Record

Alverca na noite das bruxas lançou um feitiço ao Benfica

EQUIPA DE JOSÉ ROMÃO FAZ SÉTIMO PONTO EM CONFRONTO DIRECTO COM OS GRANDES

Alverca na noite das bruxas lançou um feitiço ao Benfica
Alverca na noite das bruxas lançou um feitiço ao Benfica

31 DE OUTUBRO, noite das bruxas. Em Alverca, os da casa celebraram o “Halloween” lançando um “feitiço” sobre o Benfica, que funcionou em pleno.

Os atributos que a equipa de Jupp Heynckes tinha mostrado ao longo da época - especialmente o sentido colectivo que esteve na base dos sucessos nacionais e internacionais - não se viram na noite ribatejana e o resultado acabou por ser a primeira derrota benfiquista na I Liga de 1999-2000. Sem apelo nem agravo, aos pés de um Alverca que aproveitou em pleno as insuficiências do adversário. Com a época a aproximar-se do fim do primeiro terço, o Benfica começa a enfrentar dificuldades sérias na gestão de um plantel que Heynckes pretende competitivo também na UEFA. Ontem, deixou de fora João V. Pinto e Karel Poborsky e não “sacrificou” Calado, irregular nos treinos ao longo da semana. Correu o risco, a pensar no embate com o PAOK, na quinta-feira, e deu-se mal. Como se tinha dado bem em outras alturas, nomeadamente nos Açores frente ao Santa Clara. É, pois, verdade que o Benfica geriu o plantel e apresentou apenas a equipa “possível”. Mas não é menos verdade que do outro lado esteve um conjunto também amputado de unidades nucleares. Dos habituais titulares não actuaram o guarda-redes Ovchinnikov, o lateral Abel Silva e os centrais Hugo Costa e Veríssimo. Por isso, em termos de “ausências”, se de um lado chovia, do outro fazia vento...

CORAGEM DE ROMÃO

José Romão, ciente da improvisação que presidia à sua estrutura defensiva, fez a coisa mais inteligente que era possível: reforçou o ataque, nunca abdicou de “três mais um” na frente (Filipe Azevedo, Anderson, Caju e ainda Milinkovic), obrigando o Benfica a nunca subir com demasiadas unidades. Foi este rasgo de ousadia que venceu o jogo. Jupp Heynckes poupou jogadores. Os substitutos não estiveram à altura (especialmente Marco Freitas, que acusou demasiado a responsabilidade da estreia retirando fluidez ao jogo encarnado) e a defesa cometeu erros em série. Nos 720 minutos anteriores da Liga, o Benfica sofrera dois golos; nos 90 de domingo concedeu três, sendo qualquer deles fruto de erros de palmatória. Mas o principal defeito do Benfica de domingo foi outro: os encarnados não abordaram o jogo de forma colectiva. Em muitos momentos da partida, e ao contrário do que tem sido a imagem da turma de Heynckes, cada um tentou resolver por si o que competia a todos. Acabou mal. Para o Benfica, é evidente...

GOLO E REVIRAVOLTA

A primeira oportunidade do encontro sorriu ao Alverca, logo aos quatro minutos, mas nesse lance Enke seria melhor que Anderson. Depois a história seria outra. Com Gaspar e Jamir sobre Nuno Gomes e Kandaurov e mantendo sempre grande presença no ataque, o Alverca segurou o Benfica durante o primeiro quarto de hora. Foi preciso que Nuno Gomes recuasse e começasse a trabalhar como transportador de jogo para que os encarnados fizessem perigo. Foi, aliás, o seu melhor período, em que fizeram um golo, aos 25 minutos, e estivessem perto de ampliar a vantagem por Kandaurov, aos 27, e Bruno Basto e Sérgio Nunes, aos 38 minutos. Não o conseguiram e na última jogada da primeira parte o Alverca empatou, de grande penalidade, após um lance em que nem Paulo Madeira nem Andrade (que fez falta sobre Caju) estão isentos de culpas.

O segundo tempo começou com um Benfica confuso e ansioso, fazendo do individualismo a regra e não a excepção, e assim facilitando a missão defensiva ao Alverca, onde Diogo e Jamir trabalhavam na recuperação de bola a meio campo e Kulkov, de “cadeirinha”, actuava a líbero e orientava os companheiros. Com uma hora de jogo, Heynckes lançou Poborsky (saiu Bruno Basto e Maniche passou para a esquerda), enquanto Romão aumentou a mobilidade do seu ataque (Filipe Azevedo por Rui Borges). Aos 69 minutos, os da Luz recorreram a João V. Pinto, para o lugar de Kandaurov. Mas os acontecimentos iam precipitar-se...

Com este cenário começaram os erros do Benfica e o “matador” Anderson não perdoou. Aos 71 minutos, Sérgio Nunes não subiu deixando-o em jogo e o brasileiro não falhou. Três minutos volvidos, Andrade desconcentrou-se, esqueceu-se do seu flanco e deixou Anderson à vontade para bisar.

Até ao final do jogo o Benfica carregou bastante e podia ter reduzido. Mas Poborsky, Nuno Gomes e João V. Pinto não desfeitearam Paulo Santos. O Alverca chegava ao fim justo vencedor. E Heynckes, em noite de “Halloween”, deve ter abandonado o estádio a cogitar com os seus botões: “Yo no creo en las brujas, pero que las ay...”

JOSÉ MANUEL DELGADO

Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Benfica

Ferreyra na porta da saída

SAD quer libertar um avançado e o argentino está aberto a escutar propostas para jogar com maior regularidade. Na Luz, está ‘tapado’
Notícias

Notícias Mais Vistas

M