A desconcertante juíza do processo E-Toupeira capaz de deixar uma sala de audiência a rir

Ana Paula Conceição assertiva e cáustica

O ambiente de uma sala de audiência é conhecido por ser um lugar de uma certa rigidez, com pouco espaço a agitação, conversas laterais e gargalhadas. De qualquer forma, a juíza Ana Paula Conceição, que lidera o processo E-Toupeira rompe com todas as ideias pré-concebidas que possam existir. Na sessão do julgamento desta quarta-feira, na qual foram ouvidos cinco funcionários do Benfica, já fez advogados e jornalistas soltarem algumas gargalhadas.

A primeira vez que tal aconteceu foi quando Paulo Figueiredo, assistente da administração da SAD das águias, justificava a boa relação que mantinha com Paulo Gonçalves, a quem fazia diversos recados. O funcionário do clube da Luz contava que na primeira vez que teve férias, seis meses depois de começar a trabalhar, comentou com o antigo assessor jurídico que iria passar uns dias a Londres com a mulher e a cunhada. Logo, Paulo Gonçalves, ter-lhe-á dito para ver o calendário dos jogos em Inglaterra e escolher um jogo que coincidisse com os dias em que iria estar em Londres. Paulo Figueiredo foi ver e percebeu que iria haver um Arsenal-Tottenham e, rapidamente, Paulo Gonçalves lhe disse para ir "a determinado sítio levantar dois bilhetes". Perante esta declaração, a juíza comentou: "A sua mulher é que deve ter adorado", o que gerou uma gargalhada geral, tendo mais tarde acrescentado: "Bem, se calhar também foi a sítios escolhidos pela sua mulher e que não lhe agradavam tanto a si. Muito bem, temos de fazer cedências".

Mais tarde, numa videoconferência para o Tribunal de Fafe foi chamada uma testemunha, mas que foi incluída no processo, aparentemente, por engano. O nome do senhor era Jorge Lemos, dono de uma agência de publicidade. Quando foi questionado pelo procurador do Ministério Público se era conhecido por 'Berto', disse que não, que esse seria o seu sócio e até questionou o que estava ali fazer: "Não gosto de futebol, nunca fui a jogos de futebol, mesmo que seja simpatizante do FC Porto", ao que Ana Paula Conceição respondeu: "Bem, pelo menos não é agnóstico", provocando novas gargalhadas na sala.

De qualquer forma, a manhã também ficou marcada por alguma tensão na sala, tendo a juíza sido obrigada a levantar a voz algumas vezes. Nomeadamente, quando Fernando Rocha, sobrinho do arguido José Augusto Silva a quem estaria prometido um emprego no Museu do Benfica, lamentar estar naquela posição e dizer que estava a ser alvo de uma injustiça. A juíza respondeu imediatamente: "Se é injusto, terá de falar com o seu tio. Não vale a pena estar com esse discurso para o tribunal. Foi a sua família que o colocou nessa posição".

Os momentos mais quentes levaram o advogado de Paulo Gonçalves, Tiago Rodrigues Bastos, a questionar a boa disposição da juíza na saída para a pausa de almoço. O que motivou uma resposta entre um sorriso: "Isso é porque ainda não me viram mal disposta", assinalou, tendo depois recuperado o assunto, quando regressou à sala de audiência no Campus de Justiça: "Vou ter de tirar a máscara para perceberem que não estou com mau feitio".
Por Valter Marques
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