Amigo não empata amigo

RIVAIS NO DÉRBI, NANI E MANUEL FERNANDES JÁ JOGARAM NA MESMA EQUIPA

Amigo não empata amigo
Amigo não empata amigo • Foto: Cosme Durão

Os anos passaram mas, no bairro de Santa Filomena, na Amadora, um rinque de futebol de cinco guarda as memórias do tempo em que Nani e Manuel Fernandes jogaram na mesma equipa.

Álvaro Semedo, o “Tuga”, como é tratado pelos amigos, responde ao desafio de Record e, na véspera de mais um jogo no Real Sport Clube (Queluz/Massamá), volta ao campo de cimento onde venceu todos os torneios, lado a lado com os jogadores do Sporting e do Benfica.

Quem está no rinque, agora, é o Fábio, com a camisola da Selecção Nacional, o Gonçalo, equipado à FC Porto, e o Rúben, o mais calmeirão do grupo. “Vês os jogos do Cristiano Ronaldo e depois vens para aqui imitá-lo”, diz Semedo para o pequeno Fábio. “Eu!? Estás enganado! O Ronaldo é que me imita!”

Unidos pelo futebol

A história da amizade de Nani e Manuel Fernandes podia ser igual à do Fábio e dos amigos. Nani e o “Tuga” eram companheiros de bairro, da Escola Cardoso Lopes e da formação do Real. Manuel Fernandes não era da vizinhança, estudava no Cacém e sempre jogou no Benfica, mas como tinha uma tia que morava na Amadora, rapidamente passou a ser convocado para as futeboladas do bairro de Santa Filomena.

Era Nani quem muitas vezes ia bater à porta da casa de Manuel Fernandes, para mais uma tarde passada a jogar à bola. A amizade cimentou-se e, à época, ambos partilhavam a preferência clubística pelo Benfica. Daí à constituição de uma equipa para os torneios de Verão foi um pequeno passo – Isaías era o guarda-redes; Sabino (da formação do Sporting) e Manuel Fernandes os defesas; Nani e Semedo os avançados. “Nas férias jogavam juntos todos os dias. Eram os dois fantásticos”, diz o “Tuga”.

Talento

Manuel Fernandes já tinha na altura um feitio “especial”. “Não ria para ninguém e gostava de fazer cara de mau para assustar. Quando nos defrontávamos, no fim do jogo, dizia-lhe que não metia medo a ninguém”, recorda Semedo, por entre sorrisos, antes de apontar as qualidades do médio encarnado. “É muito agressivo a recuperar a bola. Destrói mas, ao contrário de outros, também sabe construir”. Em Nani, o que mais se destaca é a “capacidade técnica. Dizia-me que não era preciso fazer muitos dribles. Só com um toque ou uma finta de corpo conseguia passar por entre dois adversários!”

Rivais

Depois dos torneios de bairro, Nani e Manuel Fernandes tornaram-se rivais e defrontaram-se, oficialmente, em dois jogos. Num Real-Benfica, em juvenis, com o agora leão a vencer 3-2; e num... dérbi como o do próximo fim-de-semana, mas em juniores, que terminou empatado 1-1. Agora, o que está em causa é o primeiro duelo nos seniores e ninguém pensa noutro resultado que não a vitória. Amigo não empata amigo. “São amigos fora do campo. Lá dentro é outra coisa”, lembra Álvaro Semedo.

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