Domingos Soares de Oliveira e o contrato da NOS: «Evito custos em termos futuros»

CEO da SAD do Benfica explica como é usado o dinheiro

• Foto: Mariline Alves
Domingos Soares de Oliveira, administrador da SAD do Benfica e CEO das águias, explicou este sábado o que se passou com o contrato da NOS, vincando que se alguma vez o clube utilizasse os 400 milhões de euros que há a receber "seria basicamente para fazer reembolso de dívida". 

"Quando assinámos o contrato com a NOS, nunca, na altura, alguém imaginou que seria possível assinar um contrato de venda de direitos televisivos e de exploração da BTV por 400 milhões de euros. Nessa altura a mensagem foi clara: se alguma vez utilizássemos os montantes deste contrato seria basicamente para fazer reembolso de dívida. Ou seja, não quisermos fazer utilização do contrato para pagar despesa corrente, não quer dizer que não o possamos fazer, mas o grande objetivo já nessa altura era quase uma obsessão com a redução da dívida. E como é que isto se compara? Se eu mantiver os recebimentos que tenho previstos no contrato e um endividamento grande, aquilo que vai acontecer é que eu estou a pagar juros sobre um endividamento e, portanto, alguém terá de os contabilizar ao longo dos 10 anos. E é muito simples de fazer as contas. Como foi visto, nós fizemos um desconto de cerca de 160 milhões de euros. Se considerarmos que uma taxa de financiamento ronda os 5% por ano, são 9 milhões de euros em cada ano. Depois o montante vai diminuindo, mas, no fundo, isto atinge valores muito significativos. Exatamente uma operação contrária, que é uma operação de utilização de receita para receber um determinado montante agora e reembolsar dívida também tem um custo. É um custo que tenho agora, mas que evito em termos futuros do ponto de vista de reembolsos do meu endividamento. Com uma vantagem acrescida que é muito importante: reembolsar o endividamento todo que fizemos permite-nos libertar as garantias todas, libertar hipotecas sobre determinados bens imóveis e outro tipo de garantias", começou por reiterar em declarações à BTV, depois de as águias já terem embolsado 164 milhões de euros do vínculo anunciado com a NOS em dezembro de 2015. 

Soares de Oliveira garantiu o novo empréstimo obrigacionista que a SAD do Benfica lançou é "uma operação muito boa".

"É uma operação que é feita sem recursos. Quando eu faço uma operação sem recurso – e o que está a acontecer agora no Mundo dos direitos televisivos é muito interessante – significa que se o meu cliente, neste caso concreto a NOS, não me pagar por alguma razão, o problema já não tem a ver com a Benfica SAD, o problema é entre a NOS e a entidade financeira. Se a operação é feita com recurso, se o meu cliente falhar o pagamento à entidade financeira, então essa entidade financeira tem um recurso sobre a Benfica SAD. Portanto, só em operações sem recurso é que eu consigo ter um impacto significativo no meu balanço do lado do passivo. E foi isso que fizemos. Vi um advogado, um jornalista e até um professor universitário a falarem sobre essa matéria… As pessoas que são benfiquistas têm uma análise obrigatoriamente mais rigorosa, as pessoas que não o são terão uma análise mais, não vou dizer mais tendenciosa, mas menos rigorosa. Se fizerem bem as contas vão perceber que esta operação de financiamento tem uma taxa que ronda entre os 5 e os 6% com condições de mercado que são muito boas e que já eram boas nessa altura para uma operação sem desconto e, se fosse à data de hoje, não há nenhuma operação de financiamento que esteja a ser proposta a clubes de futebol que não seja com um custo de financiamento superior a 10%. A operação que fizemos foi muito boa, foi nos timings certos, e ainda bem que a fizemos porque, se hoje tivéssemos de ir ao mercado tentar fazer a mesma operação, pagaríamos muito mais caro", concluiu o administrador.
Por Flávio Miguel Silva
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