Luís Filipe Vieira e o caso dos emails: «Tive um princípio de depressão. Sentia-me envergonhado»

Ex-presidente do Benfica está no tribunal esta tarde no âmbito do caso dos emails

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A chegada de Luís Filipe Vieira ao Campus de Justiça
Luís Filipe Vieira está esta terça-feira em tribunal, no Campus de Justiça, em Lisboa, a ser ouvido no âmbito do caso dos emails. Vieira, que presidia ao Benfica quando começaram a ser divulgados mensagens de correio eletrónico de responsáveis benfiquistas no Porto Canal, responde às questões do juiz Nuno Costa como testemunha.

"Não via o Porto Canal. No dia seguinte, deram-me essa informação e tomei medidas. O Benfica, em termos europeus, é sobejamente idóneo. No passado recente não havia ninguém que não elogiasse o Benfica. Estava, naquela altura, com um grupo chinês; o Benfica ia receber 79 milhões de dólares desse grupo. Tivemos problemas com a Emirates.... O Benfica foi altamente lesado na sua própria imagem. Era só o tema de que se falava, não se conseguia trabalhar. Foi de tal ordem desgastante que ninguém pode imaginar. Aquilo era tão desgastante. Foi quando disse que não podíamos continuar a resolver este problema e tínhamos de contratar advogados que tomassem conta do processo", afirmou.

E precisou o negócio que diz ter caído por terra: "Estavam em causa 79 milhões de dólares. Esse negócio perdeu-se. Estão lá os documentos, as cartas. O meu pensamento, em termos estratégicos, tem muito a ver com um padrão idêntico ao Bayern Munique. Precisava de ter parceiros com credibilidade. Isso sucede que antes de pensarmos na OPA, havia um parceiro na China disponível para poder entrar no capital do Benfica. Tínhamos contrato assinado, eram 79 milhões de dólares que entravam em cinco anos".

Questionado sobre o impacto que o caso teve no Benfica e em si mesmo, Vieira avançou: "Qualquer pessoa entende perfeitamnete, que tiveram acesso a todos os emails que estavam lá. Muitos dados, contas bancárias, situações familiares que nos prejudicaram, negócios que tinham. Tive um princípio de depressão, pois sentia-me envergonhado. Tinha orgulho de dizer que o Benfica era o clube com mais credibilidade em Portugal e na Europa, ninguém pensava que o Benfica estivesse organizado daquela forma. Eu era o rosto do Benfica. Fiquei super revoltado".

"Prolongou-se no tempo. Só quem viveu o momento... Ninguém tinha paz em casa. A minha mulher era confrontada na padaria onde ia. Não havia conversa nenhuma sem ser isto, não trabalhávamos, estávamos parados. Só perguntava 'o que vamos fazer?' Foi quando decidi entregar este processo a advogados".

Consequências de figuras que se afastaram do Benfica: "O presidente da Câmara de Lisboa foi flagrante, parece que deixou o benfiquismo para trás. O contrato da Emirates esteve em perigo, porque a caixa de emails dele foi esgotada por todo o lado. Fomos à central da Emirates falar com ele, explicar tudo ao pormenor, e que isto era para manchar a marca do Benfica; era a maneira que as pessoas encontravam para travar a marcha do Benfica. Temos cinco ou seis profissionais que hoje poderiam trabalhar para qualquer empresa internacional. Estiveram quase para para romper o contrato com o Benfica. Em 2017 ou 2018. Foi o DSO que se deslocou lá para falar com eles e mostrar que a idoneidade do Benfica se mantinha. Podemos definir isto como um assalto ao Benfica".

Questionado pelos advogados de Francisco J. Marques, Diogo Faria e Júlio Magalhães sobre se considera que o Benfica construiu uma rede de poder, Vieira atirou: "Os incompetentes é que se refugiam nessa ideia. Nunca o FC Porto teve a organização do Benfica nem nunca vai ter. Sei disso com conhecimento".

"Desde que saí do Benfica, não liguei a mais ninguém. Jurei à minha família que não queria saber mais nada do Benfica".
Por Valter Marques
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