Rui Gomes da Silva: «O Benfica vai deixar de ser meio para atingir fins de estrita elite»

Assumido candidato recorda tradições democráticas dos encarnados

• Foto: Ricardo Ruella

Rui Gomes da Silva, assumido candidato à presidência do Benfica, recordou as tradições democráticas do clube e aludiu ao "exemplo de ausência de pluralidade e de atropelo a valores de respeito por uma opinião diferente daquela de quem manda", algo que vigora na atualidade segundo o antigo vice-presidente.

"O Benfica não precisa usurpações como não pode conviver com distrações! Nem para nem com ninguém que queira usar o Benfica! O Benfica não pode ser - e vai deixar de o ser - um meio para atingir os fins de uma estrita elite. O Benfica é, e só pode ser, o meio para alcançar os seus próprios fins", deixou claro o ex-dirigente em declarações ao blogue 'Novo Geração Benfica'.

Leia a publicação na íntegra:

Quem nunca se confessou com alma de benfiquista?

Quem não chorou tantas vezes de alegria (e algumas, poucas, de tristeza) por causa dessa alma que temos por sermos do Benfica?

É essa alma, esse ser, esse pertencer a algo imaterial mas tão visível, a algo intangível mas tão concreto, a algo invisível mas tão presente que tenho encontrado nas reuniões que tenho feito por todo o País para ouvir os que, sendo do Benfica do coração, estão magoados e desiludidos com "este" Benfica do negócio!


Porque - para quem é do Benfica e não ganha nada com os negócios do Benfica - sente na alma cada insucesso do Benfica. Um Benfica que sentem, na alma como ninguém, que lhes alimenta a alma por serem do Benfica!


É por essa alma - comum - que nos movemos e que queremos mobilizar a maioria dos sócios do Benfica! Para que não se perca, de vez, o Benfica que sempre tivemos no coração pois o Benfica, se não pode viver sem alma, também não pode sobreviver sem coração!

Basta de negócio onde deveria haver alma, chega de indiferença onde deveria haver coração! Sentir o Benfica é - e só pode ser - sentir as suas origens e os seus valores, o seu desígnio de vencer. Sentir o Benfica é alimentar a alma que o move e que o faz crescer em ambição, palmarés e glória. Como sempre aconteceu na sua História, na nossa História!

Uma História tão rica com um legado de uma dimensão enorme, que nos fez aqui chegar, mais de 58 anos depois daquilo que, pela última vez, nos fez notados no mundo do futebol. Um mundo - à data - tão distante e tão difícil, separado por barreiras ideológicas e comunicacionais, mas em que todos nos ficaram a conhecer!

Duas conquistas que nos deram a dimensão com que sonhou quem nos fundou na Farmácia Franco! Depois da Taça Latina, foram essas conquistas que nos deram a dimensão que hoje, quem lá está, teima em destruir.

Porque, não acreditando no regresso a essas vitórias, faz do Benfica um entreposto de jogadores ou porque, querendo o Benfica como plataforma giratória de negócios de jogadores, não pode querer ganhar na Europa.

Um Benfica dessa dimensão não pode ser compatível com líderes sem alma e sem coração! Porque foi essa grandeza de alma, esse viver com o coração a paixão pelo Benfica que fez do Benfica aquilo que foi!

Foi, mas já não é!

A nossa História diz que o Benfica se fez de origens humildes e de valores gigantescos!
Humildes e verdadeiros, os homens que fizeram o Benfica enorme conseguiram-no porque não o quiseram a conviver com o dinheiro dos outros nem a servir para os outros fazerem negócios!

Infelizmente não é esse o Benfica que conhecemos hoje!

Porque, tendo a mais bonita História de resistência e manutenção de valores democráticos, fundamentais para a nossa matriz e afirmação num mundo que nos era tão hostil, somos, hoje, o exemplo de ausência de pluralidade e de atropelo a valores de respeito por uma opinião diferente daquela de quem manda!

Não percebendo - quem manda e quem, sendo democrata e livre de espírito, se presta, por uns míseros euros, à maior bajulação a alguém que despreza a liberdade - que essa é a forma mais rápida de destruir a grandeza do Benfica! Porque foi essa liberdade que nos fez grandes! Porque será essa liberdade, de novo, que será a base do nosso ressurgimento no futebol europeu.

Alguns, por mais visão que pensem ter, não o entendem, porque não nasceram com alma de benfiquista, porque não sentem o coração a bater pelo Benfica! Não sabem o que é sentir assim, porque não cresceram a sentir o Benfica, que se construiu com base em premissas tão distintas das que querem para o seu Benfica! Um Benfica que querem só para si, um Benfica que não querem que seja nosso!

Porque esse Benfica, nosso, na alma e no coração, não aceita os negócios que quer fazer, no Benfica, quem acha que o Benfica é seu! O nosso Benfica, o Benfica fiel às raízes e aos valores, de trabalho e de retidão, de humildade e de ambição, valores que nos guiam desde 1904, o Benfica que nos enche a alma, não pode ser o Benfica dos negócios e, muito menos, das negociatas!

