Bas Dost relata terror: «Estava na cama a temer pela vida, com dores e em choque»

Julgamento do ataque à Academia decorre no Tribunal de Monsanto

O julgamento continua na sexta-feira, dia 14, com mais uma sessão: Sousa Cintra, arrolado pelos arguidos de Aníbal Pinto, será ouvido da parte da manhã, enquanto à tarde são as testemunhas de Bruno de Carvalho, incluindo Alexandre Godinho (ex-vogal CD) e os atletas Carlos Carneiro (andebol) e Miguel Maia (voleibol). Já os hoquistas Ângelo Girão e João Pinto adiaram os depoimentos devido a compromissos profissionais.

15h29 - A audição a Bas Dost é dada por terminada.

15h26 - Perguntam a Bas Dost como se sentiu a regressar à Academia? "O primeiro dia foi muito duro. O primeiro dia foi muito duro. Precisei de algumas semanas para me habituar." "Antes de voltar falei com Sousa Cintra, ele fez-me sentir bem sobre o seu regresso", diz quando questionado se teve mede que a situação se repetisse. "Sinceramente após alguns jogos não me sentia bem, Varandas depois prometeu-me que nada acontecia e não aconteceu. Ganhámos as taças mas as celebrações já não foram a mesma coisa", recorda. 

15h23 - Perguntam a Bas Dost se tem ideia da altura dos agressores. "Tenho um 1,96 m, o primeiro era grande e o que me bateu um pouco mais baixo. Era forte", diz. 

15h20 - Depois das perguntas sobre Varandas agora é se se lembra de ver Bruno de Carvalho na Academia naquele dia. "Uma hora depois do ataque ele entrou", afirma Bas Dost. "Ele estava furioso por não perceber como era possível terem entrado no balneário. Perguntei-lhe, em inglês, como era possível e ele disse que não sabia. Voltei a gritar como é possível e sai.

15h15 - 'Lembra-se do nome do médico que estava com o enfermeiro que o suturou?', questionam. Bas Dost diz que era um médico mais velho. 'Nesse dia viu Frederico Varandas?', perguntam agora: "Mais tarde ele disse que queria ir a minha casa ver a ferida", responde o jogador, que questionado: 'lembra-se quem o fotografou?' "Nao fazia nada, estava na cama a temer pela vida, com dores e em choque", responde. 

15h06 - 'Que impactos teve na sua vida?', questiona um dos advogado, ao qual a juíza lembra que o jogador já respondeu que teve medo de ficar sozinho. O advogado insiste e pergunta em relação a hoje em dia. O futebolista afirma que "recordar não é bom". "Não tenho tanto medo como no primeiro mês, não posso dizer que tenho medo. Falei com terapeutas especialiados em trauma", refere, sendo então questionado se teve terapia: "Tive apoio e disseram-me que saísse do país; fui de férias, foi horrível pois não sabia o futuro. A minha mulher estava grávida e queria ter o bebé em Lisboa. Fui com o meu agente para a Áustria e tive terapia. Nesse período pensei em muita coisa. As pessoas aconselharam-me a não ser medicado, só valia a pena se não dormisse e isso não aconteceu."  

15h00 - Questionado onde foi pontapeado, o futebolista holandês aponta para o torso, pernas e cara.

14h58 - Agora é a vez das questões dos advogados. Bas Dost é questionado sobre se algum dos arguidos o tentou ajudar. O jogador diz que "não". Questionado se viu mais alguém a entrar, o futebolista diz que a porta estava aberta e muita gente entrou, 20/30 pessoas a gritar. E que quando o viram a sangrar ele foi afastado. Bas Dost refere que estavam todos mascarados. 

14h55 - 'O que o levou a pensar em falar com eles?', questiona a juíza. "Sou holandês e lá é possível resolver os problemas a falar". Bas Dost refere que como jogador sentiu que tinha a responsabilidade de falar. Lembra que os adeptos estavam descontentes após a derrota com o Marítimo mas pensou que seria possível falar sobre o assunto.

