Ações do Benfica afundam 10% e negoceiam a metade do preço da OPA

Títulos do Benfica estão a negociar no nível mais baixo desde fevereiro de 2019

Luís Filipe Vieira (Benfica)
Luís Filipe Vieira (Benfica)

As ações do Benfica estão a negociar em forte queda, reagindo ao fim da oferta pública de aquisição do clube sobre a SAD. A negociação esteve suspensa durante dois dias e a suspensão terminou hoje.

Os títulos afundam 10,74% para 2,50 euros, precisamente metade da contrapartida da oferta de 5 euros por ação que agora caiu por terra. Com esta queda, as ações estão a negociar no nível mais baixo desde fevereiro de 2019.

 
Benfica pediu fim da OPA e nega que CMVM tenha chumbado oferta

A Benfica SAD indicou esta terça-feira que a holding Benfica SGPS pediu a revogação da OPA parcial sobre a SAD das águias e que já discutia esse pedido com a CMVM há duas semanas, desde o anúncio da suspensão da Liga Nos, a 12 de março.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), é referido que a oferta não foi "chumbada" pelo supervisor e que a SAD irá contestar o projeto de indeferimento da oferta de que foi notificada pela CMVM, por considerar que a OPA está em conformidade com todas as disposições legais aplicáveis.

Para o pedido de revogação é invocada "a alteração das circunstâncias determinadas pela pandemia (...) e os impactos da mesma, diretos e indiretos".

A Benfica SGPS sublinha que "se pronunciará em sede de audiência prévia acerca do projeto de indeferimento do pedido de registo de oferta" por parte do supervisor. Isto porque "reitera a plena conformidade da oferta com todas as disposições legais aplicáveis". Esta posição surge um dia após a SAD ter confirmado ter sido notificada da intenção da CMVM de "chumbar" a OPA.

No comunicado, é também referido que a participação da SAD na Benfica Estádio foi alienada à "holding" e que tal foi comunicado ao mercado. Posteriormente, em outubro último, foi celebrado um novo contrato para a utilização do estádio da Luz pela SAD até 30 de junho de 2041.

Foi também acordado o recebimento antecipado da prestação pela utilização num total de 61,9 milhões de euros, o que corresponde a um desconto de 34,5% face aos 94,5 milhões previstos.

"Relativamente a este valor de 61.905.254 euros, as partes acordaram que 32.905.254 euros desse montante fosse objeto de compensação da dívida existente da Benfica Estádio perante a Benfica SAD, não dando assim lugar a um fluxo financeiro" e que "o remanescente, concretamente o valor de 29.000.000 euros, fosse pago pela Benfica SAD para a Benfica Estádio", detalha a SAD.

Segundo a Benfica SGPS, "a antecipação imediata do referido valor (...) teve como imediatas contrapartidas para a Benfica SAD, por um lado, a rentabilização do seu excedente de tesouraria, pelo facto de efetivamente ter obtido um desconto de 34,5% no valor que teria a pagar à Benfica Estádio e, por outro, uma redução do seu passivo de 61.905.254 euros, pela liquidação destes montantes".

O novo contrato entre a SAD e a Benfica Estádio e o acordo de antecipação do pagamento pela sociedade anónima desportiva estão na base da intenção expressa pelo supervisor de indeferir o pedido de registo da OPA, segundo apurou o Negócios. No entendimento da CMVM, a operação traduzia-se, na prática, numa "assistência financeira" da SAD à "holding" para que esta comprasse as ações da própria SAD, algo que não é permitido no contexto de uma OPA.

A SAD garante ainda que os fundos destinados à OPA são detidos pela Benfica SGPS não podendo ser usados pela SAD para reforçar o plantel.

"A Benfica SAD confirma ainda que quaisquer fundos que se encontrem na titularidade da Sport Lisboa e Benfica, SGPS, S.A. (tenham ou não qualquer relação indireta com o referido contrato) não lhe pertencem, pelo que, naturalmente, não poderá a Benfica SAD utilizar tais fundos, ao contrário do que foi incorretamente mencionado por alguns meios de comunicação social", conclui o comunicado.

Por Negócios
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