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Anderson: «Não nutro pelo Benfica qualquer sede de vingança»

INICIALMENTE CONTRATADO PELO CLUBE DA LUZ, REGRESSA DOIS ANOS DEPOIS A ALVERCA

Anderson: «Não nutro pelo Benfica qualquer sede de vingança»
Anderson: «Não nutro pelo Benfica qualquer sede de vingança»

DOIS anos após a sua estreia no futebol português, de "má memória" para o jogador, Anderson provou não ter sido por acaso que alguém no Benfica achou valer a pena contratá-lo. Mal-grado nunca ter pisado, sequer, o Estádio da Luz, sendo directamente, e sem conhecimento prévio, encaminhado para o Alverca -- tal como sucedeu, no mesmo período, com Deco e Cajú --, é ao clube encarnado que deve o facto de estar a jogar em Portugal.

Talvez por isso, um pouco ao contrário do que se passou com Deco e se passará com Cajú, não guarda "qualquer ressentimento ou mágoa" do Benfica, até porque a sua estreia há duas épocas, com o Alverca ainda na II Divisão de Honra, não deu para muito, em virtude de o atleta ter sido "vítima" de uma lesão que o deixou longos meses afastado dos relvados, obrigando-o, mesmo, a regressar ao Brasil. Por essa razão fundamental, quando ontem lhe perguntámos se os dois golos apontados ao Benfica havia uma pontinha de "vingança" pela forma como acabou, sendo ignorado pelos responsáveis da altura, Anderson não hesitou:

"Não nutro qualquer sentimento desse tipo. O que sucedeu há dois anos está ‘enterrado’, completamente esquecido. Claro que não esqueço o facto de, então, ter sido contratado para jogar no Benfica. Na altura nem sequer sabia da existência do Alverca. Mas, no fim de contas, o Alverca foi bom para mim, pois foi o clube que me lançou e me deu oportunidade de jogar, de mostrar o meu futebol. Repito: em relação ao Benfica não sinto mágoa nem espírito ou sede de vingança, e não fiz estes dois golos a pensar nisso, pois a minha história com o Benfica já é passado."

E o avançado brasileiro justifica:

"Sei que o Deco e, talvez mesmo o Cajú, tenham razões para se sentirem magoados com o Benfica, porque ambos estiveram activos. Eu não. Estive lesionado e não tive como 'cobrar'. Acabei por sair prejudicado de outra forma, mas não posso culpar ninguém. Passei aqui mais de quatro meses lesionado e depois quando recuperei da lesão não tinha ritmo de jogo e, por isso, não era convocado, era sempre preterido. Depois regressei ao Brasil e aí tive de começar tudo de novo. Felizmente, deixei boa impressão no Alverca, pois a época passada os responsáveis fizeram tudo para me trazer de volta, mas problemas burocráticos não permitiram que tal sucedesse.

Aconteceu este ano e parece que as coisas estão a correr como todos desejávamos."

«CORINTHIANS ALAGOANO FORMA E EXPORTA ATLETAS»

DEPOIS de Deco ter facilmente vingado no pentacampeão FC Porto, de Caju já por diversas vezes ter demonstrado o seu enorme potencial, e de agora Anderson também estar a "dar nas vistas", todos atletas "oriundos" do Corinthians Alagoano, uma pergunta necessita de resposta: o que é, como funciona, aquele clube brasileiro. Anderson deu-nos a sua versão:

"Como sabe, estive lá pouco tempo (um, dois anos no máximo), aliás como a maioria dos jogadores que o clube projecta. Eles vão buscar jovens a todos os cantos do Brasil e levam-nos para Alagoas. O clube possui uma equipa que apenas disputa um campeonato, mas sem preocupação com os resultados, em conquistar títulos. O objectivo deles é aperfeiçoar os jogadores que consideram possuir potencialidades para depois os 'exportarem' para o exterior do Brasil ou então, na grande maioria, para outros clubes dentro do país. Não sei se poderá dizer-se que existe uma espécie de 'escola' no Corinthians Alagoano, mas eles tentam trabalhar os atletas. Depois, trabalham muito com vídeos: se um jogador começa a sobressair, eles fazem um compêndio das suas actuações para poderem vendê-lo. É, enfim, um clube para formar e exportar jogadores."

«JOGAR NUM GRANDE DEPENDE DOS GOLOS»

Natural de uma localidade do interior de S. Paulo, Anderson tem o sotaque peculiar daquela zona do Brasil, que "é muito feio, pois puxa (arrasta) muito o ‘r’”, como confessa o jogador em tom de brincadeira. Um sotaque quase “cantado” e aprimorado pelo convívio de cerca de quatro meses (o tempo cumprido no próprio clube em dois anos de contrato) no Nordeste do Brasil, onde se situa o Corinthians Alagoano. Anderson Roberto da Silva Luiz foi "descoberto" pelos responsáveis do clube de Alagoas no Paraguações. Aos 21 anos, feitos a 1 de Fevereiro, o avançado só pensa em "singrar no Alverca" para poder ir mais longe:

"Não sou diferente dos outros jogadores. Gostaria de jogar num clube de maior dimensão que o Alverca, apesar de me sentir aqui muito bem. Mas as pessoas entendem o que significa este desejo de sair. Tenho quatro anos de contrato com o Alverca, mas nesse período tudo pode acontecer. Sei, no entanto, que depende essencialmente de mim, dos golos que marcar, do campeonato que a equipa fizer e, por isso, para mim é importante neste momento pensar em ajudar o Alverca a alcançar o seu objectivo: classificar-se na primeira metade da tabela."

«SÓ POSSO DESEJAR SER COMO JARDEL»

Os dois golos marcados ao Benfica, após um primeiro apontado ao Sporting, fazem esquecer um facto: Anderson, o goleador, não está a jogar na sua posição habitual, a tal em que foi "formado". Mas isso não o perturba:

"Estou ainda a adaptar-me à nova posição de extremo-esquerdo, já que a minha posição sempre foi a de avançado, colocado no meio da área. Por isso, o início do campeonato foi mais de adaptação a esta deslocação para a esquerda, à necessidade de ter de marcar, ter de voltar, ir atrás ajudar à defesa, tarefas às quais não estava nada habituado. Agora, desde o jogo com o V. Guimarães, apesar de não ter feito qualquer golo, tenho feito exibições regulares e, finalmente, estão a sair os golos."

Anderson sabe o que vale, nem sequer se escusa definir-se como jogador -- "sou um homem de área, tenho boa velocidade, boa técnica e estou, aos bocados, esquecendo como se joga ali, isto sem ironia, pois sinto-me bem e não quero pensar em sair da equipa" --, mas recusa comparações, recordando as que foram feitas aquando da sua vinda há dois anos, com Jardel:

"Nunca poderei comparar-me com ele! É muito cedo. Só posso desejar ser como ele, tentar alcançar o que ele conseguiu. Ainda estou 'gatinhando', mal comecei e, por isso, nem é bom fazer comparações."

QUEM É QUEM

Nome: Celso Dias Neves (Cajú)

Data de nascimento: 10 Agosto 1976

Nacionalidade: brasileiro

Estreia na I Liga: 23 Agosto 98 (Campomaiorense, 2-Alverca, 2)

Jogos, 98/99: 29; 99/2000: 9

Golos, 98/99: 8; 99/2000: 4

CÉU FREITAS

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