Noronha Lopes: «A seguir a Vieira não virá o caos, virá Noronha e a sua equipa»

Candidato à presidência do Benfica diz que se ganhar as eleições vai promover uma auditoria externa às contas

• Foto: Lusa

João Noronha Lopes garante que "depois de Luís Filipe Vieira não virá o caos" e que, caso seja eleito presidente do Benfica, uma das primeiras medidas que tomará será a realização de uma auditoria externa às contas do clube.

"É uma prática perfeitamente normal nas empresas. Foi isso que fiz em todas as organizações por onde passei. Vai ajudar-me a decidir o que está a correr bem, o que está a correr mal, quem está a fazer o seu trabalho em defesa dos interesses do Benfica e quem não está", disse o líder da lista B às eleições marcadas para quarta-feira, em entrevista à Lusa.

Noronha Lopes considera que os adeptos estão "fartos de ver o nome do Benfica associado a más razões", em referência aos processos judiciais que envolvem o clube lisboeta e o seu presidente, Luís Filipe Vieira, deixando uma certeza: "A seguir a Luís Filipe Vieira não virá o caos. Virá Noronha e a sua equipa".

"O que garanto aos benfiquistas é que vão ter um presidente a 100%. Alguém que está focado no clube, que não está distraído por casos e polémicas que nada tem a ver com o Benfica e que vai estar apenas e só dedicado aos problemas do Benfica", reforçou.

Noronha Lopes alerta que "está causa o futuro do Benfica" e que o último mandato de Luís Filipe Vieira, presidente desde 2003, é revelador de uma "desorientação total", marcado por "uma política desportiva desastrosa", "aspetos da gestão do clube que não honram os pergaminhos do Benfica, entre os quais uma OPA [oferta pública de aquisição] declarada ilegal".

"O que está em jogo nestas eleições não são os 17 anos de Luís Filipe Vieira. O que está em causa é o último mandato, são os últimos quatro anos. Eu, como muitos benfiquistas, reconhecemos aquilo que de positivo foi feito, mas estando em jogo o último mandato, o balanço que faço é claramente negativo", advogou.

Noronha Lopes lembrou que integrou a direção presidida por Manuel Vilarinho, "numa altura muito complicada na vida do Benfica, em que estava em risco de deixar de pertencer aos sócios" e advertiu que "a maioria do capital da SAD tem sempre de estar nas mãos do clube": "Isso é absolutamente inegociável".

O líder da lista B lamentou que o presidente do clube da Luz seja o "único [candidato] que não quer debater e não tem programa", revelou os motivos que o levaram a rejeitar o convite para ser seu vice-presidente numa futura direção, expostos, "olhos nos olhos", a Luís Filipe Vieira.

"As razões pelas quais não aceitei ser vice-presidente de Vieira são exatamente as mesmas razões que me levam a candidatar-me: porque quero um Benfica mais ambicioso, transparente, credível, que consiga crescer internacionalmente à custa do sucesso desportivo. Tudo coisas que Luís Filipe Vieira não conseguiu fazer", sustentou.

Noronha Lopes acusa o atual presidente de ter tornado o Benfica "invisível na Europa", defendendo que o clube "tem de mudar agora, não pode esperar mais quatro anos, porque Luís Filipe Vieira já mostrou que não consegue transformar o Benfica num Benfica europeu da 'Champions'". "Não é um Benfica da Liga Europa, nós agora estamos na segunda divisão europeia", lamentou.

Porque "o Benfica não é uma monarquia", vai apresentar um projeto de alteração de estatutos, com vista à introdução da limitação de mandatos, mas também à criação de uma comissão de ética, prometendo ainda uma "gestão muito criteriosa", numa altura em que as receitas diminuíram de forma acentuada, devido à pandemia de covid-19.

A "identidade de pontos de vista" com a lista D, encabeçada por Rui Gomes da Silva, também muito crítico da direção benfiquista, não foi suficiente para agregar as duas candidaturas, ainda que isso, necessariamente, resulte na fragmentação do voto dos opositores de Luís Filipe Vieira: "Aquilo que nos separa é muito mais do que aquilo que nos une", justificou.

O candidato à presidência do Benfica manifestou-se "preocupado" em relação à fiabilidade do processo eleitoral, exigindo "garantias" relativamente ao voto eletrónico e por correspondência, uma vez que tem conhecimento "de cartas [contendo um código que permite votar aos sócios não residentes em Portugal] que já chegaram abertas ou que não chegaram".

"Não pode haver em nenhum benfiquista nenhuma dúvida relativamente à legitimidade do ato eleitoral. Esta Mesa da Assembleia Geral tem de dar todas as garantias aos benfiquistas. Independentemente de quem for o vencedor. O vencedor destas eleições tem de ter uma legitimidade que seja reconhecida por todos", preveniu.

João Noronha Lopes, de 54 anos, líder da lista B, é um dos quatro candidatos à presidência do Benfica, nas eleições para os órgãos sociais que se vão realizar na quarta-feira, nas quais terá como adversários Luís Filipe Vieira (lista A), Luís Miguel David (lista C), em substituição de Bruno Costa Carvalho, e Rui Gomes da Silva (lista D).

As eleições no Benfica estão marcadas para quarta-feira, entre as 08:00 às 22:00 horas, no Pavilhão n.º 2 do Estádio da Luz, em Lisboa, e em 24 casas do clube.

Por Lusa

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