Fernando Gomes e o impacto da Covid no FC Porto: «Tivemos perdas de 27 milhões em receitas»

Administrador da SAD diz que, ainda assim, está convicto do cumprimento do fair play financeiro da UEFA

• Foto: Manuel Araújo/Movephoto

Fernando Gomes, administrador financeiro da SAD do FC Porto, fez um balanço do impacto da pandemia no universo dos dragões e só a falta de público no estádio e a redução de receitas, incluindo a perda de publicidade, levou a uma subtração direta de 27 milhões de euros.

"O não acesso de público aos estádios trouxe desde logo problemas de publicidade, problemas com os lugares anuais, problemas com a venda dos camarotes, das tribunas VIP, houve uma quebra de receitas muito forte, mas sobretudo na publicidade. Além disso, o afastamento dos sócios e do público levou, relativamente aos sócios, a uma quebra grande no pagamento de quotas. Claro que sabemos que quando tudo isto se normalizar os sócios terão condições de repor, e nós daremos condições especiais para que essa reposição possa ser feita, mas neste momento é uma quebra muito forte. Tudo visto e ponderado, só em receitas normais do FC Porto, entre entradas no estádio que deixámos de ter, incluindo na Champions, onde são mais caras e o estádios enchem, publicidade, quotas, tudo junto levou a uma perda de receitas de 27 milhões de euros, devido à Covid", revelou Fernando Gomes, na rubrica 'Retratos do novo mundo', na FC Porto TV.

"É muito dinheiro para um orçamento como o do FC Porto. Contudo, num ano em que estamos a procurar sair das regras restritas do fair play financeiro que nos foram impostas por não termos cumprido durante uma data de anos para trás, este é o último ano e queremos cumprir, e isto veio dificultar ainda mais o nosso objetivo de cumprir as metas do fair play financeiro e sair deste aperto em que estávamos até aqui. Só o vamos conseguir, e estou completamente convencido de que vamos consegui-lo, por duas razões: primeiro porque fomos à Champions, isso não é pouco, sobretudo porque temos tido um bom percurso, a nossa missão já está cumprida em termos financeiros; depois, uma venda acrescida de passes de jogadores. Tudo isso possibilitou-nos encarar de alguma forma com menos preocupação do que outros clubes, por causa destas receitas que foram grandes. Nós atingimos um valor financeiro na ordem dos 75 milhões de euros em vendas num ano de Covid. Estes 27 milhões são o resultado direto financeiro para o FC Porto, e é uma dificuldade muito grande", reforçou a ideia.

Fernando Gomes aproveitou para criticar o Governo, acusando-o de não ter ajudado os clubes, designadamente pelo atraso na devolução do IVA.

"Há que reconhecer que por parte das autoridades nacionais, falo no Governo na área do desporto, a incompreensão por estes problemas foi brutal, não houve rigorosamente nenhum incentivo, nenhum apoio, e as especificidades do futebol são muito diferentes das de uma indústria no sector produtivo do país. Encontrámos aqui algumas dificuldades adicionais que os outros países não sentiram, nomeadamente a nível de impostos, o que nos traz dificuldades acrescidas. É lamentável o que está a acontecer, não tivemos nenhuma diminuição de impostos, temos de cumprir com todos os impostos que tínhamos até aqui, não aconteceu noutros países, como Itália ou Espanha, por exemplo, estamos a cumprir com o mesmo quadro fiscal que tínhamos até aqui e ainda por cima estamos a ter dificuldades na devolução de receitas. Das receitas com que contamos para o dia a dia que nos permitem pagar despesas sem nos atrasarmos muito, algumas saem das lojas, mas essas estão fechadas. Dessa forma, contamos com a devolução do IVA para podermos fazer alguma receita adicional. Em outubro pedimos a devolução de sete milhões de euros relativos ao IVA, o Governo tinha até 31 de dezembro para poder devolver esse IVA, não o devolveu, só notificados pelo tribunal é que vieram cumprir a 5 de janeiro. Quisemos uma resposta, não a tivemos e fomos obrigados a recorrer ao tribunal de novo, para nos explicarem o que se estava a passar e disseram-nos que não sabem quando é que vão devolver os outros três milhões de euros. Tinham que ter cumprido até 31 de dezembro, estamos em março e não sabemos ainda quando é que vamos receber três milhões de euros. Entretanto, já temos mais 1,750 milhões para receber. Se o Estado é, além do mais, uma dificuldade adicional em vez de procurar ajudar os contribuintes e levá-los a facilitar o caminho penoso que temos que seguir nesta fase, se nem o Governo percebe isso, então as dificuldades são acrescidas, e são neste momento", rematou o administrador portista.

Por Rui Sousa
6
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de FC Porto

Notícias

Notícias Mais Vistas