14h52 - Questionado se temeu pela sua vida, Bas Dost é claro: "Sim claro, foi um dia horrível, passados meses comecei a falar com pessoas mas tinha medo. Tive segurança pessoal, para minha família não houve problemas, mas para mim foi diferente, nem ao supermercado queria ir sozinho", admite.

14h49 - A juíza pergunta quanto tempo o jogador teve a ferida, e ele responde que ainda tem a cicatriz, considerando que o enfermeiro fez um trabalho bom apesar do stress.

14h47 - Questionado sobre ameaças, Bas Dost afirma que não existiram e que a primeira pessoa que passou por ele até foi simpática.

14h45 - A juíza pergunta se foi possível aperceber-se de mais alguma coisa. Bas Dost diz que só viu os primeiros cinco a ir para o balneário: "depois fui agredido", refere. "Eles entraram a gritar, o meu português não é o melhor, percebi algumas palavras em calão."

14h39 - A juíza pergunta a Bas Dost se chegou a falar com os indivíduos. O antigo avançado do Sporting diz que não, mas que teve essa intenção: "Os primeiros cinco passaram por mim muito rápido." Questionado sobre se se recorda de alguma característica física do agressor, Bas Dost diz que não, só se lembra que estavam vestidos de negro." O futebolista holandês diz que não viu mais ninguém pois era o único jogador no corredor. "Depois falei com alguns companheiros, eles talvez tivessem reconhecido. Eu não os conhecia."

14h37 - A juíza pergunta se a porta no corredor estava aberta, mas o jogador não percebe a que porta a juíza se refere. Bas Dost diz também não se lembrar que o alarme estava a tocar.

14h27 - "Estava sozinho e fiquei com medo, até que um se voltou para mim, não vi o que tinha na mão, e atingiu-me na cabeça; caí para o chão e o indivíduo que me agrediu deu-me pontapés e disse a outro que fizesse o mesmo. Fiquei no chão inconsciente 5 minutos. O João Rolin [secretário técnico] veio para me ajudar e deu pontapés à pessoa que me agredia. Levantou-me, ele é muito forte, e afastou-me do corredor. Tinha muito sangue na cabeça, ele levou-me para outro sítio e disse-me que tinha de voltar para ajudar os outros. Nesse momento ate fui egoísta e disse que não me deixasse. Ele levou-me para outra sala onde estava o enfermeiro Mota e um médico que me assistiram. Foi tudo muito rápido, 5 minutos, quando os meus colegas entraram perguntei se já tinham ido embora e disseram-me que sim", relata Bas Dost.

14h25 - O antigo avançado do Sporting continua a descrever o que viveu: "Os jogadores estavam a entrar no balneário, estávamos preparados para o treino e não compreendi porque o Vasco Fernandes nos mandou para o balneário. Eu não voltei, fiquei no corredor, e a porta abriu-se e entrou um homem com máscaras."

14h22 - Bas Dost confirma que no dia 15 de maio de 2018 estava na Academia e durante o ataque foi ao ginásio quando começaram a ver muita gente. "Fomos para o balneário e nesse momento entrou muita gente. Eu estava no corredor quando entraram os primeiros indivíduos. Como já era jogador do Sporting há algum tempo perguntei o que estavam ali a fazer", conta. 

14h20 - O holandês queixa-se do som via skype, refere ter dificuldades em ouvir as questões. É lhe perguntado se, além de Bruno de Carvalho, conhece mais algum arguido. Bas Dost responde que "não". 

14h17 - Já recomeçou a sessão, com Bas Dost a identificar-se como jogador do Sporting durante 3 anos. 

14h10 - Presente no Tribunal de Monsanto está o agente de Bas Dost, Gunther Nehaus. O antigo jogador do Sporting será ouvido esta tarde por skype.  

