Rui Vitória: «Sou uma pessoa feliz e sou um privilegiado porque faço o que gosto»

Treinador do Benfica diz que a contestação e as notícias sobre Jesus lhe passam ao lado

• Foto: EPA

Rui Vitória garantiu que o Benfica vai a Munique para ganhar ao Bayern, o único resultado que mantém acesas as esperanças das águias em chegar aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Na conferência de antevisão ao encontro desta terça-feira, o treinador encarnado sublinhou que não falta coragem à sua equipa e que apenas é preciso ser mais eficaz.

Elogios a Renato Sanches e ainda a forma como lida com a contestação e com as notícias sobre o regresso de Jorge Jesus à Luz foram outros dos principais temas da conversa com os jornalistas.

Instabilidade no Bayern alterou a preparação?
"Não alterou porque independentemente dos momentos de cada equipa olhamos para as características dos jogadores. O Bayern é uma equipa de valor e temos de ver onde podemos aproveitar alguma fragilidade. Temos de ser rigorosos defensivamente, claros no ataque, dar objetividade ao jogo e tirar partido das nossas características. Trata-se de uma equipa de enorme valor do outro lado.

Jogos com o Bayern em 2015/16 em que atuou com dois avançados. Vai repetir a receita?
"Não vou dizer como vamos jogar. Vocês irão ver. Temos de ser rigorosos do ponto de vista tático e aproveitar a mobilidade dos nossos jogadores. Isso pode causar de certa forma alguma dúvida, se é que a poderão ter, mas mais do que isso. Temos de saber por onde ir."

Renato Sanches
"Vejo com enorme orgulho ao ver estes jogadores a ter sucesso, quando não trabalham comigo desejo que tenham maior sucesso. Fico contente que o Renato esteja a fazer este trabalho, mas mais importante é o Benfica. Temos de ter união dentro e fora do campo. O Renato ao dar essas palavras leva-nos a pensar nisto. Temos de estar unidos e mostrar união. E mostrar argumentos. Fico muito contente pelo seu trajeto, um dos jovens que tive o privilégio de treinar e quero que tenha muito sucesso pela frente."

O Benfica tem de ganhar para sonhar. Momento ideal para ter a coragem que dizem que falta ao Benfica nos jogos europeus?
"Não concordo com a observação que fez. Em Amesterdão tivemos muita coragem, com cinco ou seis bolas de golo. Só não concretizámos. Fizemos dois golos ao AEK e depois tivemos um problema de ficar com menos um jogador. Em Salónica marcámos quatro e na Turquia mostrámos valor. É sinal de coragem. Contra o Bayern viemos para ganhar. Estamos preparados para isso, sabemos que vai ser difícil para nós e para qualquer equipa que venha aqui. Temos de nos agarrar a esta oportunidade. Há um jogo que vamos disputar, temos qualidade, competência e seremos rigorosos nas ideias no ataque. Assim estaremos mais próximos da vitória."

Tem sido contestado nos últimos tempos. Importante é passar?
"O meu foco não é o Rui Vitória. Importante é o Benfica e trabalhamos para isso. É um dia importante para nós e mais do que divergências ou contestação, a união é que é fundamental. Assim ultrapassaremos os obstáculos. Nada está acima do Benfica e o Benfica está acima de tudo. Foco é o Benfica ganhar."

Como olha para a contestação como homem?
"Vejo pouco porque não vejo com intensidade as notícias. Transmitem-me apenas. Não é por receio, é forma de estar. Mas desde o primeiro dia sou igual. Sou uma pessoa tranquila que percebe os contextos. Vivi momentos de sucesso, outros, muito menos, de insucesso, mas é natural. No futebol tudo funciona com base na emoção. Não digo que é falta de racionalidade, mas é a emoção. Sou o mesmo, trabalharei e trabalho da mesma maneira. Sou uma pessoa feliz e sou um privilegiado porque faço o que gosto com enorme paixão e vontade. É assim que as fases menos boas são ultrapassadas."

Depois da eliminatória com o Bayern em 2015/16 o Benfica não mostrou muito mais qualidade?
"Essa eliminatória foi interessantíssima. Do ponto de vista tático tenho um resumo do jogo pela riqueza que foi cá e lá. Não passámos mas foi bem disputada. O caminho até aqui tem tido várias nuances. Olhar agora para o passado não nos traz nada. Se houve erros, vamos corrigi-los. Pensamos assim."

Em Amesterdão faltou eficácia. Confia que amanhã estando cara a cara com Neuer a equipa está apta para marcar?
"Nos jogos anteriores a confiança era enorme e tivemos um conjunto de oportunidades que a nível europeu dá, em condições normais, para marcar um ou dois golos. Não marcámos e podemos falar de questões mentais ou de pontinha de sorte. O que queremos é que se tivermos as mesmas oportunidades… marcar golos. Queremos finalizar e é importante criar essas oportunidades. Treina-se, é uma questão mental. Há finalizadores por natureza mas só queremos que as oportunidades surjam. Mas atenção que não estamos a falar de uma equipa qualquer, são jogadores de enorme qualidade. Jogadores campeões do Mundo e derrotá-los é um grande desafio."

Equipa tentada a correr riscos?
"A nossa equipa sabe o que tem de fazer em cada momento. Temos de ser fortes, organizados a defender e nos momentos em que se ganha e perde a bola. Contra estas equipas não há outro caminho. Temos de se equilibrados em todas as fases do jogo e aí estaremos mais perto de vencer. É preciso ter energia e coração para jogar um jogo destes, mas também é preciso cabeça para saber atacar bem mais do que atacar muito. Temos de ter esse aproveitamento."

Por Pedro Ponte
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