V. Guimarães-G. Vicente, 3-1: Com as soluções no banco porque se esperou tanto?

Realmente, ficou no ar um não sei quê de "masoquismo"! Paulo Autuori não se cansou de ver a sua equipa incapaz de furar a defesa contrária, de lhe contrariar o estilo e só mesmo quando viu o tempo escoar-se é que lançou Evando, e com ele... virou o jogo!

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COMO diria o Herman... "não havia necessidade" de fazer sofrer tanto esta gente vitoriana que, crente na sua equipa, não admitia que não se repetisse o êxito conseguido em Alverca. Mas, palavrinha de honra, apostamos que chegou a descrer, tão previsível e inócuo estava a ser o futebol da sua equipa, sem chama nem arte para colocar a defesa gilista em apuros.

Claro que o golo de Nuno Assis, apontado aos 26 m, trouxe outra tranquilidade ao onze de Álvaro Magalhães, permitindo-lhe fazer a circulação de bola quase perfeita, desgastando física e psicologicamente o adversário e, fundamentalmente, convidando-o a subir no terreno para, depois, tentar surpreendê-lo no contra-ataque, com Vítor Vieira de batuta na mão a marcar o ritmo. Se juntarmos a este estilo a perfeita marcação aos estrategos vitorianos, poderemos compreender, enfim, a razão do fraco rendimento dos pupilos de Autuori, sempre, mas sempre incapazes de saírem do espartilho a que estavam sujeitos.

Não se pode negar que o Vitória sentiu o golo. Nos dois sentidos: reagiu a ele, mas não escondeu a falta de crença que estava na base dos muitos lances perdidos e de alguns remates a léguas do alvo!

Com as "despesas" no lado contrário, Álvaro Magalhães - ao seu melhor estilo de guerreiro... - não se cansava de dar ordens para dentro de campo, perfeitamente perceptíveis nas bancadas: povoar o meio campo, recuar quando não tinha a bola em seu poder de forma a tapar todas as "vias" para a sua baliza, pressionar o adversário e, depois, uma vez recuperado o esférico, partir para o contra ataque, com a utilização dos flancos.

Este estilo criou muitos problemas ao V. Guimarães, acima de tudo porque não tinha ninguém na frente que pudesse gerar problemas, e no meio-campo não havia quem pusesse ordem na casa, disciplinasse o jogo e criasse espaços com passes certeiros.

OS TRUNFOS DA "CARTOLA"

O segundo tempo foi diferente. Melhor: começou com um Vitória mais afoito mas, mesmo assim, sem profundidade atacante. As entradas de Lima e Sérgio - fundamentalmente o primeiro - tiveram o condão de começar a intranquilizar a defesa gilista, a obrigá-la a cometer alguns erros (e Álvaro Magalhães ter-se-á "atrasado" na análise da situação...), muito embora as situações de golo já criadas não tivessem a melhor conclusão.

Até que Evando salta do banco. Bom: esteve 28 minutos em campo, mas foi ele o arquitecto da reviravolta no marcador. Muito simplesmente porque marcou o golo do empate e porque trouxe à equipa a dinâmica, a criatividade atacante que ela, desde o minutinho inicial, não conseguira mostrar.

Afinal, as soluções que Autuori parecia não ter, estavam mesmo a seu lado no banco do "sofrimento escusado"!

O Gil Vicente, que se mostrara forte durante 70 minutos, tinha os joelhos em terra, aturdido, varado por um futebol rápido, jogado de pé para pé, sem ideias para reagir e muito menos força para lhe fazer frente! Resultado: em três minutos, até o pontinho do empate se foi. E, acreditem, por paradoxal que pareça, de uma forma muito natural. O que mais reforça a interrogação inicial: porquê tanto sofrimento, “mister” Autuori? Ou, se quiser, porquê tanta "cerimónia" em fazer entrar o homem que acabou por o fazer saltar de alegria?

BOA ARBITRAGEM

Não foi um jogo fácil de dirigir, mas José Mesquita teve o condão de deixar jogar, ser coerente nas suas decisões e... não complicar nada! Bem fisicamente, pôde por isso discernir acertadamente nos lances de "teatro" e puxar das cartolinas nos momentos certos. Oxalá se exiba sempre assim!

GOLOS

0-1, aos 23 m, por NUNO ASSIS. Lance rápido de Vítor Vieira pelo flanco esquerdo e passe mortal, para trás, para Nuno Assis, que não falhou o remate certeiro, levando a bola a entrar junto ao ângulo inferior esquerdo da baliza de Tomic.

1-1, aos 76 m, por EVANDO. Jogada algo confusa no eixo da defesa gilista e Evando surgindo, possante, a entrar e a rematar sem apelo para Paulo Jorge.

2-1, aos 86 m, por PAULÃO. Canto do lado esquerdo apontado por Preto e Paulão a elevar-se mais do que qualquer adversário e a cabecear certeiro.

3-1, aos 90 m, por LIMA. Remate cruzado sem hipótese para Paulo Jorge.

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