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Académica-Benfica, 0-0: Um campeão sem ideias

CRÓNICA

O campeão nacional iniciou a defesa do título com um nulo em Coimbra, os primeiros dois pontos perdidos da época e que só vieram confirmar as lacunas que a equipa vinha a demonstrar desde os jogos da pré-temporada: mais que um avançado, Ronald Koeman precisa de um nº 10, um homem que pegue no jogo, pense o ataque e faça a diferença no miolo. Foi isso que faltou ontem aos encarnados, apesar das tentativas frustradas do técnico holandês em procurar disfarçar o “buraco”.

Primeiro fez alinhar de início o russo Karyaka – a única alteração em relação ao jogo da Supertaça, compreensível dado o pouco rendimento de Manuel Fernandes nos últimos jogos – e quando quis mexer na equipa, a sua primeira atitude foi transformar o miolo. De que maneira? À moda de Trapattoni. Com Manuel Fernandes ao lado de Petit e Nuno Assis a surgir solto nas costas dos avançados. Não foi assim que o Benfica conquistou o título na última época? Para que a cópia fosse mesmo perfeita, só faltou Mantorras ter entrado mais cedo e não a pouco menos de dez minutos do fim da partida, numa altura em que Nelo Vingada já havia reposicionado e refrescado as suas peças depois de algum ascendente encarnado.

Deserto

De facto, foi só após a entrada de Manuel Fernandes e Nuno Assis que o Benfica surgiu mais dominante no jogo. Para trás tinha ficado uma primeira parte pobre e apenas um lance de verdadeiro perigo por Karyaka (bem desmarcado por Simão, atira para defesa de Pedro Roma), mesmo em cima do intervalo.

Para este deserto de ideias do campeão, existe também mérito da Académica que, recorde-se, com Nelo Vingada no comando, conseguiu na época passada a melhor série do campeonato sem sofrer derrotas. E não fosse o gigante Marcel ter estado pouco inspirado na hora do remate, os da casa até poderiam ter alcançado outro resultado na jornada inaugural.

Aliás, já em períodos de desconto, pertenceu mesmo à Briosa o último lance de perigo na partida, com Anderson a tirar o pão da boca de Joeano, depois de um livre à entrada da área que ressaltou na barreira das águias. Nesta altura o Benfica já jogava com dez – João Pereira viu (bem) o segundo amarelo por agarrar Marcel na meia-lua – e rendia-se à evidência: de Coimbra não levaria mais que um ponto. E nem se pode queixar da falta de apoio de um estádio (mais de 25 mil espectadores) praticamente vestido de encarnado.

Geovanni à barra

Com ou sem apoio, a verdade é que o mais perto que os visitantes estiveram de marcar foi aos 61’, quando, primeiro Luisão (de cabeça para defesa de Pedro Roma) e depois Geovanni (cabeçada à barra), ambos na sequência de cruzamentos de Simão, fizeram saltar a plateia. Foi o epílogo do melhor período dos campeões nacionais que instantes antes viram Nuno Gomes rematar ao lado, de novo após boa iniciativa do capitão.

Depois e até final, voltaram as faltas – 30! no total – e os protestos à actuação do árbitro Bruno Paixão. Um estranho nervosismo para o campeão nacional que Ronald Koeman prometera na véspera um “arranque bom na Liga”. Fica para uma segunda oportunidade.
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