Bas Dost é ouvido da parte da tarde. O ex-jogador do Sporting e dos que sofreu mais agressões durante o ataque à Academia de Alcochete fará o seu depoimento a partir das 14 horas. 

12h00 - O arguido é dispensado.

11h51 - Já na fase de perguntas dos advogado, Tiago Neves diz que tirou a balaclava quando chegou ao carro. Mostram uma foto da mesma que ele identifica. 

É lhe perguntado se houve agressões a Paulinho, a resposta é que "isso nem lhe passou pela cabeça".

11h42 - Estão a ser lidas mensagens do arguido: "Amanhã é para bater", foi uma das mensagens lidas e confirmado pelo próprio que escreveu mas reitera que não tinha esse desejo e que disse no caminho "ninguém bate". 

11h35 - Tiago Neves afirma que estava a tirar o curso de treinador e que já se tentou colocar no lugar dos jogadores. Volta a referir que achava que era tudo conversa, que estava a falar por falar

11h26 - O arguido diz que acha tudo "condenável", que não se revê nisso e que quer dar uma volta a sua vida. Confessa-se envergonhado por ele e pela família e que não sabia as dimensões que Alcochete ia tomar. Justifica que o seu vício eram as claques e o Sporting.

11h20 - Tiago Neves diz que compreende que possa ser estranho ter ido lá e não agredir ninguém, mas que "bloqueou" quando viu o Bas Dost caído. A procuradora insiste que nas mensagens foi dos mais ativos.

11h16 - O arguido afirma ter visto alguns empurrões mas com o fumo não viu agressões nem sequer falou com os jogadores. Lembra-se de ouvir alguém dizer "isto descambou" e começaram a sair, voltou a ver Manuel Fernandes. Depois viu o Jorge Jesus a falar com alguns arguidos no jardim. Tiago Neves diz que continuou, saiu, chegou ao carro e que tentaram afastar-se. Volta a dizer que só queriam assustar.

11h09 - Tiago Neves diz que viu o William a falar com um dos arguidos; que estavam mais pessoas atrás, possivelmente 20, mais os jogadores que estavam junto aos cacifos equipados; que o Rafael Leão que até se riu - A procuradora lembra que o riso pode ser um sinal de medo.

11h05 - O arguido lembra-se de ver Manuel Fernandes que lhe disse que o Sporting "não é isto". Diz que entraram no balneário porque era a única porta aberta, as outras salas estavam fechadas ou vazias. Não se recorda se passou por mais alguém.

11h02 - Tiago Neves diz que não se recorda de ninguém fardado, só de ser abordado por Ricardo Gonçalves que os acompanhou e que estaria a falar com alguém. Volta a dizer que acendeu a tocha ainda cá fora, que não queria entrar com ela no balneário.

10h59 - Questionado sobre quem organizou, o arguido diz que em conversas com outras pessoas mostrou vontade de ir à Academia, pois tinha perdido o telemóvel. Diz que se juntaram em Lisboa num restaurante por volta das 14/15 horas e foram para o Lidl, depois de ter sido apanhado em casa. Lembra que estacionaram a 300 metros da porta da Academia, andaram antes de começar a correr e que o fez porque os outros começaram.

10h56 - Tiago Neves diz que não é inocente e confirma que participou "naquilo tudo".

10h49 - A juíza rejeita que tenham lá ido falar pois os jogadores disseram que entraram bateram e saíram. Tiago Neves reconhece que ninguém falou, volta a dizer-se arrependido e reconhece que "os jogadores são as vítimas". Faz um pedido de desculpas pelo erro a todos os envolvidos e ao clube.

10h42 - A juíza pergunta-lhe o que queria alcançar pelo medo e o arguido refere: "na altura pensei que os jogadores não estavam a dar o máximo por problemas com a direção ou com o treinador." A juíza lê as frases do grupo 'Deus perdoa a Juve Leo não' e repete a pergunta o que pensava conseguir.

