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Académica-Benfica, 0-1: Os limites da paciência do senhor líder isolado

BENFICA PRAGMÁTICO E POUCO ESPECTACULAR VENCE EM COIMBRA

Académica-Benfica, 0-1: Os limites da paciência do senhor líder isolado
Académica-Benfica, 0-1: Os limites da paciência do senhor líder isolado • Foto: Paulo Calado
Uma vitória conseguida por insistência, suada mas amplamente justificada pelo percurso inverso que as duas equipas fizeram durante hora e meia, eis o caminho que o Benfica teve de trilhar para atingir a liderança isolada da SuperLiga. Os encarnados voltaram a não encher o olho do espectador e a revelar-se demasiado dependentes de alguns factores aleatórios; demoraram a interpretar os primeiros dados que o jogo forneceu mas foram capazes de rectificar, um por um, esses equívocos lançados pela abordagem atrevida da Académica; mais importante ainda, a equipa revelou inteligência no modo como reagiu primeiro e agiu depois, impondo-se pela paciência que lhe valeu, no fim de contas, ditar os últimos e mais importantes momentos de um jogo que nem sempre dominou.

Se e em termos estratégicos João Carlos Pereira criou todos os problemas possíveis ao Benfica, a verdade é que faltou à Académica a qualidade ofensiva para deixar marcas ao antagonista. E só quando Trapattoni percebeu que a ameaça era mais fictícia do que real, as águias se tornaram mais ameaçadoras. Primeiro por uma grande penalidade desperdiçada; depois pelo reforço do ataque com as entradas de Nuno Gomes e Karadas; depois ainda, e finalmente, pelo golo de Simão.

Atrevimento

A maior força da Académica residiu, precisamente, na abordagem ao jogo, no plano traçado para pôr o seu exército a medir forças com outro mais poderoso. O seu treinador não abdicou de jogar em 4x4x2 (losango) e foi assim que fez frente ao 4x3x3 de Giovanni Trapattoni. O melhor elogio que se pode fazer à entrada dos estudantes é que operaram o encaixe sem abdicar do modelo (pressionar à frente e ter a bola), da estratégia (obrigaram o adversário a não utilizar as faixas laterais) e da ambição (dois avançados, apoiados de perto por Ricardo Fernandes). Mesmo tendo em conta que a primeira oportunidade de golo pertenceu ao Benfica – aos 17’, Simão rematou em boa posição para uma defesa complicada do estreante Dani.

Perante um adversário muito motivado e nada reverencial, o Benfica demorou imenso a tirar as devidas conclusões. A Académica encarou as dificuldades sabendo perfeitamente os passos que estava a dar, mas dando a si mesma a possibilidade de utilizar as suas armas.

Surpresa

O Benfica foi apanhado de surpresa e atemorizou-se com o atrevimento adversário. Começou por perder a iniciativa, deixando que o jogo resvalasse para uma toada de repelões, e acabou por se encolher ao ponto de passar mais tempo no seu meio campo, criando perigo, apenas e só, nas poucas vezes em que accionou o contra-ataque. Com Simão bem marcado por Nuno Luís, Zahovic inexistente e Sokota desamparado, restava ao Benfica a capacidade de João Pereira (apoiado por Miguel) e a versatilidade de Manuel Fernandes (sempre amparada por um Petit em muito boa forma).

O tempo começava a ser inimigo e o intervalo foi bom conselheiro para os encarnados. A equipa veio mais espevitada e, com o passar dos minutos, entendeu melhor qual era, afinal, o pano de fundo do embate. A Académica não se mostrou habilitada a confirmar ameaças e o Benfica assumiu, de uma vez por todas, que estava ali para conquistar os três pontos.

Arranque

Trapattoni ainda acreditou que podia resolver o enigma sem intervenção directa, mas Simão desperdiçou a grande penalidade aos 57’. Para fazer face à hipotética depressão do desperdício (e ao esperado empolgamento da Académica, que não se verificou), fez entrar Nuno Gomes (59’) e Karadas (69’).

O que se passou a partir de então encarregou-se de desmascarar a realidade e enquadrá-la perante os factos. Os estudantes não tiveram poder de fogo para dar o passo seguinte à ameaça estratégica (intimidou mas não agrediu) e o Benfica, nem sempre com segurança, mas muito paciente e disponível para todas as insistências, foi por ali fora até conseguir o golo que lhe deu a vitória.

Mesmo que o resultado tenha o habitual efeito de distorcer a imagem global do jogo, a verdade é que Moreira não foi obrigado a qualquer intervenção mais complicada, enquanto Dani viu o perigo rondar a sua baliza muito mais vezes. O Benfica voltou a revelar-se à imagem do seu treinador:
pragmático, seguro e sem preocupações estéticas. Assim chega à liderança isolada da SuperLiga. Já é melhor que nada.
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