Conversa com Rui Vitória ajudou Zivkovic a vingar

O extremo passou momentos complicados mas a espera compensou

• Foto: Paulo Calado

O sucesso de Zivkovic é um exemplo de persistência por parte do jogador e da equipa técnica do Benfica. Atualmente é o segundo extremo na hierarquia de Rui Vitória, apenas atrás de Salvio, e é dos jogadores que mais entusiasma os adeptos com a sua qualidade técnica e a precisão dos seus cruzamentos. Note-se, por exemplo, que diante do Tondela, para a Liga, Zivkovic foi titular com Cervi na ala contrária, e Salvio ficou no banco [entrou ao intervalo para o lugar do compatriota]. Na última jornada, frente ao Nacional, foi Cervi quem ficou de fora, mas Zivkovic estava... em campo.

Contudo, esta história podia ter um final diferente caso não se tivesse registado uma simbiose perfeita entre a ambição do extremo e uma dose de confiança por parte de Rui Vitória.

O internacional sérvio chegou à Luz no verão, colocando assim um ponto final a um período negro que viveu no Partizan, onde foi afastado do plantel por ter-se recusado a renovar. Nos treinos mostrou logo qualidade técnica, mas a paragem teve os seus custos a níveis físicos, um revés que ainda foi agravado por uma lesão sofrida na pré-época e que o colocou em situação de desvantagem.

A situação tornou-se bastante complicada pois, na Sérvia, Zivkovic estava habituado a ser a figura da equipa, e no Benfica viu-se numa situação diferente em que era um jovem talentoso a viver num país no qual não dominava a língua e onde os adeptos tinham expectativas elevadas em relação à sua prestação. Nesta fase o grande apoio foi Fejsa, que sempre procurou ajudar nos momentos mais complicados e, ao mesmo, foi-lhe incutindo confiança, mostrando-lhe que no Seixal ninguém duvidava do seu potencial.

Certo é que tudo parece ter mudado, soube Record, após uma conversa com o treinador.

Sem queimar etapas

As palavras de Rui Vitória acabaram por acalmar Zivkovic que continuou a trabalhar sempre com a mesma intensidade mas, ao mesmo tempo, a assimilar alguns conceitos táticos que lhe eram completamente estranhos.

A estreia, essa, apareceu a 2 de outubro, diante do Feirense. A decisão foi ponderada pelo técnico que, na véspera desse jogo, falou na "qualidade, capacidade e potencial" de Zivkovic. "Esteve um longo período parado na época passada e não teve continuidade de trabalho nesta. É um jovem que vai crescer e será um grande jogador. Quando estiver pronto para dar o seu contributo ao Benfica irá dá-lo de certeza absoluta", disse.

Estas palavras confirmaram-se e, a espaços, o extremo começou a jogar. Foi titular pela primeira vez frente ao 1º Dezembro, na Taça de Portugal e aproveitou todas as oportunidades que lhe foram sendo dadas. Agora é um dos titulares.

Cantos e livres são cartão de visita

Dada a sua qualidade técnica, um dos pontos em que Zivkovic mais se destaca é nos lances de bola parada. Habitualmente, nos pontapés de canto, divide a responsabilidade da marcação com Pizzi e, quando o internacional português não está em campo, assume-se de imediato como o marcador de serviço, apesar de ainda só ter 20 anos. Esta situação repete-se nos livres, especialmente nos laterais, onde consegue colocar a bola na grande área de forma precisa e tensa. Dada a qualidade dos cabeceadores que o Benfica tem no seu plantel, estes cruzamentos acabam por originar lances muito perigosos para os adversários. Na zona frontal, apesar de ser uma opção válida, o jovem ainda perde para jogadores mais experientes, como Jonas, mas na seleção sub-21 da Sérvia é o principal candidato a batê-los.

Forte concorrência na contratação

O Benfica, oficialmente, anunciou a chegada de Zivkovic no dia 5 de julho de 2016, mas o interesse na contratação do internacional sérvio começou um ano antes. Dada a qualidade que já mostrava no Partizan, o extremo foi igualmente desejado pelo Borussia Dortmund e duas equipas inglesas, mas a SAD encarnada conseguiu bater a concorrência em grande parte devido a uma operação de charme junto do pai do jogador. A estratégia resultou e a SAD acabou por bater a concorrência.

SAD acreditava na ascensão

O aparecimento de Zivkovic em bom nível estava planeado há muito tempo pelos responsáveis encarnados, que iam acompanhando a evolução diária do extremo. Record deu conta dessas expetativas no mês de dezembro e a verdade é que pouco tempo depois, o camisola 17 viria a confirmar que tem condições para agarrar um lugar na equipa de Rui Vitória. O jogador, a quem sempre foi apontado largo futuro, chegou sem ritmo à Luz e os primeiros meses em Lisboa serviram para melhorar a componente física, mas também para uma melhor adaptação do jovem.

Vieira apostou tudo no sérvio

Luís Filipe Vieira apostou tudo em Zivkovic, não só pela forma como lutou pelo extremo sérvio e ultrapassou a concorrência, mas também porque não o escondeu publicamente. E quando muitos questionaram o ‘apagão’ da jovem pérola sérvia, que até ficou de fora da primeira lista da temporada enviada à UEFA para a Liga dos Campeões, foi o líder encarnado quem veio falar do camisola 17. "Zivkovic chegou, não vai à Champions, mas esquecem-se que esteve parado seis meses e só fez um jogo connosco. Mas no próximo ano vai ser uma mais-valia desportiva para nós. Tenho a certeza", disse em setembro, numa entrevista à TVI. A verdade é que, agora, ao contrário do que aconteceu há cinco meses, Zivkovic está inscrito na Champions e só não pode atuar terça-feira, na receção ao Borussia Dortmund, porque tem um jogo de castigo para cumprir do tempo do Partizan.

Por João Soares Ribeiro e Vanda Cipriano
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