10h39 - Tiago Neves volta a dizer-se "arrependido", diz que já foi da Juve Leo mas já não era. que Começou a ir muito cedo ao estádio na bancada sul.  

10h31 - A juíza diz que quando leu as mensagens ficou com a impressão que a mensagem era para não bater nos jornalistas. Tiago Neves é confrontado com várias mensagens com instruções no grupo WhatsApp. A juíza diz que quando viu as imagens pensou que havia um sentimento de impunidade e pergunta se achavam que nada ia conseguir. O arguido reconhece que foi "uma grande inconsciência', que só queria "dar um aperto". Diz que pensava que iam falar com os jogadores no campo.

10h25 - Tiago Neves diz que não bateu ou ameaçou alguém. A juíza confronta a testemunha com mensagens de violência e este volta a dizer que "eram mais palhaçada e dito da boca para fora". Em tom repreensivo, a juíza diz que não é brincadeira.

10h19 - O arguido refere que não é 'casual' mas que anda com vários amigos 'casuals'. Tiago Neves diz que é adepto sem ser filiado. Diz que não vai aos jogos com símbolos, mas que foi identificado como 'casual'. No WhatsApp é conhecido como Neves 1906. Confirma que tem vários amigos na Juve Leo e diz que nunca ia à Academia sozinho, apesar de ter escrito isso. Diz que muitas mensagens "eram brincadeira".

10h16 - Tiago Neves diz que ficou estupefacto, que nunca teve a intenção de agredir ninguém, só queria justificações dos jogadores. "Só queria assustá-los e dizer que deviam ter dado mais quando falharam a Liga dos Campeões no jogo com o Marítimo".

10h12 - O arguido refere que viu o Bas Dost caído, a levantar-se com a ajuda de um elemento, mas não notou a marca na cabeça. Tiago Neves diz que depois entrou "no balneário onde havia fumo e muita confusão...murros e confusão". Diz que ficou na zona da porta, pois estava já muita gente. Não disse nada mas ouviu ofensas: 'filhos da p*** joguem a bola'.

10h10 - Tiago Neves diz que já tinha estado na Academia a ver jogos e tinha feito um estágio na formação pelo que já conhecia as instalações. Refere que foi direito ao campo 3, não havia jogadores. Confirma também que acendeu a tocha no exterior do edifício e que depois entrou para a ala do futebol profissional onde a porta estava aberta. O arguido refere que procurou os jogadores em várias portas até chegar ao balneário.

10h06 - O arguido confirma que o "encontro foi no parque do Lidl" e daí foram para a Academia. Refere que tapou a cara no caminho para a Academia, onde entrou em passo de corrida, e que já lá dentro lhe passaram uma tocha.

10h03 - Questionado pela juíza sobre quem o acompanhou na Academia, Tiago Neves diz que não vai falar de mais ninguém.

10h00 - Tiago Neves diz-se "arrependido". Confirma que foi balneário mas que não agrediu ninguém. O arguido refere que foi "porque estava revoltado com os resultados da equipa".

9h51 - Já começou a sessão desta quarta-feira. Tiago Neves é o primeiro encapuzado que estava identificado no grupo de WhatsApp a falar.

Após várias tentativas e adiamentos por motivos de doença, Bas Dost parece estar finalmente disponível para prestar depoimento hoje, pelas 14 horas, na 29.ª sessão do julgamento da invasão à Academia. A versão dos acontecimentos do holandês, recorde-se, é importante no âmbito do processo e do caso específico do arguido Rúben Marques, que, de acordo com a acusação e as imagens de videovigilância, agrediu o avançado na cabeça com um cinto.

Esta manhã será ouvido o segundo arguido, Tiago Neves, após o testemunho de Bruno Jacinto, logo no arranque do julgamento. E depois falarão testemunhas abonatórias arroladas por este arguido.

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