Rui Gomes da Silva: «O objetivo é entregar a SAD a um testa de ferro»

Ex-candidato à presidência aponta degradação no Benfica

• Foto: Fernando Ferreira
Rui Gomes da Silva saiu a terreiro para comentar a atual situação do clube da Luz.

"Fui afastado da SIC porque acharam que era assim que me calavam. Passei a ser atacado no mesmo programa em que participei durante anos, porque os meus textos no NGB à segunda feira 'não defendiam o Benfica'. Era tempos em que os indignados de hoje defendiam Luis Filipe Vieira e louvavam negócios como o de João Félix. Esta degradação a que querem conduzir o Benfica tem o objectivo maior de querer entregar a SAD a um testa de ferro em nome de interesses financeiros obscuros", defendeu o antigo candidato à presidência das águias numa publicação ao blogue 'Novo Geração Benfica'.

Confira a publicação na íntegra:

"Caros benfiquistas,

Como sócio desde que nasci, vivi muitas alegrias ao longo das 6 décadas de associado do Sport Lisboa e Benfica.

Também vivi alguns períodos menos bons para o clube, na década de 90, cuja memória me recuso a recuperar, por respeito aos que, como dirigentes, nunca se aproveitaram do Benfica.

Tive a honra de vestir a camisola do Benfica como atleta e a alegria de saber o que é ser campeão de águia ao peito.

Tive o privilégio de poder servir o Benfica como vice-presidente e administrador da SAD, num período em que tivemos até presenças em finais de competições europeias.

Nesse período, lutei - quase sozinho - dentro do clube por um Benfica Europeu, ambicioso, e dominador a nível nacional.

Lutei sozinho por cortarmos definitivamente os laços com a Olivedesportos ou empresas que a substituíssem mas que mantivessem o poder nas mesmas pessoas.

Defendi - quase sozinho - que o Benfica era suficientemente grande para deter os seus direitos televisivos e ser um player no mercado das transmissões desportivas televisivas. A Benfica TV com os jogos na Luz e a Liga Inglesa provaram que eu estava certo nessa defesa do interesse do Benfica.

Tenho estado remetido ao silêncio (apenas interrompido muito excepcionalmente) desde as eleições do passado Outubro de 2020.

Só que tendo a paixão que tenho e que partilho com tantos milhões, não é possível manter esse mesmo silêncio perante o espectáculo degradante para o SL Benfica e o seu bom nome que tanto a direcção de Luis Filipe Vieira como o ex-candidato Noronha Lopes e seus assessores estão a dar.

Como sempre disse, defendi e defendo um projecto diferente para o Benfica, mas que não passa por desejar o insucesso a quem ainda está a gerir o Benfica. As pessoas passam mas o Benfica deve ser - sempre, mas sempre - preservado.

A minha posição sobre as eleições de Outubro de 2020 ficou vincada desde a votação do Orçamento em Junho de 2020. Relembro que fui o único que tomou a posição pública de não ir votar esse mesmo orçamento porque não acreditava no sistema de voto electrónico que se anunciava. A minha candidatura já tinha tomado a iniciativa de contactar a CNE e foi em resultado disso que os benfiquistas souberam que o sistema de VE não era certificado por tal entidade. Mais ninguém teve essa preocupação.

Aliás, tenho dificuldade em compreender como, 8 meses depois das eleições, quem não quis posições de força conjuntas a favor do voto físico e contra o voto electrónico não auditado, ainda insista neste tema.

Relembro que nas trocas de impressões entre as listas sobre uma possível posição conjunta, a preocupação por parte do sócio Matamouros, em representação do sócio Noronha Lopes, era que uma posição conjunta não tivesse demasiados pontos "de Rui Gomes da Silva", em especial os mais técnicos e que apenas a lista que encabecei se preocupou em preparar.

Relembro que o interesse era uma "posição mínima comum", não valorizando posições como o voto ao sábado ou o facto de as urnas terem de ser seladas na presença de membros de cada lista, antes da eleição.

Recordo também que o então presidente da MAG foi claro quando disse aos candidatos que os votos físicos não seriam contados, dias antes das eleições. Relembro que fui o único que transmitiu isso aos benfiquistas antes das eleições.

