Pepa lembra desafio em Tondela que "só um louco aceitaria": «Não queria morrer com as minhas ideias»

Técnico conta como reagiu ao convite para treinar os beirões

• Foto: Lusa
Pepa recordou o convite para assumir os destinos do Tondela em 2016/17, quando os beirões figuravam, à data, no último lugar da classificação. O treinador português voltou a contar um episódio da carreira que o próprio nomeou 'Nunca Desistas dos Teus Sonhos' e deu conta da dificuldade que foi assegurar a permanência e que "só um louco aceitaria" o convite para assumir funções no Tondela.

"Depois do período de reflexão, durante o despedimento do Moreirense, refleti sobre a minha forma de gerir equipas. Sempre tive as ideias muito bem arrumadas. Mas não queria morrer com as minhas ideias, queria era viver com elas. Ao chegar a Tondela, entendi que o modelo táctico e as dinâmicas ofensivas e defensivas que aplicava nos outros clubes não serviam para o perfil dos jogadores que tinha em Tondela", explicou o agora treinador do V. Guimarães.

A verdade é que o Tondela assegurou a promoção na última ronda da Liga e com Pepa, em três temporadas, nunca desceu.

Leia a mensagem na íntegra:

"Estava em Torres Novas a festejar a passagem de ano, junto da família. Quando o telefone tocou. Era o presidente do Tondela, Gilberto Coimbra. Um convite para voltar a treinar. O comando do último classificado da Liga com 10 pontos, que ia jogar com Braga na Pedreira e Benfica na Luz, era meu e da minha equipa técnica. Só um louco aceitaria. Esse louco sou eu.

Depois do período de reflexão, durante o despedimento do Moreirense, reflecti sobre a minha forma de gerir equipas. Sempre tive as ideias muito bem arrumadas. Mas não queria morrer com as minhas ideias, queria era viver com elas. Ao chegar a Tondela, entendi que o modelo táctico e as dinâmicas ofensivas e defensivas que aplicava nos outros clubes não serviam para o perfil dos jogadores que tinha em Tondela. Senti que o que pedia aos jogadores criava-lhes mais dificuldades que benefícios e decidi alterar o modelo táctico para salvar a época e cumprir o objectivo maior: a manutenção. Tive que olhar mais para o potencial dos meus jogadores e mudei o sistema para 4-4-2 (com e sem bola) com duas linhas de quatro.

Depois começou a caminhada final ao estilo de Hollywood: na boca de toda a gente o Tondela já tinha descido. Quando entrei naquele balneário em janeiro estávamos em último lugar com 10 pontos. A meio da segunda volta continuávamos em último lugar e a quatro pontos da manuenção. Toda a gente nos dava como mortos. Mas não se devem enterrar os vivos. Restavam-nos seis batalhas. Vencemos cinco…

No último jogo e pela diferença de apenas um golo, conseguimos o milagre da manutenção ao vencer o Braga de Abel Ferreira por dois golos a zero. Após o apito final foi ver a explosão de alegria no estádio, no balneário, pela pequena cidade de Tondela onde sempre fui acarinhado pelas suas gentes. Já tinha estado como adjunto e depois confirmou-se tudo na experiência como treinador principal. Estrutura incrível com o Presidente Gilberto Coimbra e o Carlos Carneiro, adeptos sempre presentes e um plantel com muita raça, fé e crença.

Acreditar sempre até ao último segundo, Nunca Desistas dos Teus Sonhos. Continua nos próximos episódios…"


Por Flávio Miguel Silva
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