Gleison: «Quero fazer a minha história aqui»

Jovem extremo pretende deixar marca nos dragões

• Foto: Manuel Araújo

Cedido pelo Portimonense ao FC Porto até final da temporada, o extremo Gleison é esta terça-feira destaque na imprensa brasileira, especialmente devido ao seu passado no Brasil, quando não ficou no Santos por não ter idade suficiente para ficar alojado nas instalações do Peixe. De lá para cá, o jovem de 20 anos subiu a pulso e agora é um dos elementos em maior destaque na equipa B dos dragões, atual líder da Segunda Liga, depois de se ter evidenciado no conjunto algarvio.

"Decidi meter as caras e vir sem medo. Achei que ia sofrer mais, no começo estava muito frio, o meu pé congelava, essas coisas (risos). Mas foi muito fácil, fui muito bem recebido. Numa semana já estava tudo tranquilo. Comecei a jogar, e contra o FC Porto B, pela Segunda Liga, e vencemos por 2-0. Em 10 jogos, fiz dois golos e soube que o FC Porto me queria contratar", recorda, em declarações ao portal ESPN.

"Ao chegar a uma equipa grande achei que teria de 'comer a bola' para ter uma oportunidade. Graças a Deus, no meu primeiro treino ganhei uma chance na equipa titular: vencemos e não saí. Fui evoluindo e os adeptos começaram a identificar-se comigo. Recentemente atuei num jogo da equipa principal, para a Taça da Liga. Fiquei muito feliz, foi uma experiência incrível e espero voltar de vez para ajudar. Estou emprestado até o final desta temporada e com opção de compra. Estou a torcer para ficar, quero fazer a minha história aqui dentro", admitiu.

Quanto a referências, Gleison admite que a sua inspiração é um antigo jogador do FC Porto. "Sou um avançado que joga pelas alas, sou ágil, tenho velocidade, drible e jogo do lado direito do ataque. Gosto muito do Hulk, que joga na mesma posição que eu e que fez história no FC Porto. Não tenho a mesma força, mas sou canhoto, movimento-me muito e finalizo bem", analisou.

Os treinos e as... bolas

Para trás ficou um passado não muito fácil, onde até os treinos eram diferentes. "Saí de uma favela e aqui é tudo novo, especial, é um clube grande na Europa. Aqui há uma série de coisas especiais. Antigamente, eu precisava levar a bola de casa. Hoje, existem duas pessoas no clube com um saco de bolas a atirá-las para todo o lado. Procuro aproveitar todos os dias que acordo. Pode ser o último dia, ninguém sabe, tudo pode acontecer. Temos que matar um leão por dia", confessa, voltando depois a recordar o seu passado.

"Fui criado a jogar bola na rua. Não tenho medo de arriscar. Aprendes a fazer tudo sem medo, pedalar, driblar e tudo mais. Nós brasileiros não temos medo de ir para cima, se errar, pega a bola e tenta de novo. O lugar de onde eu venho tem muitas drogas e pobreza. Foquei-me para não morrer na praia como jogador. Tenho amigos que jogaram em equipas grandes, mas acomodaram-se e acabaram perdendo-se no futebol", lembra o jovem dragão, que aos 20 anos tem muitos sonhos por concretizar.

"As coisas estão a dar certo. Tenho o sonho de chegar à equipa principal e um dia à seleção brasileira. Na minha vida é tudo passo a passo, primeiro penso em ficar aqui, depois ir para a equipa principal e manter-me lá. Ganhar títulos e quem sabe um dia chegar lá", finalizou.

Por Fábio Lima
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