Madeira Rodrigues: «Fomos os únicos com coragem de mostrar que havia alternativa»

Artigo de opinião do ex-candidato à presidência do Sporting, um ano após as eleições

• Foto: Vítor Chi

No dia em que se assinala um ano sobre o último ato eleitoral no Sporting, publicamos na íntegra o artigo de opinião que recebemos este domingo de Pedro Madeira Rodrigues, candidato derrotado por Bruno de Carvalho a 4 de março de 2017 (9,49% dos votos contra 86,13% do presidente reeleito).


"As eleições mais concorridas de sempre do Sporting decorreram há precisamente um ano. É com um orgulho cada vez maior que olho para trás e vejo como a minha equipa e eu fomos os únicos com a coragem de mostrar que havia alternativa a este caminho que está a descaracterizar o Sporting e sem sequer o tornar mais ganhador. Ao mesmo tempo fica um sabor cada vez mais amargo de não termos tido tempo e capacidade para nos darmos a conhecer e conseguido dar mais luta ao rolo compressor do populismo e da, na altura, quase endeusada dupla Carvalho/Jesus. Combater muita mentira e demagogia era sempre difícil e a máquina propagandista estava muito bem montada. Apesar de tudo, nomeadamente no debate, ficaram claras as diferenças de projetos e de personalidades.

Tivemos entre as eleições e hoje mais um ano de várias vergonhas protagonizadas por Bruno de Carvalho a começar logo no dia das eleições com aquela sessão de fotografias tipo Mickey na Disneylândia, o não atender o meu telefonema nem responder à minha mensagem de parabéns (na verdade, não se pode esperar de quem está habituado a ser um perdedor nato que saiba o comportamento a ter quando ganha) e um discurso onde veio ao de cima a sua já conhecida faceta brejeira (e estou a ser cuidadoso para não me levantarem um processo disciplinar agora que foi instalada uma espécie de ditadura).

Desportivamente, seguiu-se mais um ano marcado por uma revolução no plantel (já sabemos quem beneficia com mais comissões) e mais investimentos milionários numa equipa montada apenas para o presente que praticamente descartou a formação .... que até foi quem permitiu que houvesse dinheiro para este desvario. Carvalho queixa-se muito do Sporting que herdou mas o que lhe tem valido para fazer esta cada vez mais evidente ruinosa política desportiva são os miúdos que já cá estavam como Bruma, Illori, Arias, Salomão, Cedric, João Mario, Dier, Adrien, Esgaio, Rúben Semedo, Tobias Figueiredo, Wilson Eduardo, etc. Slimani é a exceção que confirma a regra. E não me venham com a conversa dos grandes negócios que fizemos porque o futebol mudou muito nos últimos anos e a inflação disparou ao nível dos passes de jogadores. William Carvalho, Gelson Martins (desculpem mas não lhe consigo perdoar tão facilmente o que ele fez mas se calhar é também por se ter deixado facilmente instrumentalizar nas últimas eleições) e Rui Patrício preparam-se para ser os próximos da formação pré-Carvalho a sair sem serem campeões. 

O facto é que esta época, pela primeira vez em muitos anos, acabámos um jogo contra o Benfica com menos elementos da formação do que eles e o mesmo aconteceu no início deste jogo com o FC Porto e os resultados ficaram aquém do prometido. Invariavelmente, lá aparecemos com as desculpas de sempre (na verdade, não tenho qualquer dúvida que aquele lance sobre o Doumbia seria sempre penálti na nossa área) a tentar disfarçar culpas próprias. 

É bom que não fique sem registo mais este compromisso falhado por Carvalho, que nos prometeu o campeonato na última gala do Sporting. Ao menos que consigamos fazer no mínimo o que Marco Silva fez recentemente na Taça e possamos ir longe na Liga Europa. É o que todos esperamos. Ser os sucessores do Moreirense na ‘Taça Lucílio Baptista’ é muito muito pouco.

Ao nível das modalidades aí estamos aparentemente em condições de ter resultados mais condizentes com os investimentos feitos mas o exemplo do voleibol mostra bem que o que basta aqui é apenas o dinheiro e não há grande segredo ou necessidade de uma política desportiva bem planeada e executada.  

Este ano foi ainda marcado por vários episódios menos edificantes, protagonizados pelo mesmo ‘artista de circo’, desde o anúncio do filho no intervalo do jogo, a promoção de uma familiar, os negócios obscuros por explicar, a subserviência em relação ao FC Porto, a publicação da lista dos ‘Sportingados’, etc, etc, e que teve o seu momento mais alto na realização de uma dupla Assembleia Geral que apenas conseguiu ajudar a desestabilizar a equipa, dividir os sportinguistas e arranjar ainda mais inimigos externos. Tudo só para Bruno de Carvalho massajar o seu ego, tentar perpetuar-se no poder e fugir às prometidas eleições caso não fossemos campeões.

E agora? Em minha opinião os mesmos que conseguiram segurar Jesus no ano passado e evitar na altura a contratação de Pedro Martins já não o conseguirão fazer este ano, senão rapidamente seria o próprio Carvalho a cair e isso não poderia acontecer. Assim, na incapacidade de algum treinador com prestígio aceitar trabalhar com Bruno de Carvalho lá teremos uma promessa a ter que lidar com o desestabilizador-mor que, como dissemos há um ano, trouxe coisas positivas ao nosso clube mas é cada vez mais um ativo tóxico para o nosso clube e para o desporto em geral.

Queria acabar por voltar a agradecer publicamente a todos os que fizeram comigo aquela caminhada no ano passado e ainda a todos os que votaram na nossa lista. Não é grande consolo termos tido razão antes do tempo mas é reconfortante poder viver estes tempos difíceis de cabeça erguida e, na altura mais difícil, ter lutado pelos valores históricos do Sporting que, apesar de tudo, ainda acabarão por prevalecer.

Viva o Sporting! 

Pedro Madeira Rodrigues"

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