subsistem reservas quanto à sua conformidade estatutária. No nosso entendimento, a ata limita-se a indicar o número de votos nulos apurados, sem identificar as respetivas causas ou fundamentos, apesar de os Estatutos preverem expressamente o registo dessas ocorrências. Trata-se de uma questão que entendemos merecer esclarecimento e correção, por razões de rigor documental e transparência eleitoral.

Por outro lado, não podemos deixar de reiterar que uma diferença final de apenas dois votos entre as duas listas mais votadas, num universo de quase seis mil e quinhentos votantes, recomendaria, por elementares razões de prudência, transparência e confiança institucional, a realização de uma recontagem dos votos.

Essa recontagem foi solicitada pela Lista C imediatamente após o anúncio dos resultados e não foi aceite. Também procurámos sensibilizar a candidatura declarada vencedora para a importância desse procedimento, sem sucesso.

Continuamos a acreditar que uma recontagem teria contribuído para reforçar a confiança de todos os associados no resultado final e para encerrar qualquer dúvida remanescente sobre o ato eleitoral.

O que mais nos preocupa não é apenas cada uma destas situações considerada isoladamente, mas o seu efeito cumulativo sobre a perceção de transparência do processo eleitoral. A limitação do acesso a informação relevante, a inexistência de esclarecimentos cabais sobre diversas questões suscitadas, a impossibilidade de verificação independente de determinados elementos do ato eleitoral e a recusa de mecanismos adicionais de validação, como a recontagem dos votos, contribuíram para um grau de opacidade pouco compatível com a exigência de transparência que deve caracterizar um ato eleitoral desta relevância e decidido por uma diferença tão reduzida de votos.

Apesar de tudo isto, a Lista C entende que os superiores interesses do Vitória Sport Clube devem prevalecer.

Por esse motivo, e porque consideramos que a exposição pública prolongada desta matéria prejudicaria mais o Clube do que o beneficiaria, este será o último comunicado que emitiremos sobre este assunto.

Não recorreremos aos tribunais judiciais. Não porque todas as nossas dúvidas tenham sido esclarecidas, nem por falta de matéria de prova, mas porque entendemos que o Vitória está acima de qualquer disputa eleitoral e porque não desejamos contribuir para um processo de desgaste institucional que em nada serviria os interesses do Clube.

Fica, contudo, registado para a história que subsistem questões relevantes por esclarecer e alegações concretas que não foram integralmente averiguadas nem respondidas.

Obrigado aos 6.470 sócios que exerceram o seu direito de voto.

Obrigado aos 4.442 sócios que acreditaram na mudança de rumo.

E uma palavra de apreço para todos os associados que procuraram participar neste ato eleitoral através do voto por correspondência e que, por razões que continuam por esclarecer, não conseguiram ver o seu voto considerado ou exercer plenamente esse direito. Também eles merecem respeito, esclarecimento e reconhecimento pelo seu empenho em participar na vida democrática do Vitória Sport Clube.

Agradecemos também, de forma muito especial, aos 2.026 sócios que confiaram na Lista C e que votaram num projeto que acreditava ser possível respeitar a história do Vitória e, simultaneamente, promover uma verdadeira renovação na forma de pensar, gerir e preparar o Clube para o futuro. Muito obrigado a quem acreditou nas nossas ideias, na nossa equipa e na visão de um Vitória mais ambicioso, mais moderno e mais preparado para o futuro.

Continuamos convictos de que apresentámos uma visão ambiciosa, moderna e transformadora para o Vitória Sport Clube e defenderemos sempre, em qualquer circunstância ou cenário, o Vitória Sport Clube.

Desejamos aos órgãos sociais eleitos as maiores felicidades para o mandato que agora iniciam.

O Vitória precisa de estabilidade, de competência, de união e de sucesso.

Acima de qualquer candidatura, de qualquer resultado eleitoral ou de qualquer divergência circunstancial, estará sempre o Vitória Sport Clube.

Queremos igualmente dirigir uma palavra de reconhecimento às Listas A e B e aos seus candidatos, bem como a todos os associados que integraram essas candidaturas. A diversidade de opiniões nunca enfraquece o Vitória. Pelo contrário, quando exercida com respeito, torna-o mais forte.

Independentemente das diferenças de visão, das opções estratégicas ou das propostas apresentadas, todas as listas contribuíram para um debate vivo, participado e plural sobre o futuro do Vitória Sport Clube. A democracia interna do Vitória ficou mais rica pela existência de quatro projetos distintos, apresentados de forma livre aos associados, e pelo empenho de todos aqueles que dedicaram o seu tempo, energia e dedicação ao Clube ao longo deste processo eleitoral. A todos eles, o nosso sincero agradecimento pelo contributo prestado ao Vitória.

Por fim, queremos deixar uma mensagem de esperança e compromisso.

A candidatura da Lista C termina aqui. Mas o movimento de associados que se mobilizou em torno deste projeto não termina. Ao longo dos últimos meses, milhares de vitorianos demonstraram que existe no Vitória uma enorme vontade de participação, de exigência, de ambição e de construção de um futuro ainda mais forte para o nosso Clube. Essa energia, esse espírito de serviço e esse compromisso para com o Vitória Sport Clube não desaparecem com o encerramento de um processo eleitoral. Continuaremos a acompanhar a vida do Clube com sentido crítico, espírito construtivo e total disponibilidade para contribuir sempre que isso sirva os interesses do Vitória.

O nosso compromisso nunca foi com um ato eleitoral. Foi, e continuará a ser, com o Vitória Sport Clube. Porque os projetos passam, os mandatos passam, as pessoas passam. O Vitória fica.

E é por isso que o nosso movimento não termina aqui. Continua na dedicação diária de todos aqueles que acreditam que o Vitória pode ser cada vez maior, mais forte, mais ambicioso e mais preparado para o futuro.

Porque os projetos passam. Os mandatos passam. As pessoas passam. O Vitória fica. Viva o Vitória!"

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