A angústia do Terceiro Anel só acabou com os «penalties»

FINAL DRAMÁTICO DE UMA ELIMINATÓRIA QUE PARECIA GANHA E ESTEVE QUASE PERDIDA

A angústia do Terceiro Anel só acabou com os «penalties»
A angústia do Terceiro Anel só acabou com os «penalties»

O FALHANÇO de Veloso (ou a defesa de Van Breukelen...) que roubou ao Benfica a Taça dos Campeões Europeus, em Estugarda-88, convertido em fantasma para o Terceiro Anel, voltou a pairar quinta-feira, na Luz. No entanto, desta feita, Robert Enke funcionou como exorcista e permitiu a extraordinária explosão de alegria com que os adeptos do Benfica celebraram a passagem à terceira eliminatória da Taça UEFA.

Manuel Bento, herói de uma vitória no desempate por grandes penalidades em Moscovo-76 (marcou e defendeu), já tem sucessor na Luz. Quinta-feira, Robert Enke, com duas soberbas paradas decidiu a sorte da contenda a favor das suas cores e entrou ainda mais no coração dos adeptos. Que até lhe perdoaram aquele segundo golo dos gregos, em que foi mal batido. Foi um momento inédito (nunca o Benfica fora sujeito a um desempate deste tipo, na Luz, para as competições europeias, embora o estádio fosse palco da final do Mundial de sub-20 de 1991, onde tudo se resolveu da marca de onze metros) na vida dos encarnados, que rumaram a casa a rir e cantar. Para o Benfica, na hora da euforia, tudo está bem quando acaba bem. Mas uma análise fria e racional do que aconteceu nesta eliminatória aconselha aos encarnados uma enorme prudência. A equipa de Jupp Heynckes atravessa um mau momento e os cinco pontos perdidos contra o Boavista e o Alverca não foram obra do acaso. O PAOK pode ter servido, para já, como elemento “moralizador”. Contudo, não foi por acaso que o Terceiro Anel roeu quinta-feira as unhas até aos cotovelos. As dificuldades foram imensas, o futebol praticado pelos donos da casa teve algumas fases de enorme indigência e o KO esteve à beira de acontecer. O Benfica segue em frente na Taça UEFA, tendo perdido os dois jogos que disputou na Luz. E esta, hein?

GOLO E REVIRAVOLTA

Vencido mas não convencido há quinze dias no Estádio Toumba, de Salonica, o PAOK apresentou-se em Lisboa pleno de atrevimento e bom futebol. Com um ataque onde o “brinca-na-areia” Sabry pôs a cabeça em água aos encarnados, os gregos tiveram um quarto de hora inicial de bom nível, que silenciou o entusiasmo do público afecto ao Benfica. Quando Kandaurov, aos 25 minutos, marcou um “golaço”, a vantagem encarnada não tinha tradução no jogo-jogado. Raramente a circulação de bola foi bem feita, o espaço entre os sectores era exagerado e o perigo não largava a baliza de Enke.

Não tardou a surgir o empate, de livre, numa posição semelhante à que deu o golo grego na primeira mão. Antes do intervalo, o um a dois, também de livre e do mesmo sítio. Parece mentira? Não o foi. Com uma curiosidade adicional: os três tentos gregos foram marcados por jogadores distintos: Fratzekos em Salonica, Marangos e Sabry, na Luz.

No segundo tempo, o PAOK voltou a entrar bem na partida. Sabry fazia gato-sapato de Andrade (nem Del Piero, nem Jardel o colocaram, alguma vez, perante semelhante provação) e aos 62 minutos só uma defesa brilhante de Enke evitou o um a três. Jupp Heynckes decidiu mexer na equipa aos 62 minutos, trocando o desinspiradíssimo Bruno Basto por Maniche. Mais tarde (72) foi a vez de Chano entrar e com o espanhol em campo o Benfica, finalmente, começou a ter algumas ideias. Não muitas, é certo, mas o suficiente para disciplinar jogo e manter em respeito um PAOK entretanto em nítida perda física. Ainda antes do fim do tempo regulamentar, El Khalej substituiu Andrade (muito cansado), o que favoreceu bastante os encarnados.

PROLONGAMENTO E "PENALTIES"

Para a meia hora suplementar o Benfica, sob a batuta de Chano, apresentou um futebol sofrível e podia ter marcado em duas ocasiões. O PAOK, sem Sabry (desde os 79 m), perdia profundidade atacante, a força não abundava e a turma de Heynckes vivia com algum desafogo. Mas longe de poder falar-se em massacre. A crónica de um desempate por grandes penalidades era anunciada pelo que se via em campo...

Na Luz, na década de sessenta, o Benfica já perdera por moeda ao ar (0-3 em Glasgow e 3-0 em Lisboa). No sortilégio das grandes penalidades assistia-se a uma estreia absoluta. Foi então que a angústia no momento do “penalty”, que afligia o Terceiro Anel, conheceu fim às mãos de Enke. O alemão acabou a partida como herói, levado em glória pelos colegas. Por uma vez, um guarda-redes ganhou um jogo. Haja Deus.

GRANDES PENALIDADES

-- 1-0 por RONALDO, com um remate rasteiro para a direita do guarda-redes

-- Frousa rematou rasteiro para a esquerda de Enke que mergulhou e defendeu

-- 2-0 por MANICHE, com um tiro a meia altura, para a esquerda de Covic

-- Marchairidis disparou a meia altura para a direita de Enke que voou e parou a bola

-- 3-0 por CHANO, com um remate a meia altura, para a esquerda de Covic

-- 3-1 por BANDOVIC, com um disparo por alto para a esquerda de Enke

-- 4-1 por PAULO MADEIRA, com um tiro alto para a direita do “keeper” grego.

JOSÉ MANUEL DELGADO

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