Ao Alverca bem fica uma longa relação

DESDE A ASSINATURA DO PROTOCOLO, 29 JOGADORES CHEGARAM DA LUZ

DESDE que Benfica e Alverca colocaram no papel, em 1995, a relação de amizade que os ligava informalmente, na figura de um protocolo em que a equipa ribatejana de tornou clube-satélite dos encarnados, 29 jogadores ligados contratualmente ao clube da Luz saíram à procura de um espaço para poderem mostrar as suas capacidades.

Na maioria, eram jovens com pouca ou nenhuma experiência a nível de seniores, produtos das escolas do Benfica ávidos por imitarem Rui Costa ou Paulo Sousa, mas houve também brasileiros desconhecidos em busca do Eldorado português e alguns ”expatriados” da casa-mãe que, por opções técnicas dos treinadores, tiveram de sair da Luz e fazer pela vida em Alverca.

Entre os 29 emprestados, muitos houve que não regressaram e acabaram por fazer carreira em Alverca, casos de Nélson Morais e Hugo Costa. Ramires, não tendo saído das escolas da Luz, mas sim de Alvalade, é outro exemplo de eterna avaliação, cujo destino, ano após ano, foi ficar onde estava.

Basta olhar para o plantel actual dos encarnados para perceber que algo falhou após quase seis anos de ligação, três dos quais ao abrigo do regulamento dos clubes-satélite e os restantes (desde que o Alverca subiu à I Liga, em 98/99) baseados numa excelente relação institucional. Maniche, Ricardo Esteves e Rui Baião (nunca jogou) são os únicos elementos que já vestiram a camisola da formação ribatejana, mas só o primeiro pode dizer que a sua chegada à Luz é fruto do trabalho desenvolvido no outro clube. As suas exibições em 97/98 e, sobretudo, 98/99, levaram a que fosse lembrado pela casa-mãe.

Mas, se o Alverca não foi importante para o clube da Luz – afinal, o acordo entre ambos coincidiu com um dos piores períodos da história dos encarnados –, já o Benfica se revelou decisivo para o salto crucial de um pequeno clube habituado a subir de escalão ano após ano. No entanto, chegados à II Divisão B, os seus dirigentes perceberam que era necessário encontrar ajuda válida para não se perder o ritmo de sucesso.

Sporting e Benfica ajudam

”Sem o Sporting, primeiro, e o Benfica, depois, o Alverca não teria chegado à I Liga. Estamos gratos, sobretudo ao Benfica”, diz Manuel Ribeiro, ex-vice-presidente do clube ribatejano, homem forte do futebol durante os muitos anos em que o presidente Luís Filipe Vieira, por razões da sua vida privada, dedicava menos tempo aos assuntos do clube.

”O protocolo assinado com o Benfica foi um ponto de viragem no clube. Curiosamente, tínhamos um protocolo assinado com o Sporting, já do tempo de Sousa Cintra, mas Pedro Santana Lopes, de forma deselegante, deu-lhe um fim. No mesmo dia em que nos desvinculámos do Sporting, assinámos com Manuel Damásio”, lembrou Manuel Ribeiro.

Alguns dos jogadores emprestados pelo Benfica acabaram por ser influentes no sucesso da equipa. Deco e Caju, por exemplo, marcaram, entre si, 31 golos em 97/98 e ajudaram a equipa a subir à I Liga. Acabaram por compensar exemplos menos produtivos de Marco Alemão e Lúcio Wagner.

Mas nem só de jogadores viveu o protocolo. Arnaldo Cunha, José Augusto, Mário Wilson e Veloso foram nomeados para colaborarem na parte técnica, servindo de ligação entre os jovens que ali chegavam e a velha guarda pertença do clube.
No balanço final, o Alverca foi, inegavelmente, a parte que retirou mais benefícios da estreita ligação.

Luís Filipe Vieira ajuda

Luís Filipe Vieira, benfiquista assumido, ajudou o Benfica no processo da contratação de Ednilson à Roma, garantindo também uma percentagem de futuros lucros para o Alverca. E, com tantos interessados, acabou por ”entregar” Mantorras ao clube do seu coração.

João Santos fez ligação com treinadores

Os treinadores que o Benfica enviou para Alverca ao abrigo do protocolo, tiveram em João Santos o principal elo de ligação entre os dois mundos. Começou como adjunto de Arnaldo Cunha em 95/96, assumiu o comando na recta final da época seguinte, a tempo de alcançar a manutenção. Foi o treinador de campo do coordenador Mário Wilson.

Sporting e FC Porto no círculo de amigos

Nos últimos anos, o Benfica deixou de ter o exclusivo das boas relações com o Alverca. O clube ribatejano expandiu o seu raio de acção para Sporting e FC Porto. No âmbito, jogadores como Gabriel, Viveros, Damas, Ricardo Carvalho, Correia, Gaspar, José António ou Caju rumaram ao Alverca.
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