Pinto da Costa e o insucesso de Nuno Espírito Santo: «Foi o célebre tempo dos padres»

Presidente analisa passagem pelo FC Porto do atual treinador do Tottenham

• Foto: José Moreira

O episódio desta sexta-feira de 'Ironias do Destino', no Porto Canal, levou Pinto da Costa ao ano de 2016, quando a equipa de futebol portista teve três treinadores: Julen Lopetegui, José Peseiro e Nuno Espírito Santo. O presidente do FC Porto elogiou o atual treinador do Tottenham e justificou, assim, a falta de títulos na sua passagem pelo FC Porto.

"Viria a revelar-se um bom treinador, identificava-se com o clube, tinha sido nosso atleta, mas infelizmente não teve sucesso, muito fruto do tempo que havia na altura em relação à arbitragem. Foi o célebre tempo dos padres, ficou assim conhecido pelos emails que trocavam e porque tratavam-se como padres. Dada essa situação, ele não teve sucesso e no final do contrato resolveu partir para Inglaterra", afirmou o presidente, já depois de ter comentado as saídas de Lopetegui e José Peseiro, que treinaram o FC Porto em 2015/16.

"O Lopetegui, ao fim de vários anos, não tinha conseguido qualquer título. Havia muita contestação e não havia empatia perfeita entre treinador, jogadores e público. Resolvemos interromper a sua permanência como treinador. Foi um período de transição e a nossa opção foi pelo José Peseiro, que até estava no estrageiro, mas infelizmente, para nós e para ele, não teve sucesso, embora tivesse marcado presença numa final da Taça de Portugal, que perdemos contra o Sp. Braga. Dado o insucesso da sua passagem, terminamos o acordo e veio o Nuno Espírito Santo", prosseguiu o presidente.

Sem sair da área técnica, Pinto da Costa falou sobre rescisões com treinadores, lembrando que nem todas foram más.

"Não rescindi com muitos. Houve treinadores que chegaram ao fim dos contratos e não renovámos. Agora, infelizmente rescindi com treinadores por bons motivos. Artur Jorge, José Mourinho e André Villas-Boas rescindiram os contratos, porque devido ao sucesso que tiveram no FC Porto apareceram grandes clubes, estrangeiros, que pagaram as cláusulas de rescisão e assim eles partiram. O Artur Jorge para o Matra Racing e, tanto o Mourinho como o Villas-Boas, para o Chelsea. Essas foram rescisões agradáveis", salientou o presidente, prosseguindo sobre outra menos boa.

"Por não ter havido aquele impacto positivo de relacionamento, lembro-me do [Víctor] Fernández, que não se enquadrou bem no espírito do FC Porto, sendo um excelente treinador. Ele venceu a Taça Intercontinental, tem o nome gravado a letras de ouro na nossa história e está no nosso museu. Depois, porque houve motivos disciplinares com alguma gravidade, com alguns jogadores, antes de um jogo que tínhamos com o Sp. Braga, ficou entre nós combinado que esses jogadores seriam suspensos. Para minha surpresa, na hora da convocatória para esse jogo, eles foram convocados, jogaram, mas não estavam em condições e perdemos o jogo. Fernández achou que tinha cometido um erro, pôs o lugar à disposição, eu aceitei e ele foi-se embora", contou o presidente, explicando, depois, que ficou com uma excelente relação de amizade com o técnico espanhol.

"Quando completei 25 anos de presidente, fizeram um jantar com festa e o Víctor Fernández veio com a sua mulher, de Espanha, ao jantar no Palácio da Bolsa. Esteve presente, numa prova de amizade e de que a passagem pelo FC Porto lhe dizia muito. Está na nossa história. Uma rescisão não é sinónimo de rotura. Essa foi uma prova inequívoca da compreensão dele de que a situação tinha-se tornado insustentável pela sua parte. Mas mantivemos uma boa relação. Tive esse prazer, sem contar, de o ver entrar pelo salão dentro, com a sua mulher, porque fez questão de vir participar nesse jantar de confraternização."

Por Nuno Barbosa
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