Nuno no banco é imperturbável

Sereno, pensativo e observador, não deixa que a sua atenção se desvie do essencial

• Foto: José Moreira

Na estreia à vista desarmada no banco de suplentes do FC Porto, Nuno Espírito Santo revelou-se sereno, pensativo e observador. Frente ao Osnabrück, o treinador do FC Porto só ‘aqueceu’ a sua frieza num fora-de-jogo tirado a Jesús Corona, que lhe deixou muitas dúvidas e o fez protestar com o árbitro assistente. Dono e senhor de uma grande frontalidade, no final da partida acabaria por dirigir-se ao homem que levantou a bandeirola, como que a desculpar-se pela sua reação.

Nos restantes momentos do jogo, inclusivamente nos lances dos golos, Nuno nunca se exaltou, dando a entender que, mesmo num possível erro grosseiro de um seu jogador, jamais seria capaz de o descompor em público. Prova disso é que, no treino de ontem, o primeiro depois do triunfo sobre o Osnabrück, só analisou esse duelo com o grupo de trabalho depois da saída dos jornalistas, no sentido de os proteger.

Com uma postura em jogo bem diferente da dos seus antecessores, no caso Peseiro e Lopetegui, o atual treinador revela-se imperturbável, pois não é daqueles que exerce a sua liderança com berros e grandes manifestações. Gesticula para o relvado quando sente que o tem de fazer e, pelo menos anteontem, destinou uma maior dose de atenção a André Silva (extremo-direito) e Silvestre Varela (lateral-direito), jogadores que atuaram desviados das suas posições de origem, pelo que necessitavam de mais instruções.

Sempre atento ao desenrolar do encontro, tão depressa está em pé como sentado ao lado dos adjuntos, Rui Barros e Rui Silva, a trocar impressões sobre o jogo coletivo da sua equipa, no sentido de agir em conformidade com os resultados desse diálogo.

Certo é que já conseguiu impor a sua liderança perante o grupo, que tudo faz para absorver rapidamente as suas ideias. Palavra do capitão Herrera: "Temos de trabalhar muito bem nestes dias para agarrar o que o treinador quer."

Um motivador desde sempre

No decorrer da partida também não faltaram os incentivos de Nuno aos seus jogadores, fosse com aplausos ou com palavras. Essa característica de motivador é, de resto, conhecida no treinador desde os seus tempos de jogador. "Sempre que passava por um mau momento era com o Nuno que ia falar, porque ele animava-me ao transmitir-me muita confiança. Passava-me uma mensagem forte assim como a todos os nossos colegas", contou o brasileiro Clayton a Record, ele que partilhou o balneário portista com o atual treinador, em 2002/03, temporada que culminou com a conquista da Taça UEFA, em Sevilha.

Com olho para as táticas

Na primeira parte do jogo com o Osnabrück, o treinador inovou ao apresentar um onze em 4x3x3 mas com dois pontas-de-lança. A dada altura da segunda parte, deu lugar aos criativos e montou o ataque com extremos e médios criativos. O técnico testa várias soluções táticas e essa aptidão também já é antiga. "Ele sempre foi muito inteligente em relação à forma como vê os jogos e as suas táticas. Passar de um grande atleta para um grande treinador era uma questão de tempo. O Nuno tem muita firmeza e creio que é a pessoa ideal para reerguer o FC Porto", acrescentou Clayton.

Por Nuno Barbosa. Kamen. Alemanha
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