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Alverca-Benfica, 1-3: Cantos à amizade no ataque à UEFA

CRÓNICA

“Foram precisamente os dois jogadores envolvidos na disputa de balneário, Zahovic e João Manuel Pinto, a assumir o protagonismo nos pontapés de canto que abriram caminho ao sucesso encarnado. E tudo acabou num abraço”
Alverca-Benfica, 1-3: Cantos à amizade no ataque à UEFA • Foto: João Trindade
FOI de uma forma significativa que o Benfica venceu ontem o Alverca, no Ribatejo, por 3-1, igualando o FC Porto no terceiro lugar da tabela, possivelmente o único que dará acesso à Taça UEFA em ano de Leixões-surpresa. Depois de uma semana atribulada, com conflitos de balneário a perturbarem a tranquilidade do grupo, foram precisamente os dois jogadores envolvidos na disputa a assumir o protagonismo nos pontapés de canto que abriram caminho ao sucesso encarnado: Zahovic marcou o golo inaugural numa recarga seca a um mau alívio alverquense e, dois minutos depois, serviu João Manuel Pinto para o 2-0 que devia ter sido o golo da tranquilidade. A história acabou com um abraço sentido entre os outrora beligerantes, prova de que os jogadores perceberam que só unidos podem evitar um segundo ano consecutivo fora das competições europeias. O Alverca, esse, vê a vida andar cada vez mais para trás: a derrota de ontem, associada à vitória do Varzim em Leiria, faz da equipa de Vítor Manuel a última classificada, com a II Liga mesmo ao virar da esquina.

O que é estranho neste Benfica é que, mesmo sem ter produzido um grande futebol, viu-se a ganhar por 2-0 a meia hora do fim, fruto de dois lances de bola parada, mas não arrancou dali para um triunfo tranquilo e conclusivo, como se exigiria a um candidato ao título. Pelo contrário, permitiu o crescimento de um Alverca que nessa altura arriscou tudo, sofreu um golo num erro do guarda-redes, tremeu e só nos descontos tranquilizou os adeptos, graças à jogada genial em que Drulovic marcou o 3-1. Notou-se no último quarto de hora a falta de capacidade da equipa encarnada para segurar o jogo, para impor a sua vontade ao adversário, de pouco servindo as substituições operadas por Jesualdo Ferreira no meio-campo (Andersson por Ednilson e Tiago por Aguiar). O Benfica mandão e pressionante do início da segunda parte desaparecera do relvado, cedendo o lugar a uma equipa incapaz sequer de fazer circulação de bola e de responder defensivamente às alterações com as quais Vítor Manuel transformou o Alverca. A prova, dá-a a estatística: se é verdade que o Alverca rematou mais que o Benfica, não conseguiu visar a baliza de Enke uma única vez entre os 52 e os 74 minutos, período em que os da Luz marcaram dois golos; em contrapartida, foi no último quarto de hora que os ribatejanos fizeram os seus cinco (em 19) remates desferidos de dentro da área, um dos quais o golo de Caju, na recarga a uma bola largada por Enke. Até aí houvera muito tiro, mas quase sempre de pólvora seca.

Nessa altura, porém, o Alverca estava muito diferente do que mostrou nos primeiros 45 minutos, quando contrapôs ao habitual 4x2x3x1 de Jesualdo Ferreira um 4x3x3 com Peixe a comandar o meio-campo e três homens muito móveis na frente (Rui Borges, Zeferino e Anderson). Nessa primeira parte, o Benfica dominava a meio-campo, mas assustava pela lentidão na transposição para o ataque, a que as únicas excepções eram algumas arrancadas de Simão e Mantorras. O resultado foram 45 minutos aborrecidos, do pior que já se viu nesta I Liga, e um 0-0 que ambas as equipas mereciam.

Na segunda parte, depois dos dois golos benfiquistas, Vítor Manuel decidiu finalmente dar peso (Quinzinho) e clarividência (Caju) ao ataque, abdicando de Rui Borges e Pedro Neves. Virou o jogo: Gaspar encostou à esquerda da defesa, Peixe recuou para o lado de Veríssimo e Garcia e Tinaia eram suficientes para assegurar que o sentido de jogo era o da baliza de Enke, perto da qual o Alverca tinha quatro homens: Anderson, Caju, Quinzinho e Zeferino. Foi a vez de o Benfica aguentar e responder em contra-ataques, num dos quais, após driblar vários adversários, Drulovic fez o 3-1. Mais tranquilidade, só com o fim do jogo, que surgiu logo a seguir.

Seguro a meio-campo, JOSÉ PRATAS cometeu um erro grave, ao não sancionar um “penalty” cometido sobre Simão, aos 68’, em jogada que o benfiquista ainda concluiu com um remate contra Yannick. Antes (54’), houve outro lance discutível, também envolvendo Simão, mas aí a televisão parece dar razão ao árbitro eborense.

Segunda parte à Benfica

A expressão “segunda parte à Benfica” começa a ganhar razão de ser: tem sido sempre nos segundos tempos que o Benfica tem definido os últimos jogos. Feito o balanço total ao campeonato, a vantagem dos encarnados nos segundos 45 minutos nem é muito grande (nove pontos), pois ocasisões houve em que também permitiram a viragem ao opositor. Mas se essa diferença chegaria para colar a equipa de Jesualdo Ferreira ao líder da prova, é ainda espantoso verificar que foi no período entre o intervalo e o final dos jogos que o Benfica obteve as suas últimas cinco vitórias.

Antes do jogo de ontem, já tinha sido no segundo tempo que a equipa de Jesualdo Ferreira derrotara o Belenenses (de 1-1 ao intervalo para 2-1 no final), o Beira Mar (de 1-1 para 4-1), o Salgueiros (de 1-1 para 4-1) e o Varzim (de 0-2 para 3-2). Pelo meio, vieram duas segundas partes aziagas, contra o V. Setúbal (de 1-0 para 1-1) e o FC Porto (de 1-1 para 2-3). De qualquer modo, o saldo da segunda volta é amplamente favorável, com onze pontos ganhos e só três perdidos.

Na primeira volta da Liga, já o Benfica tinha garantido três vitórias (Salgueiros, Gil Vicente e Sp. Braga) e um empate (U. Leiria) nas segundas partes, somando assim um total de 18 pontos ganhos nos finais das partidas. Em contrapartida, Varzim, Beira Mar e Sporting conseguiram recuperar da derrota para o empate nos segundos tempos contra os encarnados, totalizando a equipa da Luz nove pontos perdidos nos segundos tempos.

No fundo, daqui se tira uma de duas conclusões: ou o sermão ao intervalo é muito bom, ou a equipa está dotada de uma crença sem limites.
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