Sporting-V. Guimarães, 1-0: Faltou mais cabecinha na festa da liderança
Que este Sporting anda fisicamente esgotado por uma exigente época de frentes múltiplas já se sabia e voltou a ver-se ontem, na recepção ao Vitória de Guimarães. Que nem o “doping” da liderança e a vantagem justamente conseguida no marcador, num livre soberbo de Tello, lhe bastariam para assentar ideias e serenar ânimos foi a surpresa reservada por uma noite de emoções díspares: ao regresso ao topo da SuperLiga, em igualdade pontual com o Benfica, somou-se um cartão amarelo idiota que afasta Liedson, o melhor jogador e goleador da prova, do jogo do ano.
Com 1-0 no marcador, o relógio a aproximar-se dos três minutos de compensação dados por Olegário Benquerença e o Vitória de Guimarães, mais forte fisicamente, a apostar num jogo directo e na vantagem nas bolas divididas, Liedson perseguiu uma bola até à linha de fundo. Não a alcançou no campo e chutou-a para a bancada. A atitude vem nos livros e é punível com cartão amarelo. Os que conhecem a história do Sporting lembrar-se-ão até de um lance semelhante, em Viena, no qual Dani viu um segundo amarelo antes de a equipa sofrer o golo que a levou a prolongamento e, depois, à eliminação, face ao Rapid.
Os defensores do espectáculo podem até argumentar que, tendo em conta a importância do jogo que aí vem, Benquerença podia ter fechado os olhos a um legalismo sem importância. Mas esse não é o papel do árbitro. E já vai sendo tempo de os jogadores serem responsabilizados pelos seus actos.
Transição lenta
A suspensão a Liedson quase fez os adeptos leoninos esquecerem a vitória suada conseguida nos 90 minutos e o regresso à liderança da SuperLiga, onde a equipa não estava desde o início de Janeiro, quando venceu o Benfica em Alvalade. Mesmo sem o seu goleador na Luz, o Sporting só tem de somar quatro pontos em dois jogos para ser campeão. Tudo porque ontem teve a persistência para vencer um Vitória de Guimarães a quem o jogo só interessou depois do 0-1.
A equipa de Manuel Machado só saía das imediações da sua área em passes longos e cruzados em busca de um dos extremos (Marco Ferreira e César Peixoto). Mas, nesse período, nem o inoperante Orahovac nem o mais mexido Targino (que o substituiu logo aos 32’) puderam ameaçar verdadeiramente a baliza de Ricardo. Nada que ralasse verdadeiramente Machado, que apostava tudo na cobertura a Palatsi.
E a verdade é que, sem pernas para o seu habitual jogo de trocas de posição e mudanças de velocidade, a equipa do Sporting não contrariava este jogo defensivo fortemente posicional explanado no relvado por Manuel Machado. Pouco agressivo, Viana levava muito tempo a pensar as jogadas – também porque à frente dele o movimento era pouco – e as transições defesa-ataque do Sporting eram ou lentas ou mal feitas. Como resultado desta tacanhez minhota (nem um remate nem um canto nos primeiros 45’), o Sporting também foi para os balneários sem criar uma única ocasião de perigo e a precisar de repensar o jogo.
Entra Barbosa
Peseiro leu bem o problema e trocou o cerebral Viana pelo transporte de bola de Barbosa. Ao mesmo tempo, Moutinho passava para médio-centro, dando à equipa intensidade. E em menos de um quarto de hora os leões não só remataram tanto como em toda a primeira parte como chegaram justamente ao golo, num livre de Tello.
Nessa altura, o Vitória transfigurou-se. Machado trocou Alexandre por Romeu, passando a ter quatro homens na frente (para quatro defesas do Sporting) e sacrificando o meio-campo, onde Custódio, Barbosa, Moutinho e Tello tinham apenas a oposição de Flávio Meireles, Djurdjevic e Alex. É verdade que o Vitória pouco tempo por lá perdia – as bolas sobrevoavam a zona – e apostava tudo no corpo a corpo junto à área.
Ocasiões de golo só teve uma, perdida por Marco Ferreira, logo aos 61’, mas no tempo restante fez o suficiente para enervar os leões, que nunca fizeram um jogo eficaz de posse de bola, e deixá-los de coração nas mãos. Com os efeitos devastadores que se viram em Liedson.