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Treinador sentia ter condições para continuar o seu trabalho no D. Afonso Henriques
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Luís Pinto marcou presença no Fórum de Treinadores, da ANTF, que se está a realizar em Albufeira, no Algarve, e abordou pela primeira vez a sua demissão como técnico do V. Guimarães, após a jornada 25 da 1.ª Liga. O técnico, de 36 anos, mostrou-se em paz com a sua saída, embora acreditasse ter condições para continuar a desenvolver o seu trabalho, interrompido por uma decisão que, vincou, não lhe cabe a si. Apontando à hipótese de seguir a sua carreira no estrangeiro, Luís Pinto disse-se ainda lisonjeado pela referência que mereceu de José Mourinho após o recente Benfica-V. Guimarães, no qual já não esteve ao comando técnico dos minhotos.
Tem novidades sobre o seu futuro?
“Não, as novidades são estar em casa, desfrutar, aproveitar aquilo que por vezes a profissão também não nos permite aproveitar tanto, a família, e neste momento estar muito focado nisso e aproveitar.”
Ficou surpreendido com a decisão que foi tomada?
“Fiquei muito feliz por aquilo que foi conseguido lá. Fiquei feliz pelo percurso, fiquei feliz pela forma como conseguimos acrescentar um título ao clube, pela valorização que existiu dos jogadores. Acima de tudo isso, porque nós todos já sabemos como é que o futebol é, nós já vamos vivendo neste mundo e sabemos que as mudanças são constantes e fazem parte, então prefiro retirar a parte positiva e não pensar tanto se fiquei surpreendido, se fiquei desiludido ou não. Acho que é retirar mesmo aquilo que de bom conseguimos fazer.”
Sente-se mal de ter toda essa discussão?
“Não. Acho que é uma questão mesmo natural. É futebol, não há muito para dizer.”
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Sente que ser o Vitória é mais beliscado desta situação do que o Luís Pinto que sai como um treinador que conquistou um troféu no Vitória?
“Aquilo que me interessa realmente, naquilo que é a minha carreira enquanto treinador, é eu poder continuar a somar títulos, neste caso que foi o que conseguimos, e continuar a dar passos em frente naquilo que é um objetivo que tenho enquanto treinador, que é um objetivo que temos como equipa técnica, que é dar passos em frente para podermos continuar no caminho que queremos trilhar. Foi um orgulho muito grande treinar o Vitória e foi um orgulho maior ainda conseguir acrescentar títulos. Agora se eles saíram ou não mais lesados que eu desta situação, acho que já não me compete a mim analisar.”
Mas dependendo das suas palavras, gostava de ter continuado, sentia que tinha condições para continuar?
“Sentia que tinha condições para fazer o trabalho que estava a ser feito, mas não acho que isso seja a questão, sinceramente, porque não sou eu que tenho de sentir ou não. Acho que é uma realidade que nós temos no futebol, e não é só no futebol português, porque nós também já começamos a ver mercados que nós antes olhávamos com muita estabilidade, como o inglês, por exemplo, que agora cada vez mais tem mudanças. Então nós temos de saber viver com isso, nós quando vimos para esta profissão, quando temos a oportunidade de estar nestes patamares, já sabemos que isto são coisas que podem acontecer e que nós não podemos ficar desiludidos ou que podemos ficar magoados, como me perguntou. Não, faz parte do futebol. Temos é que continuar a olhar para aquilo que nós queremos ser enquanto equipa técnica e aquilo que nós queremos fazer, focarmos, trabalharmos para que num próximo projeto que vai existir, certamente, possamos continuar a ter sucesso.”
Mas agora com algum distanciamento já consegue fazer um balanço ao perceber o que é que correu mal? Se é que correu alguma coisa mal?
“Depende sempre das expectativas. Julgo que fizemos muita coisa bem feita. Fomos capazes de ter uma conquista, como disse, fomos capazes de ter um percurso em casa, principalmente para o campeonato praticamente imaculado, onde só tivemos derrotas com o FC Porto, Benfica e Sporting. Não é que tenha ficado feliz com essas derrotas, mas são coisas mais normais de acontecer. Analiso que a nossa prestação fora de casa, isto indo aos dados só, não foi tão forte como aquela que nós gostaríamos que tivesse sido. Mas naquilo que foi o global, naquilo que foi o que foi pedido no início de época para conseguirmos valorizar o clube, os ativos, para conseguirmos dar aquilo que podia parecer um passo atrás no início com a saída de muitos jogadores e depois valorizar os que lá tínhamos, eu sinto que nesse aspecto foi, sinceramente, fantástico. Foi tudo muito bem feito, porque hoje, felizmente, temos a nossa Seleção Sub-21 com três jogadores do Vitória que não tinham, e estamos a falar de jogadores que jogaram o Campeonato de Portugal no ano passado e que este ano estão na Seleção Sub-21 e que, se Deus quiser, alguns deles, ou se não os três, irão seguir portas fora para outros contextos. E isso é o que me deixa feliz e, olhando para a sua questão, não acho que tenha corrido mal, sinceramente. Acho que é futebol, nós estamos a falar de uma realidade em que já sabemos que temos de ter de passar dores de crescimento e que dores de crescimento não seriam só no início da época, mas acho que o balanço é muito positivo.”