O Benfica centrado em nós mesmos, abnegado e altruísta, na busca de um desígnio maior que a soma das partes, que nos faz mover e nos torna diferentes dos demais, não é o Benfica da indiferença dos dirigentes perante a derrota! É por isto que nos batemos e é por isso que nos vamos apresentar às próximas eleições.

Por um Benfica com respeito pelas nossas raízes, guiado pelas nossas origens, centrado em nós, construído por nós para a imensidão de sócios e adeptos de que o Benfica tanto precisa.  O Benfica enfrenta, hoje, aquele que daqui a uns meses todos perceberão ter sido o momento mais crítico de sua vida! Num período caracterizado por uma acentuada crise de identidade que resulta de valores estranhos à sua História, é importante dar corpo ao sonho de refazer o Benfica que levamos sempre na alma, na alma benfiquista que nos guia e fará eternos.


E para concretizar o sonho de fazer regressar o Benfica às suas raízes, o Benfica precisa de uma criteriosa estratégia que compatibilize padrões de gestão bem definidos assentes em parâmetros como a estabilidade financeira, criação sustentada de valor, robustez organizacional, critério nas escolhas e rigor na gestão dos recursos do clube, orientados exclusivamente para o sucesso desportivo, que se constitui como base do capital de confiança, fulcral para renovação da mística que alimentará o desígnio de vencer e sustentará o aumento do número de adeptos e de sócios!

O Benfica não precisa usurpações como não pode conviver com distrações! Nem para nem com ninguém que queira usar o Benfica! O Benfica não pode ser - e vai deixar de o ser - um meio para atingir os fins de uma estrita elite.  O Benfica é, e só pode ser, o meio para alcançar os seus próprios fins. Como um todo. 

Temos, por isso, de voltar a ser aquilo que sempre fomos, de cara lavada e levantada, de frente para o mundo em que um dia nos fizemos notar e onde queremos regressar!

O Benfica, embora tenha de ser sempre e em qualquer circunstância gerido sob os mais elevados padrões de gestão, organização e orientação estratégica, é um clube!!!

Sim, ... um clube. Temos de o recordar. 

O sucesso de um Clube constrói-se de resultados desportivos e da capacidade para competir nos melhores palcos. O sucesso do Benfica passa, imperativamente, por conseguir competir consistente e permanentemente lá fora, lado a lado com os da nossa dimensão, sem descurar as nossas obrigações cá dentro.  O mesmo sucesso que nunca poderá estar pendente de dinâmicas e estratégias pessoais nem de relações de manutenção do Poder. O sucesso desportivo do Benfica, não se faz da proclamação de resultados financeiros - aparentemente - positivos, nem de uma política de comunicação que centra a mensagem em factores extradesportivos, de ameaça com o regresso a tempos definitivamente passados.  Definitivamente! É bom que se assinale! 

O Benfica orientado para o sucesso desportivo consistente, nunca poderá ser um Benfica que coloca a ênfase comunicacional numa mensagem quezilenta, de defesa da imagem de quem está temporariamente à frente de seus destinos. 

Este não é o Benfica como o conhecemos. Este é um Benfica descaracterizado nos seus valores e na sua essência, reativo na defesa de quem é um corpo estranho ao próprio Benfica. 

E isso, naturalmente, reflete-se de forma evidente numa capacidade competitiva e performances desportivas titubeantes, que resultam de uma ausência total de planificação e de critérios exclusivamente virados para a vertente desportiva. 

O privilégio de outros interesses, que não os do Benfica, tem de ser definitivamente expurgado!

O ciclo em que ainda vivemos é, pois, como temos verificado, altamente nocivo aos exclusivos interesses do Benfica. 

Este ciclo está definitivamente terminado. Resta encerrá-lo, definitivamente, em Outubro!

Por isso vos quero convidar - a todos, sem excepção - para que nos juntemos, de novo, de alma e de coração, que sejamos capazes de dar passos concretos em direção ao sonho de fazer regressar o Benfica ao que nos fez sonhar, movido exclusivamente pelo que desportivamente é interpretado no relvado ou num qualquer espaço desportiva. O Benfica eclético. Que nos movamos guiados por valores desportivos e competitivos. De captação e retenção do melhor talento, de valores ético-morais bem definidos.  Que nos unamos e elevemos, altivo, o nome do Benfica aos quatro os cantos do mundo. 

Que nos unamos em torno de coisas tão simples, mas tão nossas. 

De tirarmos o estigma que em todo o mundo pende sobre nós de que no Benfica tudo tem um preço.  Porque o Benfica não tem preço. E nunca terá! E tudo isto é possível se for construído com alma!

À Benfica!

Conto convosco!

Por ti, ... Benfica!

Por Flávio Miguel Silva
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