Retrato de um leão em cacos

Uma semana turbulenta no reino do leão

13 de maio Sporting perde com o Marítimo, na Madeira, por 2-1, e consequentemente cai para o 3º lugar e fica de fora da Liga dos Campeões da próxima época. A tensão entre jogadores e adeptos desde logo aumentou: Rui Patrício voltou costas às bancadas e Acuña e Battaglia ‘pegaram-se’ com elementos das claques leoninas.

14 de maio No rescaldo do desaire nos Barreiros, Bruno de Carvalho convoca reuniões de emergência, em Alvalade. Num primeiro momento com todo o plantel, depois, seguiram-se outros dois encontros, com equipa técnica e staff. Ao que Record apurou, o grupo de trabalho assumiu total compromisso pela Taça de Portugal, que seria jogada seis dias depois. No final, o presidente referiu que as reuniões foram "muito honestas e abertas".

15 de maio O dia mais negro da história do Sporting. Enquanto a equipa prepara-se para realizar o primeiro treino de preparação para o jogo com o Aves, um grupo de 50 vândalos invade a Academia, em Alcochete, e agride jogadores, treinadores e restante staff. Bas Dost foi um dos mais fustigados, tal como Acuña, Battaglia, Misic e Jorge Jesus. O ataque durou cerca de 15 minutos e a Polícia Judiciária detém 23 suspeitos. "As pessoas estão a transformar isto num caso desportivo, mas é um caso de polícia", frisou, então, Bruno de Carvalho.

16 de maio Apesar de afetados física e psicologicamente, o plantel reúne-se na manhã seguinte ao ataque e anuncia que estará presente na final do Jamor, com o Aves, no domingo. Por sua vez, o conselho diretivo do Sporting e comissão executiva da SAD solicitam ao presidente da mesa da Assembleia Geral, Jaime Marta Soares, a marcação de uma assembleia geral extraordinária, para ser analisada a "situação atual do clube". Ao mesmo tempo que a crise se adensava em Alvalade, o team manager André Geraldes foi interrogado no Tribunal de Instrução Criminal, no Porto, e indiciado por 18 crimes, após buscas feitas na SAD no âmbito da operação ‘Cashball’.

17 de maio À medida que Bruno de Carvalho perde cada vez mais apoios, o líder convoca uma conferência de imprensa ao final da tarde. Nela deixa clara a intenção de não se demitir, "a bem do clube". Após demissões de toda a mesa da Assembleia Geral, do Conselho Fiscal (exceto o membro Fernando Carvalho) e, no Conselho Diretivo, do ‘vice’ António Rebelo e dos vogais Jorge Sanches e Rita Matos, BdC corre o risco de ‘cair’ por falta de quórum. Por outro lado, o perigo de vários jogadores rescindirem os seus contratos, alegando falta de segurança, torna-se real.

18 de maio O vogal Bruno Mascarenhas também entrega a demissão e deixa o presidente por um fio. Neste sentido, mais uma ‘deserção’ e o Conselho Diretivo perde a sua maioria, o que nesse caso significaria a destituição automática. Enquanto isso, os jogadores recusam-se a voltar a treinar na Academia e preparam a final no Jamor com treinos individualizados em vários pontos do país.

19 de maio Bruno de Carvalho anuncia, em nova conferência de imprensa, que não estará presente no Jamor. Vinca, ainda, que o estalar de toda esta crise "saiu involuntariamente dos jogadores", referindo-se aos incidentes verificados na Madeira. Também a Juve Leo, através do seu líder Nuno Vieira (Mustafá), revela a instauração de um "processo interno para apurar responsabilidades" quanto ao ataque à Academia.

20 de maio O jogo com o Aves adensa o pesadelo dos leões. O Sporting sai derrotado do Jamor, por 2-1, e logo após o apito final vários jogadores mostram-se inconsoláveis. Entre eles, o capitão Rui Patrício, que chora compulsivamente no relvado. Coates, Mathieu, William, Bruno Fernandes, Palhinha e Rúben Ribeiro também não escondem as lágrimas. De imediato, Bruno de Carvalho regressa ao Facebook e pede "calma". "Frustração nunca poderá separar uma família", escreveu o presidente.

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