Moreno: «Vou fazer tudo para não desafinar»

João Miguel Cunha Teixeira não é apenas um central alto (1,87 metros). É também uma radiosa promessa do nosso futebol. Para já, fez o pleno dois dois jogos do Vitória e marcou um golo

Moreno: «Vou fazer tudo para não desafinar»
Moreno: «Vou fazer tudo para não desafinar» • Foto: Paulo César
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Nome de guerra “Moreno”, nome que se explica pelo tom da epiderme. Aos 23 anos, parece que chegou a hora da sua afirmação no Vitória de Guimarães, que se prepara para recuperar...Fernando Meira. Quem acompanha a carreira do “novo Meira” – que, avisa-se, ainda não tem empresário... – não duvida que será assim...

Para já, o golo de “penalty” que marcou à Académica e a exibição que produziu justificam uma conversa com a nova estrela vitoriana.

A carreira de Moreno no Vitória não começou neste ano mas, muito antes quando, nas escolas de formação, mostrou a Manuel Machado o quilate de que é feito o seu futebol e o treinador jamais o esqueceria. Perdeu-o da vista durante alguns anos, mas agora fê-lo regressar da II Divisão B para o clube-mãe, o Vitória. De volta, recuperado e recolocado na estrada do sucesso, o médio-interior, trinco ou central é já uma figura em destaque entre os totalistas da equipa. E, no domingo, abriu o caminho para os três pontos, assinando o golo inaugural numa grande penalidade bem cobrada. “Foi uma alegria enorme contribuir para a equipa ganhar e conseguir a primeira vitória no campeonato. A nível pessoal sinto-me realizado”, disse a Record sobre as últimas grandes emoções.

Contrato até 2010!

Aos nove anos era já um menino que sonhava jogar no Vitória.

Na “cantera” mostrou ser um jovem promissor. Pimenta Machado via nele um potencial negócio de mestre, Inácio nem por isso. Manuel Machado, que não estava a dormir, e Vítor Magalhães renovaram-lhe o contrato até 2010. Ambos já assumiram que é uma mais-valia que vai garantir liquidez financeira a curto/médio prazo e funcionar como alavanca emergente de uma boa escola, capaz de gerar nomes como Meira, Pedro Mendes, Aziz, Makukula, Custódio ou Duda, entre outros.

Moreno despontou essa magia que andava perdida no castelo, chamando a si um protagonismo que poucos conseguiram em tão curto espaço de tempo no clube vitoriano. A sua polivalência tem sido determinante no colectivo. “Quero ser útil e impor-me ao máximo no plantel principal do Vitória, não quero desafinar nem desiludir quem confiou tanto em mim. A adaptação à SuperLiga tem sido boa, temos um balneário bom, um grupo espectacular. Não tenho sentido dificuldades, mas o ritmo da II B nada tem a ver com a SuperLiga, um campeonato mais competitivo onde temos de ser mais responsáveis. Não quero defraudar as expectativas de quem apostou em mim”, expressou.

Subir a corda a pulso

Não foi fácil chegar aqui. Moreno teve de lutar subindo a corda a pulso. Depois dos escalões de formação vestiu as camisolas do Macedo de Cavaleiros, do Felgueiras e do Taipas. Mas sempre pensando que a hora de ser chamado para o plantel principal do Vitória iria soar. Como aconteceu.

“Vítor Magalhães e Manuel Machado são os principais responsáveis pelo que me tem acontecido”, afirmou quem em menino tinha como ídolo Pedro Barbosa. “Foi o jogador mais completo que passou pelo Vitória de Guimarães”, disse sobre o hoje jogador do Sporting. Uma palavra também para Cartuxo, técnico da formação, que foi quem “me abriu os olhos para o futebol”. Inesquecível também foi Faria, seu treinador no Taipas, o treinador que o “puxou” para central.

«Para cumprir promessa europeia»

Nos Caçadores das Taipas, o treinador Faria reservou-lhe um papel a defesa-central depois de já ter interpretado a posição de trinco e médio-interior. Nos treinos, mostrou alguns excelentes indicadores dessa polivalência nata. O jogador, das três posições, prefere a mais recuada. “Estou apto a ajudar a equipa, mas sinto-me melhor a central”, precisou. Sobre os elogios de Manuel Machado à sua multifuncionalidade, afirmando mesmo esperar do 18 vitoriano “um rendimento superior” ao de Fernando Meira, jogador do Estugarda (Alemanha), Moreno encara tal como um “acto de confiança, um aumento de responsabilidade, um mostrar que conta comigo. Vou trabalhar para não o desiludir. A concorrência é forte e boa, ganha o colectivo, o grupo, e isso é bom. A pressão mediática? Estou preparado e sei da exigência dos sócios. Os jogadores sabem o valor que têm e que, com maior ou menor dificuldade, podem conseguir os seus objectivos trabalhando muito e bem”, acrescentou o promissor defesa vitoriano, disposto também a cumprir a promessa feita não só na refrega eleitoral relativamente à conquista de um lugar europeu.

“As promessas são para se cumprir mas todos sabemos que esta época não será fácil. Não queremos desiludir a massa associativa e apenas lhe pedimos para ser paciente, pois precisamos de tranquilidade para trabalhar e conseguir resultados”, sustenta o jovem central do Vitória.

«"Penalty" deu-me mais confiança»

Aparentemente, a sua história promete ser de sucesso. A potência de um jovem craque que na chegada assumiu a marcação das grandes penalidades não será para todos. Mas o treinador delegou-lhe a missão de apontar o castigo desde a marca dos onze metros, o que cumpriu com frieza e certeza. “Tal foi um acto de confiança por parte do mister. Só me deu confiança para trabalhar mais no futuro”, recordou.

Pedro Roma já sentiu essa determinação, em Vila do Conde, naquela que foi a primeira vitória do...Vitória na presente edição da SuperLiga. “Parti para a bola confiante! Era importante fazer o golo, entrar bem no campeonato em ‘casa’ e amealhar pontos. Era importante ganhar e não podia falhar o ‘penalty’. Não me considero o marcador de serviço, quero apenas ser útil”, reafirmou. E promete da próxima vez não bater o couro para “o lado para o qual bate melhor”, o direito. Promessa esta que os guarda-redes podem desde já registar mas que também dá para desconfiar...

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