Petit e o futebol de rua: «Tenho dito ao presidente que o melhor será levar os miúdos aos bairros...»

Treinador do Boavista recordou os tempos em que tremeu quando foi chamado pela primeira vez à Seleção

• Foto: Amândia Queirós
Petit, treinador do Boavista que marcou presença no World Scouting Congress, recuou ao passado para destacar a importância do futebol de rua. Aquele que viveu e aquele que considera que os jovens da atualidade deveriam viver também.

"Tive a felicidade de ter mesmo o futebol de rua, no meu bairro. Comecei como guarda-redes, tinha paixão por me atirar para o chão no ringue. Ainda hoje gosto de jogar futebol de rua no bairro do Bom Pastor, depois fui passando por várias posições. No bairro era rasgadinho, não gostávamos de perder. Castigos? Era mais chapada, menos chapada. Para o ringue ia sempre. Ainda há futebol de rua? Penso que sim, antes não havia futsal nem nada do género", começou por dizer.

"Eu tinha paixão pelo futebol e tinha de trabalhar no estabelecimento dos meus pais. Tive um jogo no bairro do Bom Pastor contra o Boavista e ganhámos. Um falecido senhor levou-me a mim e o Mário Silva para o Boavista, na altura jogava como defesa-central. Nos juniores tínhamos uma grande equipa, com o Nuno Gomes, Mário Silva, Delfim… Mesmo no meu primeiro ano de sénior vinha jogar ao bairro, cheguei a jogar ‘falsificado’ no Bom Pastor [risos]. Hoje em dia o futebol está a ficar um pouco formatado. No Boavista, os miúdos até aos 13 ou 14 anos têm aulas e depois vão para os treinos. Tenho dito ao presidente que o melhor até será levar esses miúdos ao bairro - Francos, Ramalde - para jogar com tabelas. É importante que passem por todas as posições. Futebol de rua pode encontrar-se dentro das próprias academias", acrescentou.

"Não sabia se devia chamar 'senhor' ao Figo e ao Rui Costa"

Petit recordou a sua chegada à Seleção Nacional: "Estava no Boavista, não era fácil jogar na Seleção, ainda para mais com a Geração de Ouro. Quando me ligaram até pensei que estavam a gozar comigo, mas depois percebi que era a sério e comecei a tremer. Quando cheguei ao Estádio Nacional não sabia se devia chamar "senhor" ao Figo e ao Rui Costa e, apesar de o início não ter sido fácil, conquistei o meu espaço. Trabalhava para os cinco violinos da frente. Não fui internacional jovem, portanto não era tão fácil conhecerem-me. Estive um ano na tropa, depois fui para o Gil Vicente, voltei ao Boavista."
Por Diogo Matos
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