Mas a forma como os clubes estão a ser geridos, essa questão da venda rápida dos jogadores que têm impacto e o Vitória tem sofrido muito com isso, dificulta muito também depois o vosso trabalho?
“É mais uma questão que nós agora, claramente, enquanto treinadores temos de estar preparados, porque os clubes vivem dos mercados, os mercados vivem dos jogadores jovens, normalmente. A necessidade de eles aparecerem e tentarem capitalizar ao máximo os bons momentos de forma dos jogadores, claro que nós temos de estar preparados para isso, mas eu acho que esse é um desafio minimamente fácil de se gerir.”
Pois, queria perguntar se já teve algumas propostas, se já alguém falou consigo, e se gostava de ir para o estrangeiro, se gostava de permanecer em Portugal?
“Tenho nos meus horizontes a possibilidade de ir para fora.”
Já com alguma proposta concreta?
“Não, não tendo fechado, obviamente, aquilo que é o mercado nacional, porque isso não tenho. Acho que nós conseguirmos ter sucesso no nosso país. Eu, pelo menos, tenho uma parte que acho que é diferente do que se tivermos de sair para ter sucesso. E se pudermos continuar a fazer a nossa carreira aqui, num contexto que seja aliciante, claro que as portas estarão abertas para isso, mas também estarão abertas para se tivermos de ir para uma aventura lá fora. Temos de estar disponíveis para se isso acontecer.”
E está pronto para voltar aos bancos de imediato, ou vai valorizar as propostas só para a próxima temporada?
“Para voltar agora terá de ser algo que nós sintamos que é mesmo, faz todo sentido, porque se não, como comecei, também estou a aproveitar uma fase da minha vida que não é assim tão fácil. Nós temos estes momentos de estar desligados totalmente, porque nós mesmo quando estamos de férias, entre épocas, nós nunca estamos desligados. E aproveitar também estes momentos também são coisas importantes. Os meus filhos estão a adorar que eu estou desempregado. Por isso, há que ponderar muito bem qual é o próximo passo, mas neste momento só se aparecer mesmo algo que nós sintamos que é irrefutável.”
Mesmo só questionando também, já que o conhecíamos também antes de subir o patamar da Liga 3, como é que vocês perceberam que a projeção teve também a Liga 3 para ser mais conhecida e para subir patamares?
“Eu acho que a Liga 3 vai dar um boost ao futebol em Portugal, naquilo que é quem quer chegar a patamares altos e quem trabalha de uma forma tão séria como se trabalha na Liga 3 e no Campeonato de Portugal, mas que muitas vezes não tem palco. E a Liga 3 acaba por trazer essa aproximação aos campeonatos profissionais. Por isso, a Liga 3 para mim foi muito importante. O Campeonato de Portugal foi muitíssimo importante. Mas essa projeção de Liga 3 acaba por ter ali algo de diferente em relação ao Campeonato de Portugal, porque o trabalho que a Canal 11 faz é excelente. É um trabalho que consegue levar a conhecer jogadores, treinadores, projetos, porque há clubes que têm projetos na Liga 3 que são interessantes. E nesse aspecto acho que foi essencial, e continua a ser essencial, porque nós também há dias que temos de nos recordar onde estávamos. Porque às vezes pode parecer que é muito difícil nós sermos despedidos do Vitória, mas depois temos de olhar para trás e pensar onde estávamos e perceber que há coisas muito mais difíceis do que ser despedido de um clube de futebol.”
O José Mourinho falou do seu caso agora no jogo do Benfica com o Vitória [n.d.r.: o técnico encarnado disse que contava encontrar Luís Pinto no final do jogo para lhe dar os parabéns pela conquista da Taça da Liga]. Falou com ele, já teve essa oportunidade, e o que é que sentiu também dessas palavras?
“Senti primeiro lisonjeado, porque estamos a falar só da maior figura a nível do treino que existe em Portugal e no mundo. Há pessoas que podem achá-la maior, mas se não acharem maior é segundo maior, por isso é uma pessoa que senti mesmo muito lisonjeado por aquilo que ele disse e agradeço as palavras publicamente. Foi por ele que muitos de nós desenvolvemos o gosto pelo treino, e ele ter dito o que disse fez-me também estar em casa e acreditar que estamos a fazer as coisas bem e podemos continuar neste caminho.”
Em Portugal, acima do Vitória e do Sp. Braga só mesmo os três grandes. Se um convite surgisse, estaria preparado?
“Acho que todos eles estão muito bem orientados, acho que todos eles estão a fazer muito bem o seu trabalho e devem continuar nessa dinâmica. Se algum dia esse momento aparecer, claro que nós estamos e trabalhamos para isso e estamos preparados para esses passos que temos de dar.”
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