Bruno de Carvalho: «Não é o que diz o presidente A ou B que traz violência»

Dirigente do Sporting considera que não são as multas que vão resolver o atual momento do futebol português

• Foto: Paulo Calado
O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, que participa esta terça-feira na Conferência 'A violência no desporto' da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, na Assembleia da República, considera que se está a confundir "o que é uma maior intervenção com casos que estão a ser investigados pela polícia".

"Estamos mais focados no acessório e nas consequências do que na causa das coisas. Se fosse presidente da Liga uma coisa que proporia era que durante duas semanas os presidente dos clubes não falassem", disse o líder leonino, salientando que "não é o que diz o presidente A ou B que traz violência".

Do populismo às emoções... da condução

Bruno de Carvalho abordou ainda os pactos entre os clubes. "Ouvi falar que há que conciliar interesses no futebol e fico feliz por o ouvir. É engraçado que não vejo um pacto entre os partidos para chegarmos a coisas tão essenciais como os hospitais, mas os clubes têm de fazer um pacto entre si, o que os partidos não conseguem, e isso sim lesa o bolso dos portugueses. Ouvi também falar em populismo e isso é um fenómeno que cruza o desporto e a política", afirmou.

E prosseguiu: "Quando falamos que no desporto as pessoas se transfiguram porque é algo que leva a muitas emoções, gostava de perguntar se a condução também não leva a emoções. Portugal atravessa uma crise de valores sociais tão graves que estamos sempre a falar nas consequências e não nas causas. Quando se diz que na FPF se tem atuado muito e que se vê pelas multas recebidas, acho que não tem validade matemática nem substantiva. Não é pelo aumento de multas que chegamos a algum lado".

"Se queremos tornar a juventude com mais valores temos de começar a ensinar coisas como o que foi de facto o 25 de Abril e os erros do 26, o que é liberdade e libertinagem, o que é ter respeito pelos pais e não ter respeito pelo conceito de família. Aqui pouco ouvi falar dos clubes. Quero só lembrar todos que mais importante que os jogadores ou os treinadores se não houver clubes vocês não se sentam aí, estão aqui a ouvir falar de qualquer coisa que não desporto".

"Apontam muito o dedo aos clubes. Os clubes estão a ser o único garante que o futebol ainda tenha adeptos, as pessoas estão cada vez mais agarradas aos clubes e menos agarradas ao fenómeno desportivo. Aí, a culpa não está no lado de cá, mas daí de quem legisla".

"No momento crucial do futebol português, em que estão a decorrer investigações e fazem-se conferências, devíamos deixar a justiça atuar com calma. Esses programas trazem lixo tóxico. "Não é o que diz o presidente A ou B que traz violência".
Por Cláudia Marques
112
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Sporting

Notícias

Notícias Mais Vistas