André Almeida: «Aimar e Saviola eram gajos que faziam da bola o que queriam»

Lateral recorda início da etapa na Luz

• Foto: Pedro Ferreira

André Almeida deu uma entrevista à plataforma Benfica Play onde recorda várias etapas da carreira.

O melhor conselho que o teu pai te deu no Loures?

Um dia no carro, penso que contra o Sporting, tínhamos perdido 5-2 e eu fiz dois golos. Eu vinha contente por ter feito dois golos ao Sporting e o meu pai perguntou-me o porquê de eu estar contente. ‘Fiz dois golos ao Sporting’, disse eu, é normal estar contente. ‘Mas tu perdeste o jogo. O futebol é um desporto coletivo, não faz sentido estares contente quando perdeste. Não podes estar preocupado só contigo’. Eu levei muito a sério o que ele me disse. Penso que hoje me tornei mais do que ele me disse, sou muito mais de equipa. Prefiro fazer uma assistência do que fazer um golo, vivo as minhas emoções de forma mais intensa se forem partilhadas com os meus colegas de equipa. Esse é um dos conselhos que mais me lembro.

Chegada ao Benfica e empréstimo à U. Leiria

Quando vim para aqui, lembro-me que como todos os jovens era como projeto de formação porque no ano a seguir foi criada a equipa B. O projecto passava por ser emprestado, crescer e se tudo corresse bem, voltar. Acabou por ser assim até na primeira época. Fiz a pré-época e acabou por ser emprestado à U. Leiria, que estava numa fase difícil. Eu tive sorte porque em dezembro o Benfica voltou a ir buscar-me. Na U. Leiria havia salários em atraso e não havia sitio para treinarmos por vezes. Não tem nada a haver com o que se passa aqui, com o pequeno-almoço, onde tudo é detalhado, com nutricionista. Lá passava por quem estava no seio da equipa: os treinadores, os ‘fisios’ e os jogadores. Não havia essa estrutura à nossa volta que nos fizesse pensar só no futebol. O jogador tinha de se preocupar com tudo o resto. Acima de tudo, o mais grave é que tínhamos de ir para casa, pagar as nossas contas e não recebíamos. Muitos jogadores deixaram de treinar, outros foram embora. Felizmente, por causa dos pressupostos da Liga, tiveram de pagar dois salários, ficando nós com um em atraso na mesma para continuarmos em competição. Eu regressei ao Benfica mas sei que os meus colegas não receberam mais salário. Por isso é que a U. Leiria acabou o campeonato com oito jogadores. Havia Oblak, o Shaffer, o Élvis, o Djaniny… havia muitos jogadores do Benfica e tínhamos uma equipa competente. O Ivo Pinto agora está no Dinamo Zagreb. Mas o futebol não é só o que se passa dentro de campo. Se não tiveres a cabeça limpa dos problemas que tens em casa, se não tiveres estabilidade é muito difícil fazeres o teu trabalho da melhor maneira. Eu vivo muito os problemas e as alegrias dos outros. Custavam-me algumas situações, em que havia jogadores que não tinham dinheiro para ir jantar. O clube acabou nessa situação por falta de estrutura.

Os ídolos na Luz


Lembro-me dos primeiros treinos que fiz e lembro-me de pensar que estava a jogar com gajos que eram meus ídolos. Estava a jogar com o Aimar, Luisão, Saviola, só jogava com eles na Playstation. Foi incrível nos primeiros tempos. Temos de meter os pés no chão e perceber que somos um deles também. Aimar e Saviola eram gajos que faziam da bola o que queriam. Foi especial essa chegada ao clube.

Por Flávio Miguel Silva
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