Jorge Simão: «Não olhem para nós como equipa de caceteiros e que mete uma faca na liga»

Treinador considera errado o rótulo que tem sido "colado ao Boavista"

• Foto: José Reis/Move photo
O Boavista visita o reduto do Sp. Braga este domingo, mas os jogos recentes diante de V. Setúbal e Moreirense permanecem na memória axadrezada, mais concretamente de Jorge Simão, que não esquece as três expulsões e as duas lesões de que o seu coletivo foi vítima nesses dois encontros.

Passando em revista o atual momento da arbitragem, que, no seu entender, está condicionada pelo rótulo de 'equipa caceteira' que tem sido colado aos axadrezados, o técnico considerou injusto tudo o que tem acontecido ao seu coletivo.

"Enquanto nos for colocado o rótulo de equipa agressiva, competitiva e aqui ou ali de ‘caceteiros’, isso vai influenciar os agentes do futebol. Comecem a olhar para nós com outros olhos que não dessa equipa agressiva que mete uma faca na liga e vai atrás deles. Nós não somos isso. Eu não quero perder a cultura do clube, mas é muito redutor olhar para nós como uma equipa de sarrafeiros ou caceteiros, porque, nem o ano passado, nem este ano, em que a memória é mais fresca, colocámos a integridade física adversária em risco ou colocámos o adversário fora do jogo. E nestes últimos dois jogos aconteceu-nos isso a nós, com dois jogadores. No primeiro jogo, o Rochinha não treinou a semana toda, depois de Moreira de Cónegos, e, no segundo, o Fábio Espinho, que sofreu uma entrada arrepiante, ficou de fora dos últimos treinos também. Ambas valeram cartão amarelo...", começou por dizer, antes de indagar numa análise mais profunda sobre o que pode ser mudado por todos na cultura da arbitragem.

"Os árbitros apitam demasiadas vezes, muitas delas desnecessariamente. Não estou a acusar os árbitros, estou a falar da arbitragem no geral, da forma como está montada. Apita-se demasiadas vezes em situações em que não há necessidade e, por consequência disso, os jogadores percebem quando há tendência para apitar qualquer contacto. Sabem que se caírem e gritarem o árbitro marca falta. Devia haver um critério mais largo e uma uniformização de procedimentos para que todos os árbitros tenham um critério semelhante. É um problema que me vai deixando muito preocupado. Vi o Manchester City – Liverpool há uns dias e a intensidade é incrível. Comparado ao número de faltas, é incrível. Gostava que nos aproximássemos disso", apontou.

Virando as atenções para o jogo frente ao Sp. Braga, para o qual não pode contar com Obiora, Yusupha e Sparagna, por lesão, bem como com Rochinha, Raphael Silva, Edu Machado e David Simão, por castigo, Jorge Simão deixou a certeza de que quem jogar "vai com tudo", ainda antes de elogiar a capacidade de superação que a equipa tem demonstrado.

"Essa reação que temos apresentado satisfaz-me. Temos de ser assim. E quando as contrariedades aparecem, esta equipa tem capacidade de reação e não se resigna. Quer no decurso do jogo, quer jornada após jornada", acrescentu.

Questionado sobre o adversário, o técnico assumiu que espera dificuldades, mas garantiu que o seu coletivo está preparado para todos os cenários.

"Tenho o plano do jogo perfeito na minha cabeça. Preparámos todos os cenários possíveis e ajustámo-nos àquilo que será o adversário, mas sem mudar os traços gerais do nosso jogo. Vamos à luta para ganhar o jogo", concluiu.
Por Pedro Morais
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