Sócio nº 1 orgulhoso nos 98 anos do clube

Humberto Azevedo já nasceu belenense

• Foto: Luís Manuel Neves
Faz hoje 98 anos que foi criado num banco de jardim da Praça Afonso de Albuquerque, em Belém, aquele que viria a ser um dos cinco campeões de futebol da 1ª Divisão. Três dias antes do 9º aniversário nascia o atual sócio nº 1, Humberto Azevedo.

A vitalidade e o sentido de humor não denunciam os 89 anos que acaba de completar. Recebe-nos no Restelo com um sorriso e muitas memórias para partilhar, bem como algumas críticas à gestão atual da SAD.

"O meu pai, Eduardo Azevedo, foi jogador do Belenenses durante sete anos na 1ª categoria, foi campeão nacional e de Lisboa, e teve de esperar que eu nascesse para me meter sócio, pois não havia ecografias", recorda, bem-disposto. O Belenenses entrou-lhe de tal forma no sangue, que nunca se interessou por outro clube. Durante anos acompanhou o futebol para todo o lado e lembra algumas rivalidades de outros tempos, como os acesos duelos entre os azuis do Restelo e o Atlético. Num deles, acabou escondido entre as pernas do pai enquanto se ouviam tiros. "Houve uma altura em que ia a todos, morava mesmo aqui. Depois estive seis anos em Faro", explica, para justificar algum afastamento.

Foi ainda um destacado atleta dos azuis, na natação, tendo estado 30 anos ligado à modalidade no Restelo, onde foi professor e dirigente (na natação e diretor de relações públicas). É aí que entra um feito de que muito se orgulha: a criação do complexo de piscinas.

Um desgosto e medo no futuro

Ali ao lado do local onde nos recebe, com uma vista incrível sobre o rio Tejo, Humberto Azevedo não esconde a tristeza de ver o abandono das piscinas, que ajudou a criar. "Nem imagina como baixou a média etária dos sócios do clube", revela, salientando a presença de muitas crianças no complexo e o dinheiro que era gerado por essa infraestrutura.

Apesar da longevidade e dos elogios à liderança do clube, não esconde algumas críticas à SAD e um certo pessimismo relativamente ao futuro. "Tenho muito medo, olho para o que está a acontecer ao Atlético...", começa por dizer, interrompendo o discurso. "O futebol não chama os sócios. Vêm aqui 40, 50 pessoas. Eu vi o Restelo cheio, as Salésias cheias! Às vezes chateio-me de ver os jogos, estava habituado a ver jogar futebol, agora...", conclui.

"Uma marca notável"

Quando tomou posse para mais um mandato à frente do Belenenses, Patrick Morais de Carvalho explicou que já estava a pensar no centenário do clube e para isso havia metas a alcançar.

A apenas dois anos da celebração, o presidente mostra-se otimista. "Fazer 98 anos é uma marca notável, perto do centenário e até lá temos três marcos: recuperar o orgulho nos nossos associados e fazer regressar os milhares que se afastaram; resgatar o futebol profissional para onde não devia ter saído, os adeptos e o clube; e requalificar o complexo desportivo, o que vai garantira sustentabilidade do clube nas próximas décadas", explica a Record.

"Há muito otimismo porque o Belenenses é um clube rico, é proprietário dos seus terrenos. Temos condições para voltarmos a ser um dos quatro grandes do futebol português", promete.
Por Cláudia Marques
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Belenenses SAD

Notícias

Notícias Mais Vistas