Diretor financeiro do Benfica e o caso dos e-mails: «Houve um dano de uma amplitude enorme»

Miguel Moreira garante que existiu uma desvalorização da marca com base nos "ataques"

Miguel Moreira foi ouvido na manhã desta quinta-feira, no Palácio da Justiça, no Porto, no âmbito do processo movido pelo Benfica ao FC Porto pela divulgação continuada de correspondência privada.

O diretor financeiro dos encarnados prestou depoimento na qualidade de testemunha arrolada pelas águias e dissertou sobre aquilo que considerou ser "um dano de amplitude enorme" na marca Benfica.

"Estes ataque tiveram uma grande influência. Houve fatores estranhos que tiveram impacto. Houve um dano de um amplitude enorme. No fundo, toda a informação estratégica, todo o conhecimento adquirido ao longo de anos, passou a estar na posse de um concorrente direto. E ninguém gosta de estar sujeito a estes danos", começou por dizer, questionado ainda sobre os danos.

"Esta difamação teve consequências a vários níveis. Houve impacto nas receitas e em várias áreas. Tínhamos um negócio de larcia com a China que acabou por não se concretizar e o prejuízo total foi de vários milhões. Estamos a falar de conhecimentos criados ao longo de vários anos", acrescentou, explicando depois com base em que critério foi definido o pedido de indemnização de 17,7 milhões de euros que os encarnados pedem ao FC Porto neste processo.

"Um relatório divulgado pela KPMG, na época 2015/16, avaliava o valor do Benfica em 340 milhões de euros. Um valor manifestamente inferior ao real valor e ao valor potencial do Benfica. Mas a base foi chegar a 5 por cento desse valor. E esse valor peca por escasso. Hoje em dia, o valor andará pelos 800 milhões. Considerámos 5 por cento o limite mínimo de um dano enorme. É o mínimo", apontou. 

Alicercando-se precisamente nesse relatório da KPMG e nos dos anos anteriores, Miguel Moreira revelou que houve uma quebra na temporada 2017/18 na tendência de crescimento que o Benfica vinha registando em épocas consecutivas, algo que, segundo o diretor financeiro, "foi estranho, tendo em conta que 2016/17 foi a melhor época da história do Benfica".

"De 2014/15 para 2015/16, o Benfica valorizou de 285 para 340 milhões, segundo a KPMG, sendo expectável que o valor seguisse a tendência do crescimento e chegasse próximo dos 400 milhões. Mas isso não aconteceu. Houve uma redução de 340 milhões para 328", referiu.

Além desta descida no valor global da marca Benfica, o dirigente das águias confessou também que os encarnados sentiram um grande impacto nos dias seguintes à revelação dos e-mails. "Na maioria dos dias seguintes, havia uma desvalorização em bolsa das ações do Benfica, a rondar os 2,9%. Mas logo de seguida registava-se uma melhoria pela força e robustez da ação do Benfica", concluiu.

Miguel Moreira foi a penúltima testemunha do Benfica a ser ouvida, à qual se seguiu Paulo Alves, gestor da área financeira. O julgamento segue da parte da tarde e devem ser ouvidas testemunhas arroladas pelo FC Porto e pelo menos uma testemunha comum.
 

Por Pedro Morais
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