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A «maldição axadrezada» mostrou-se ao cair do pano

TRANSFORMAÇÃO DOS ARTISTAS EM OPERÁRIOS SÓ CHEGOU ATÉ AO RECUO DO BENFICA

A «maldição axadrezada» mostrou-se ao cair do pano
A «maldição axadrezada» mostrou-se ao cair do pano

O BENFICA quase terminava domingo com a “maldição axadrezada”, mas acabou por ceder o empate e, com ele, mais dois pontos em relação ao FC Porto e ao Sporting na luta pelo título. A equipa de Heynckes esteve a ganhar no Bessa até aos descontos, altura em que à raiva competitiva de Litos se somou uma desconcentração imperdoável na defesa encarnada. Tudo junto, originou o golo do empate, mantendo viva a série de jogos consecutivos do Benfica sem ganhar face aos axadrezados: com este já são oito desde a última vitória, a 30 de Março de 1996. Há quatro anos.

A noite de domingo parecia propícia ao fim desta maldição. Depois de dez minutos de fulgor boavisteiro, o meio-campo do Benfica foi garantindo uma superioridade imprevisível, pois era composto por artistas pouco dados a batalhas com a intensidade da do Bessa. O golo de Kandaurov, à passagem da meia hora, consumou esta superioridade benfiquista e, com algumas unidades em claríssimo sub-rendimento, parecia difícil que os da casa dessem a volta ao jogo. Até porque, se a segunda parte trouxe um Boavista mais fulgurante, graças a Martelinho e Timofte, quando surgiu o golo de Litos, já o Benfica aparentava ter tudo controlado. E jogava em superioridade numérica, devido à expulsão de Jorge Silva.

Se, por um lado, veio premiar a crença boavisteira, o empate veio ainda castigar o Benfica pelo recuo excessivo e, sobretudo, pelas oportunidades falhadas na cara de William por Nuno Gomes (81') e Maniche (85'). Era difícil ao Benfica manter durante todo o jogo o ritmo fortíssimo e a coesão mostrada na primeira parte, mas a ideia que ficou é que se o recuo começou por ser estratégico, de forma a explorar o contra-ataque para isolar jogadores (e isso foi conseguido quando o Boavista afrouxou um pouco a pressão), no final do jogo já se deveu ao cansaço de um onze que correu até se esgotar física e psicologicamente.

A propensão encarnada para correr sem bola foi a surpresa do jogo. Quem olhasse para o onze que Heynckes escolheu poderia prever um meio-campo macio, sem capacidade de luta. Mas, à custa de grande coesão e da disponibilidade de todos para vir atrás (João Pinto, Poborsky e Kandaurov estiveram muito bem), o quinteto que o alemão apresentou a meio-campo anulou o trio de Jaime Pacheco. Rui Bento esteve infeliz, Jorge Silva anulava-se a marcar João Pinto e Sanchez sempre foi mais de fazer correr a bola do que de correr ele próprio. O que até seria positivo se, nas alas, Douala e Rogério correspondessem às várias solicitações do boliviano. Mas isso não sucedia e o Benfica demorou apenas 10 minutos a mandar no jogo.

Os encarnados ameaçaram marcar aos 13', num livre que Uribe fez passar pela frente da baliza de William, sem que ninguém se aventurasse a emendá-lo, e marcaram mesmo aos 29' através de Kandaurov, após centro de Poborsky, mostrando que é no futebol largo que está a real mais-valia do checo. Na primeira parte, só uma vez o Boavista esteve perto de marcar: aos 40', quando uma insistência de Jorge Silva levou a bola à cabeça de Litos e este obrigou Bossio a uma defesa magistral.

Para a segunda parte, Jaime Pacheco trocou Douala pelo fogoso Martelinho e o Boavista apertou, encostando o Benfica atrás. Dez minutos depois, Timofte rendeu Pedro Costa, passando Rui Bento para lateral-direito e aumentando a criatividade boavisteira. E os lances de perigo foram-se sucedendo junto às redes de Bossio. Aos 47', após “sprint” de Martelinho, foi Poborsky quem evitou que Rui Bento chutasse para o empate. Vinte minutos depois, no seu primeiro livre, Timofte levou a bola a rasar a barra da baliza que o argentino defendia. Timofte e Sanchez voltaram a ameaçar, aos 75' e aos 77' mas, embora com o pecado de ter tirado Poborsky em vez do desinspirado Sabry, as substituições de Heynckes reequilibraram a luta a meio-campo e voltaram a permitir ao Benfica criar ocasiões para marcar. Contudo, Maniche e Nuno Gomes perdoaram.

A vitória encarnada parecia certa, até porque, a um minuto do fim, Jorge Silva foi expulso. Mas foi aí que o Boavista renasceu. E se não marcou num forte remate de Timofte com o pé direito (Bossio defendeu, mais uma vez, bem), fê-lo depois, num cabeceamento de Litos após um livre que o romeno marcou rapidamente. Afinal, era preciso manter a maldição em curso. Nem que fosse durante o período de descontos.

ANTÓNIO TADEIA

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