Relembro também que foi proposta ao representante de Noronha Lopes, Pedro Adão e Silva, um protesto enérgico por essa posição irredutível de só contar votos em caso de diferenças muito pequenas entre candidatos. Pedro Adão e Silva recusou, respondendo que os sócios podiam achar que estavam com medo de ir a eleições.

De Agosto a Outubro sentei-me várias vezes, em privado, com representantes das outras listas concorrentes, excepto com a de Luis Filipe Vieira. Em todas as ocasiões, estive disponível para todos os entendimentos necessários para assegurar aos benfiquistas uma eleição transparente e sem mácula.

O que nunca estive disponível foi para abdicar de um Benfica independente de poderes externos, ajoelhado a empresários de futebol ou subjugado a operadores televisivos.

Nunca estive disponível para aceitar um Benfica que não seja integralmente dos sócios. Nem Portugal é a Alemanha, nem o Bayern de Munique é o Benfica.

Por isso não me escondi dos sócios e estive sempre disponível para debates, ao contrário de todos os outros. Não aceitei discursos de união em frente às câmaras mas com manobras de bastidores para me tentar impedir de falar aos benfiquistas na imprensa e na TV.

Por não aceitar jogadas ou mentiras aos sócios, deixei a Direcção em 2016, para lutar cá fora por um Benfica diferente. Recusei a entrega a Jorge Mendes da preferência total quanto aos atletas do Benfica, camadas jovens incluídas.

Não precisei de me reunir em privado com Luís Filipe Vieira para lhe dizer que era candidato, nem me sentar com os advogados de Jorge Mendes para lhes dizer o que queria fazer. Muito menos precisei de ir a nenhum "casting" para ser candidato ao clube do meu coração.

Denunciei sozinho nos últimos anos que o Benfica estava transformado numa coutada de um empresário.

Denunciei sozinho que Luis Filipe Vieira estava a utilizar o Benfica como bloqueio a problemas pessoais exteriores ao clube.

Denunciei sozinho que Luis Filipe Vieira estava a encher a estrutura de não-benfiquistas, cuja única lealdade seria ao vencimento que receberiam e a mais nada. Recordo a indignação que muitos revelaram, dizendo que a "competência" não tem clube.

Denunciei sozinho a sabotagem ao possível Penta.

Falei das comissões, das transferências, da OPA vergonhosa e que tantos defenderam em artigos de opinião.

Fui afastado da SIC porque acharam que era assim que me calavam. Passei a ser atacado no mesmo programa em que participei durante anos, porque os meus textos no NGB à segunda feira "não defendiam o Benfica". Era tempos em que os indignados de hoje defendiam Luis Filipe Vieira e louvavam negócios como o de João Félix.

Esta degradação a que querem conduzir o Benfica tem o objectivo maior de querer entregar a SAD a um testa de ferro em nome de interesses financeiros obscuros.

Também passa por entregarem os direitos televisivos, anos antes do fim do contrato, a quem sempre lutou contra o Benfica.

A vergonhosa reunião entre Luis Filipe Vieira e Pinto da Costa foi mais um sinal da subjugação do Benfica aos poderes instalados. Ou vamos acreditar em quem num dia diz que não foi campeão por influência da arbitragem e no dia a seguir senta-se com o clube campeão dos penáltis?

Só que as ligações de Vieira ao FC Porto assumidas sem vergonha nos últimos tempos e a forma como a degradação da qualidade do plantel tem protegido os interesses do FC Porto e garantido entradas directas na Champions por parte do clube do Apito Dourado não parecem incomodar todos.

Só quem sonha com um Benfica independente. Nem todos se podem gabar de não estar ligados aos interesses ou de não estar dependente de amizades com dirigentes do Apito Dourado.

Continuarei a defender o Benfica, mesmo que o tenha de continuar a fazer sozinho entre as "elites" ou "grupos de influência".

Digo não à degradação do Benfica, seja pela ação de Luís Filipe Vieira seja pela ação de quem quer tomar o poder a qualquer custo.

O Benfica é nosso!"
Por Flávio Miguel Silva
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