Águia desligou e ficou sem reação

António Simões, Fernando Aguiar e Jorge Silvério analisam ‘apagão’ de Istambul

• Foto: Reuters

O que aconteceu em Istambul para que o Benfica permitisse que o Besiktas recuperasse da desvantagem? A explicação pode estar na forma como os encarnados relaxaram à sombra da vantagem. Esta é a convicção de António Simões, campeão europeu pelo Benfica, em 1962, e do psicólogo Jorge Silvério. O antigo médio Fernando Aguiar, por sua vez, fala num golpe anímico após o golo de Quaresma.

"Penso que o Benfica desligou o interruptor, a concentração, desfrutando de algo que ainda não tinha acabado e convicto de que não teria problemas. Mas desligou excessivamente e não reagiu à reação do Besiktas", admite Simões, que viveu duas recuperações históricas – final da Taça dos Campeões Europeus, diante do Real Madrid, e jogo com a Coreia do Norte, no Mundial de 1966, jogos que venceu por 5-3, após ter estado a perder por 3-0. "Cabe ao treinador e ao jogadores encontrar as razões", acrescenta o antigo extremo.

Silvério aponta na mesma direção. "Com 3-0, alguns terão pensado que estava resolvido e baixaram o nível, algo quase impercetível", refere, sublinhando: "A forma de resolver isto é o treinador falar dos aspetos positivos, da primeira parte que o Benfica."

Ao falar do jogo de Istambul, Fernando Aguiar lembra-se de um jogo com o Rosenborg, na Noruega, em março de 2004, em que o Benfica teve de segurar uma desvantagem (1-2), que permitiu a continuidade na Taça UEFA. "Foi uma pressão enorme", diz quem jogou a última meia hora. "Imagino o que passou pela cabeça dos jogadores do Benfica. A preocupação, depois do 3-2, é não sofrer mais nenhum golo."

António Simões: «Pensou que não teria problemas»

"Houve dois jogos num. Nos primeiros 45 minutos, o Benfica foi brilhante. Depois foi o que se sabe. Houve reação natural com qualidade e o Benfica pareceu que quis assistir. A partir dos 60 minutos, deu a ideia que estava a desfrutar de algo que não tinha acabado. O Benfica desligou, pensando que não teria problemas. A verdade é que os teve." 

Fernando Aguiar: «Penálti deitou tudo abaixo»

"O penálti deitou tudo abaixo, pois o adversário ganhou confiança. Imagino o que passou pela cabeça dos jogadores do Benfica. Depois de sofrerem o segundo golo, o objetivo era não sofrer mais. Nestes casos, todos os jogadores devem estar 100 por cento concentrados, mas nem todos conseguem. Então, os outros devem transmitir confiança e dizer ‘não vamos sofrer o terceiro’." 

Jorge Silvério: «Descomprimiram mas sem intenção»

"A vencer por 3-0, a equipa acabou por descomprimir, mas isso acontece sem intenção. Como Vitória disse, o Benfica não marcou o quarto golo e o Besiktas, com o apoio do público, acreditou. E depois é difícil passar a mensagem aos jogadores, uma vez que, com todo aquele ambiente, estão concentrados no jogo."

Por Nuno Martins e Pedro Ponte
5
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Benfica

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.