Rui Correia: «Tenho orgulho no que fiz pela conquista do ''penta''»

GUARDIÃO PORTISTA NÃO SE IMPRESSINA COM ESTATUTO DE BAÍA

Rui Correia: «Tenho orgulho no que fiz pela conquista do ''penta''»
Rui Correia: «Tenho orgulho no que fiz pela conquista do ''penta''»

AUGUSTO LEITE e PAULO ESTEVES, enviados especiais

Luanda -- O guarda-redes portista Rui Correia é o grande resistente da "assombração" da baliza, o maior "drama" das Antas dos últimos anos; único sobrevivente das várias tentativas dos responsáveis portistas em afastar o "fantasma de Baía".

Tendo sido a primeira escolha para tentar fazer esquecer a partida de Vítor Baía para Barcelona, há três anos, Rui Correia, a despeito de o FC Porto ter alcançado o "tri" não "abafou" por completo a saudade nas Antas de um dos grandes pilares da dinâmica triunfal dos dragões no início da década. Sérias apostas em guarda-redes de nível internacional foram tentadas sem sucesso e Rui Correia acabou sempre por representar a "apólice de seguro" dos investimentos para a baliza, ganhando particular destaque o sucedido com a contratação do internacional jugoslavo Ivica Kralj, já esta época.

Apenas o regresso de Vítor Baía colocou termo à sua regularidade como titular, com a "atenuante" de o técnico Fernando Santos ter admitido em recente entrevista que "não foi por falhas de Rui Correia" que procedeu à troca na baliza.

Uma questão curiosa que dá o mote para o início da conversa com Rui Correia. Como analisa esta afirmação de Fernando Santos, dada sua complexidade teórica?

-- Essa afirmação do treinador significa que tenho motivos para me sentir como me sinto: de consciência tranquila a respeito do meu trabalho no FC Porto. Sempre dei o meu melhor e compreendo que a tarefa do técnico é pensar no melhor para a equipa. Essas decisões pertencem-lhe e aos jogadores resta cumprir. A verdade é que qualquer jogador do FC Porto, ou de qualquer outra grande equipa, sabe que está sujeito às leis da competição. Por isso, tem de estar preparado para tudo para jogar e para ser suplente ou não convocado.

-- Concorda então que, numa perspectiva do colectivo, Vítor Baía é de facto a melhor opção para a baliza da equipa?

-- Sei que o Vítor é um caso especial para o FC Porto. É único. Percebo muito bem essa questão e o caso volta ao mesmo: os jogadores sabem que estas coisas são mesmo assim, não podem jogar todos. O que deve importar ao grupo de trabalho é o objectivo final. O sucesso do nosso trabalho vem sempre em primeiro lugar e os resultados, através da conquista do "penta" estão aí como a garantia de que, com mais ou menos pormenores, o trabalho foi bem feito.

-- Está disposto, então, a acomodar-se com o "banco"?

-- Nem pensar nisso! O meu objectivo é jogar e ninguém me pode apontar o dedo. Ou seja, ninguém me pode acusar de não colocar o máximo empenho no meu trabalho. Dedico-me a 200 por cento às minhas obrigações e as pessoas que me acompanham sabem disso. Aliás, pela minha forma de estar no futebol, nem de outra maneira poderia ser. Cabe ao treinador decidir quem joga e, pela minha parte, estou disposto a não lhe facilitar a escolha.

-- Desde que veio para as Antas enfrentou sempre a questão de que seria ou não guarda-redes para o FC Porto. E a verdade é que o clube nunca interrompeu as apostas alternativas...

-- Isso não é problema meu é do clube. Limito-me a cumprir e estou satisfeito com o que tenho realizado. Confesso que essa questão me passa um pouco ao lado e nunca me preocupou. Repare que, nos últimos anos chegaram às Antas vários guarda-redes de nível internacional e que já partiram. Esta época forneceu mais um exemplo.

-- Um dos temas mais discutidos desta época no FC Porto foi a instabilidade da defesa que "morreu" com a chegada de Vítor Baía. Sentia de facto que a equipa, em termos defensivos, era intranquila e aceita a sua parte de responsabilidade nesta situação?

-- Nunca senti falta de confiança de ninguém. Do treinador, da equipa e dos sócios e esse é o meu ponto de honra. Aliás, o apoio dos sócios foi sempre um dos factores que mais senti a apreciei desde que cheguei. O resto acho que se explica com "futebol". Tem a ver com circunstâncias competitivas. E a estatística poderá ajudar a perceber um pouco isto que digo. Repare: fiz 11 jogos para o campeonato esta época e sofri oito golos. O Vítor cumpriu dezasseis e sofreu os mesmos. A diferença não é assim tão acentuada. Mas repito que compreendo que o futebol não é feito apenas de números e que o Vítor é especial (sem sarcasmo) nesta equipa. O importante para mim é que não tenho razões para duvidar do bom trabalho que realizei esta época, e note-se que na Liga dos Campeões apenas não joguei dois jogos.

-- Sente-se, portanto, um "contribuinte" muito válido para a equipa?

-- Sinto muito orgulho pelo contributo que dei para o "penta". Sinto-me campeão de corpo inteiro. Tenho muito honra em estar neste clube e orgulho-me do trabalho que realizei desde que cá cheguei e isso é uma coisa de que não abdico.

-- Na próxima época, dada a presença de Baía promete ser mais complicada em termos de utilização...

