Já faltou o dinheiro mas nunca o pão

Maria de Lurdes é dona da Tasca da Badalhoca, boavisteira e há anos que ajuda o clube do coração

Maria de Lurdes Guedes, carinhosamente conhecida por Lurdinhas, dá pão ao clube todas as manhãs para ajudar na alimentação dos jogadores. Tudo por um amor  que começou há 57 anos, quando se mudou para a freguesia de Ramalde, e que dura até aos dias de hoje
Maria de Lurdes Guedes, carinhosamente conhecida por Lurdinhas, dá pão ao clube todas as manhãs para ajudar na alimentação dos jogadores. Tudo por um amor  que começou há 57 anos, quando se mudou para a freguesia de Ramalde, e que dura até aos dias de hoje
Maria de Lurdes Guedes, carinhosamente conhecida por Lurdinhas, dá pão ao clube todas as manhãs para ajudar na alimentação dos jogadores. Tudo por um amor  que começou há 57 anos, quando se mudou para a freguesia de Ramalde, e que dura até aos dias de hoje

Não há alma que viva no Porto que não conheça ou que não tenha pelo menos ouvido falar da Tasca da Badalhoca. É quase consensual que é neste espaço que moram as sandes de presuntos mais famosas da cidade. Porém, há outro ‘prato’ que torna esta taberna emblemática: a forte ligação que tem e sempre teve ao Boavista. As paredes repletas de adereços axadrezados denunciam um amor de décadas, do qual Maria de Lurdes Guedes, carismática dona, não foge.

"Sou boavisteira desde que vim para a freguesia de Ramalde. Comecei a gostar de futebol e apaixonei-me pelo Ramaldense e pelo Boavista. Do Ramaldense devo ser a sócia nº 1 ou 2. Do Boavista, desde os 17 anos, que foi quando vim para cá. Agora tenho 74. É o clube do meu coração", assume.

Ao longo das décadas, o amor pelo Boavista ganhou força. De tal forma que Maria de Lurdes, carinhosamente tratada por Lurdinhas, nunca virou as costas ao clube, nem quando este desceu, nem agora.

"Ajudei o Boavista e ainda ajudo, dando o pão de graça para os atletas. Agora o clube está melhor, mas houve alturas em que não tinha dinheiro. Uns davam pão, outros açúcar, outros café. Era assim", lembra, garantindo estar sempre pronta a contribuir.

Hoje em dia, Maria de Lurdes já não sofre como antes. "É a idade, tenho de me poupar", diz, sorridente. Mas nem sempre foi assim. "Quando o Boavista perdia, não queira saber. Eu nem dormia",conta. Ainda assim, prometeu ir a Fátima se o Boavista não descesse no ano passado. "Ainda tenho de lá ir, por mim e pelo clube."

Maria de Lurdes lidera a 'Tasca da Badalhoca': a história desta ferrenha adepta do Boavista

Noite do título com tudo à borla

O ano de 2021 marca os 20 anos do campeonato conquistado pelo Boavista em 2000/01. Uma noite que Maria de Lurdes não esquece e que foi de festa rija na Tasca da Badalhoca. "Foi o melhor momento que vivi. E fiz algo que não me importava de repetir. Foi até às 4 horas da madrugada com tudo dado! Foi comer e beber à grande e à francesa. Houve quem comesse 10 sandes", recorda, confidenciando que nessa noite até ponderou só deixar entrar boavisteiros.

"Pensei nisso, mas depois lembrei-me que nem só eles me ajudam todo o ano. Então foi entrada livre. Entrou aqui um sportinguista com uma bandeira que me disse: ‘Minha senhora, não nego que sou do Sporting, mas hoje era pelo seu clube’. Disse-lhe eu: ‘Se eras pelo meu clube, entra e come’", conta.

Frango à Baía só para espicaçar

Durante largos anos, Maria de Lurdes perdeu horas a discutir futebol com os clientes e outras tantas a pensar em como ‘picar’ os rivais. "Eles pegavam fininho comigo e eu pensava no que fazer. Uma vez, o Baía deu um frango e meti um letreiro enorme a dizer: ‘Ementa do dia - Frango à Baía’", revela. Longe vão também os tempos em que tinha como clientes muitos jogadores. "O Fernando Mendes adorava cá vir. Só que uma vez esteve uma semana sem aparecer, porque marcou três pelo FC Porto ao Boavista.Não sabia como falar comigo..."

Por Pedro Morais
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