Octávio Machado já disse das boas de Bruno de Carvalho

Amigo de Jorge Jesus nunca se furta a uma boa polémica

Octávio Machado já disse das boas de Bruno de Carvalho
Octávio Machado já disse das boas de Bruno de Carvalho • Foto: miguel barreira

Octávio Machado deixou de ter funções no futebol em 2002, quando foi substituído por José Mourinho no comando técnico do FC Porto. A partir daí não mais treinou, mas "andou sempre por aí" e a sua voz livre nunca deixou de se ouvir fosse qual fosse o assunto. Regressa agora surpreendentemente ao Sporting, para trabalhar com o seu amigo Jorge Jesus e enfrentar Bruno de Carvalho, sobre quem não há muito tempo fez afirmações duras.

"Revelou desconhecimento total do futebol português, das condições da sua equipa e das aquisições que fez e cuja responsabilidade assumiu" (16/12/2014)

A crítica de Octávio Machado ao presidente do Sporting foi feita por este ter assumido que a equipa era candidata a ser campeã, em concorrência direta com Benfica e FC Porto. Mais tarde, a propósito da situação de impasse à volta de Marco Silva, Bruno de Carvalho voltou a estar na sua mira. E os termos usados voltaram a não ser meigos.

"Tem tanto tempo para tantos eventos e não para aquilo que deveria ser essencial. Ou é intelectualmente pouco sério, ou a continuidade de Marco Silva não vai ser uma realidade" (1/5/2015)

Para chegar a Alvalade, Octávio Machado conta com uma ligação especial a Jorge Jesus, de quem foi companheiro de equipa no V. Setúbal, entre 1980 e 1983. 

"É um homem que subiu a pulso, que teve de ultrapassar muitos obstáculos para chegar onde está hoje, com mérito próprio. Não foi levado ao colo por ninguém. Trabalhou muito. Aliás, o Jesus enquadra-se num tempo de grande valorização dos treinadores portugueses" (21/5/2011)

Quando falou assim do atual treinador do Sporting, o nome de Octávio Machado estava a ser ligado ao Benfica, onde poderia ocupar um lugar na estrutura do futebol. O cenário não se concretizou, mas ficou visível o reconhecimento que tinha em relação a Jesus.

Franco atirador

A carreira de Octávio Machado enquanto treinador principal teve três capítulos: Salgueiros (1983/84), Sporting (1995-1998) e FC Porto (2001/2002. Ganhou duas vezes a Supertaça. Mas foi enquanto técnico adjunto, agregador, garante da união dos plantéis, que se distinguiu, tendo trabalhado sucessivamente com Artur Jorge, Tomislav Ivic e Carlos Alberto Silva, no FC Porto (1984-1992); e o belga Robert Waseige, no Sporting (1996/97).

"Eu sempre assumi a defesa dos meus grupos de trabalho e não estou arrependido de o ter feito" (23/8/2008). A explicação sobre a forma como sempre se expos publicamente em termos contundentes foi dada em 2008, quando publicou o livro "Vocês sabem do que eu estou a falar", título que replica uma das suas mais famosas frases, ditas a propósito de temas polémicos em que o melhor fica por dizer.

No FC Porto, quando o clube trabalhava com Delane Vieira, Octávio Machado mostrou-se em desacordo com a crescente influência do parapsicólogo brasileiro junto do plantel e ambos chegaram mesmo a vias de facto. A Olivedesportos, então liderada pelos irmãos António e Joaquim Oliveira, também foi um dos seus alvos preferenciais, pelo poder que tinha no futebol português, através do financiamento dos clubes, aos quais comprava os direitos televisivos.

Em Alvalade, primeiro adjunto, depois treinador principal, Octávio Machado conquistou a admiração do então presidente do clube, José Roquette, que chegou a dizer que ambos se entendiam "por sinais de fumo". Mas também no Sporting Octávio não se furtou ao combate, "em defesa do grupo", tendo sido adversário do diretor desportivo, Norton de Matos, por julgar inconveniente a sua ação junto do plantel.

Em guerra com o Mundo

Até que chegou o dia 1 de Novembro de 1997, que marcou o fim do seu ciclo como treinador do Sporting. O empate consentido (1-1) frente ao Varzim foi o último motivo. No final do jogo, Octávio Machado, cujas substituições foram ruidosamente assobiadas pelo público, acusou os jornalistas de "ridículos" e "ignorantes", responsabilizando-os pelo "ambiente de intranquilidade" traduzido nos assobios constantes à equipa.

Na altura, chamou cabeçudo a um jornalista da TSF antes de declarar: "Gostava que alguns que comentaram este jogo tivessem a coragem de vir aqui falar comigo para não dizerem disparates aos microfones. Não lhes reconheço autoridade para me questionarem, o mundo deles é frágil, muitos já foram treinadores e não tiveram resultados. Umas vezes dizem que jogamos sem avançados, hoje jogámos com dois e criticam na mesma. Há 'yuppies' que não desistem e querem criar mau ambiente."

Octávio deixou o Sporting nessa noite e já não seguiu viagem para Leverkusen, onde a equipa, dirigida por Vital, perdeu frente ao Bayer Leverkusen (4-1), nas competições europeias.

Aos 66 anos, está de volta a Alvalade, agora como diretor-geral, numa manifestação de grande poder do seu amigo Jorge Jesus.

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