-- Não há volta a dar a essas questões. Partirão todos nas mesmas circunstâncias e cada um fará o melhor possível para conseguir os seus objectivos e quem ganhará com isso será a equipa. O importante é que possamos chegar ao fim da época e celebrar mais uma vez o êxito dos nossos objectivos.

"RELAÇÃO COM BAÍA É EXCELENTE"

Rui Correia e Baía já têm uma relação de amizade de muitos anos. Antes de se encontrarem nas Antas, os dois guarda-redes tinham “discutido" a titularidade na selecção nacional. E, garante Rui Correia, as circunstâncias profissionais não interferem em nada com os aspectos pessoais: "A relação que tenho com o Vítor é excelente. Aliás, ele próprio o confirmou numa recente entrevista que concedeu. Nada do que se passa em termos profissionais interfere na nossa amizade. Disputamos o lugar na mesma equipa e, como profissionais, ambos compreendemos essas leis. Nunca abordamos profundamente questões relacionadas com a ‘baliza’, em termos de titularidade. Mas, é evidente, que conversamos muito sobre outros aspectos. Saudei o seu regresso de Barcelona porque sabia os momentos difíceis que atravessava. O futebol português ficou mais rico com a sua vinda. Na próxima época tentarei levantar-lhe problemas porque, tal como ele, desejo ser titular. Será uma disputa sadia e à qual cada um dedicará o seu máximo. Desejo-lhe felicidades."

A recordação dos tempos de selecção lança o pertinente tema do longo afastamento de Rui Correia da equipa. Ao contrário, o assunto não se prolonga: "Não tenho nada que comentar sobre as escolhas do seleccionador. Como jogador e cidadão português desejo as maiores felicidades à equipa. Que consiga o apuramento para a fase final e depois... siga até onde for possível; quanto mais longe melhor."

"ESTOU BEM AQUI"

Ainda com mais dois anos de contrato com o FC Porto, Rui Correia foi recentemente dado como alvo da cobiça dos espanhóis do Real Santander. Uma mudança na carreira, nesta altura, atendendo à "sombra" de Vítor Baía, indicia, à partida, uma possibilidade aliciante, mas o guarda-redes contraria a ideia: "Estou muito bem aqui no FC Porto, obrigado! Não que desdenhe o Santander; merece-me o máximo respeito e sinto-me honrado, caso o interesse deles seja de facto real. Mas gosto de estar no FC Porto. É um clube estável e organizado, como já disse, com um dinâmica de vitória impressionante, e a crescer. Para já, o que penso em relação ao meu futuro é que não me importaria de renovar com o FC Porto por mais quatro épocas."

Na próxima temporada as regras para a constituição do plantel mudaram em relação ao número de guarda-redes. No principal conjunto de jogadores só constarão dois guardiões. A situação não gera preocupação a Rui Correia:

"Os responsáveis é que têm de decidir o que é melhor para a equipa. Não vejo problemas nenhuns nessa situação. Normalmente, dois guarda-redes são suficientes para uma época e, em caso de extremo azar, a equipa pode sempre socorrer-se do Taborda na equipa B. Ou, se quisermos admitir uma situação mais extrema, pode sempre fazer regressar um dos que possa ter emprestado ou contratar outro."

"HÁ CONDIÇÕES PARA CONTINUAR A VENCER"

À medida que se acumulam os títulos vai aumentando a responsabilidade do FC Porto. Mas, em directa proporção, mercê do aumento do esforço dos candidatos a interromper a carreira vitoriosa dos portistas, deverão também aumentar as dificuldades.

Rui Correia concorda com esta ideia mas assegura que será preciso um esforço muito grande para evitar a revalidação do título pelos dragões:

"Todos no FC Porto têm consciência que a cada ano será mais difícil vencer. Os outros candidatos querem naturalmente interromper esta hegemonia da nossa equipa e a cada ano redobram os esforços para o concretizarem. Só que, dada a vantagem organizativa do FC Porto, acredito que será muito difícil que isso aconteça. A nossa equipa tem condições para continuar a vencer. Mesmo admitindo que poderão sair um ou dois jogadores influentes no conjunto, os responsáveis já mostraram que querem e têm capacidade para repor a riqueza do plantel."

Quase no termo da época, Zahovic afirmou que a equipa não rende tudo o que pode porque os adversários não o "exigem", mas o guarda-redes não subscreve esta ideia, apresentando argumentos objectivos: "Essa ideia é a que transparece por causa clara da vantagem pontual com quase sempre o FC Porto termina o campeonato e ainda por algumas goleadas ou até pelo claro domínio em alguns jogos. Mas um facto incontornável é que para se chegar às goleadas é preciso marcar o primeiro e nem sempre é fácil. Concordo que o FC Porto tem indiscutivelmente a melhor equipa do campeonato, mas não nos podemos esquecer que esta época a questão do título aguentou-se até à penúltima jornada. Para a próxima época os outros concorrentes reforçar-se-ão e apenas depois de o campeonato ‘assentar’ é que se pode ter uma ideia mais concreta do que vale cada candidato. É bom não esquecer que, se tudo correr como esperamos, teremos muitos jogos na próxima época dado o novo modelo competitivo da Liga dos Campeões. Como acreditamos numa boa carreira sabemos que será uma época de grande desgaste."

Concretizando o que significa "uma boa carreira", o guardião aponta para bem mais longe do que foi conseguido esta época: "É essencial passar a primeira fase de apuramento. Na segunda o nosso objectivo é estarmos presentes na luta pela qualificação para os quartos-de-final. Isto porque, a partir dessa fase tudo pode acontecer. É a eliminar e as ‘chances’ são, à partida, iguais."

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