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Beira-Mar-Benfica, 2-3: "Karradas" de confiança não evitam tremideira

CRÓNICA

O Benfica foi muito eficaz, ao marcar três golos em cinco remates, mas esbanjou facilmente a vantagem de 3-0 e acabou à rasca
Beira-Mar-Benfica, 2-3: 'Karradas' de confiança não evitam tremideira • Foto: Miguel Barreira
Coube ao jogador que tem "azar" no nome - na Noruega é o que significa Karadas - levar a sorte ao Benfica, tornando-se na figura principal de uma vitória que podia ter sido tranquila e acabou apertada, devido à insegurança na segunda parte.

O avançado marcou dois golos e ofereceu outro a Petit, conquistando uma vantagem confortável aos 50 minutos, nada fazendo prever a tremideira que se seguiu com os golos do Beira-Mar. Foram carradas de confiança armazenada cedo deitadas ao lixo.

Tivesse o adversário mais "dentes" no ataque, e a façanha de Karadas, na sua estreia, redundaria num escândalo. Mas McPhee, autor de 25 golos na última época ao serviço do Port Vale, não fez sombra ao norueguês, senhor de três golos na mesma temporada, pelo Rosenborg.

São pesos e medidas diferentes. Afinal de contas, Karadas esperou desde 3 de Março, altura em que marcou ao Benfica na Taça UEFA, para voltar a contar golos no pecúlio pessoal. E em boa hora o fez, para sossego de Trapattoni.

Eficácia

Foi um jogo de eficácia, sobretudo. O Benfica inaugurou o marcador ao terceiro remate, aumentou a vantagem no quarto e ao quinto já ganhava por 3-0. Ou seja, marcou três golos em cinco remates.

O Beira-Mar fez dois nos primeiros remates da segunda parte, altura em que o Benfica começou a coleccionar faltas, fruto do maior nervosismo, terminando os últimos 45 minutos com o dobro das cometidas antes do intervalo. Visto à luz da estatística, e dos golos, até pareceu um jogo interessante mas, até aos 42 minutos, tal foi puro engano.

O Benfica entrou em campo apenas com um reforço, Karadas, e no banco ficaram sentados seis, a fazerem companhia a Sokota, o único a transitar da época passada. Trapattoni, ao trocar Paulo Almeida por Manuel Fernandes, ganhou um meio-campo mais móvel, mas nem por isso capaz de levar profundidade ao ataque. Viveu muito dos esticões de Petit.

Nesta manta curta, Karadas só seria ponta-de-kança se a a baliza estivesse na meia lua. Na primeira vez que o activaram na grande área, ao segundo canto do Benfica, marcou. Porque estava onde lhe competia estar.

Foi uma primeira parte péssima e as esperanças de golo morriam à medida que o tempo passava. Daí que o 0-2 ao intervalo seja mais fruto da acção de dois jogadores - Petit/Karadas - do que sintoma de um domínio.

Janela fora

Bastaria a vantagem ao intervalo para dar descanso a uma equipa que precisava de entrar na SuperLiga com uma vitória, a fim de esquecer o desaire de Bruxelas. O terceiro golo, a abrir, deu a ilusão de controlo, tão fraca réplica estava a dar, até aí, o Beira-Mar de Mick Wadsworth.

A troca de Marcelinho por Levato coincidiu com a recuperação dos aveireneses. Em seis minutos, fizeram o Benfica perceber que no facilitar jamais está o ganho. Duas bolas paradas pararam o coração dos adeptos encarnados e o nervosismo veio ao de cima, no relvado e nas bancadas.

No banco, Trapattoni gesticulava, pedia a Álvaro para se sentar, mas não mexia na equipa, quando tinha jogadores em claro subrendimento desde o início. O italiano só entrou na dança das substituições quando a equipa estava com o credo na boca. A confiança já tinha sido atirada janela fora.

Assobios

Os adeptos encarnados assobiaram João Pereira e Zahovic (exibições descoloridas) nas substituições e quando viram Paulo Almeida a ser chamado entre os suplentes, repetiram a dose. A opção de Trapattoni de defender a vantagem nos minutos finais não agradou mas as circunstâncias da partida não permitiam outra atitude. Era hora de tapar os buracos, não de ir em busca de quimeras. Até Carlitos ia entrar nos descontos para queimar tempo.

No ataque, só Simão tinha chispa para correr e o caricato aconteceu quando seguiu para a linha de fundo, dentro da grande área, e cruzou... para ninguém. Karadas, exausto, estava 20 metros atrasado, já não era um ponta-de-lança, mas o primeiro dos defesas.

Ao Beira-Mar faltaram mais opções no banco para dar a estocada final num Benfica ferido no orgulho e na confiança. Assim, a águia molhou o bico numa vitória que sempre esteve à mão.

Árbitro

ELMANO SANTOS (2). Disciplinarmente, não teve coragem de expulsar Zahovic através da amostragem do segundo cartão amarelo, aos 72', quando cometeu falta por trás, cortando um contra-ataque do Beira-Mar. Também poupou amarelos a Ribeiro e Sandro. De resto, controlou a partida e fica com o benefício da dúvida no lance entre Filipe e Miguel, na grande área aveirense.
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