Miguel Braga: «No Sporting há uma espécie de voto profético»

Responsável pela comunicação do clube diz que “há um grupo que por uma questão de fé absolutista vota sempre da mesma forma”

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Assobios a Varandas na AG do Sporting
A 30 de setembro, em assembleia geral do clube, os sócios do Sporting chumbaram os relatórios e contas das duas últimas épocas e o orçamento para a presente temporada. Frederico Varandas responsabilizou a "minoria de bloqueio" pelo voto contra e pediu nova assembleia geral, para o próximo dia 23, apelando à mobilização de todos os associados e deixando claro que saberá analisar os resultados da referida AG, cuja convocatória terá de ser conhecida esta semana. "Para esta direção é importante ouvir, analisar a adesão e os resultados desta AG. Que os sócios saibam cuidar do clube", disse Varandas, a 1 de outubro.

O responsável de comunicação do Sporting considera que "o que está em causa é a reputação do próprio clube e da SAD" perante os bancos e restantes parceiros, no fundo "se existe, ou não, um sentido de responsabilidade dos sócios do Sporting quando votam." "O voto político é uma coisa, o voto para o normal funcionamento da instituição é outra completamente diferente. Seria saudável se conseguíssemos separar as coisas", afirmou esta segunda-feira Miguel Braga, no programa Raio-X, da Sporting TV, antes de atacar a mencionada minoria de bloqueio. "No caso concreto do nosso clube, temos de perceber que há uma espécie de voto profético. Há um grupo que, por uma questão de fé, uma fé bastante absolutista, vota sempre da mesma forma, seja o clube campeão nacional de futebol, ganhe no futsal, ganhe a Liga dos Campeões no futsal, ganhe as Continentais no hóquei, tenha dezenas e dezenas de vitórias desportivas nesse ano... Parece que, independentemente dos títulos e do sucesso desportivo do clube, vão votar sempre contra. Está tudo certo, se não estivesse profundamente errado pela sua natureza, porque, como digo, o bom funcionamento do clube, o bom nome do Sporting, acabam por estar um pouco em causa perante esta incapacidade de gerirmos o nosso próprio sucesso", alertou.

E prosseguiu, denunciando até um facto caricato: segundo Miguel Braga, o orçamento rejeitado em AG previa gastos inferiores à gestão em duodécimos, a que o clube ficou obrigado por esse mesmo chumbo.

"Construir uma reputação é muito difícil. Destruí-la pode demorar um minuto. Nós temos de perceber que, do outro lado da mesa, as pessoas devem estar a pensar: ‘Então, estes tipos ganham tudo e não se conseguem entender?’ E isto não é bom para o Sporting. Nós vamos ter eleições em março ou abril do próximo ano. Todos os sócios serão chamados, aí sim, para votarem em quem querem à frente do clube. Do que estamos a falar agora é de um voto praticamente técnico, de documentos auditados, de orçamentos competitivos e menores do que aquele que acabamos por estar a governar em duodécimos. Isto é tudo complicado mas devíamos simplificar e perceber que o que está aqui em causa não é um ato eleitoral, não é uma moção de censura, nem uma moção de confiança: são três documentos, dois relatórios e contas e um orçamento", resume.

A propósito das dúvidas suscitadas pelo facto de a Comissão de Acionistas da Sporting SAD ter proposto o aumento do tecto salarial para os seus administradores executivos, tendo os mesmos rejeitado qualquer aumento, Miguel Braga entende que os sportinguistas "deviam pensar um pouco" sobre o tema. "Nós temos uma administração que gastou menos dinheiro e ganhou mais títulos. E estamos nesta luta porquê? Qual é o objetivo? A não ser que seja um objetivo, diria eu, de os outros dois rivais, de alguma maneira, estarem a atacar-nos numa fase em que as coisas não estão a correr tão bem para eles", sugeriu o responsável de comunicação dos leões.
Por Vítor Almeida Gonçalves
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