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Belenenses-Benfica, 4-1: Crónica de mais um explicável pesadelo azul

CRÓNICA

O Benfica viveu o segundo pesadelo azul da época, mas, desta feita, não pode desculpar-se com a arbitragem. A culpa é só própria
Belenenses-Benfica, 4-1: Crónica de mais um explicável pesadelo azul • Foto: Paulo Calado
Um resultado impensável para quem jogava a liderança isolada da SuperLiga: perder por três de diferença no Restelo era coisa que não se via há mais de meio século. E quem viu o Belenenses voltar a golear - é a sexta vez que marca três ou mais num jogo! - com a maior das facilidades não pode dizer que "viu" o Benfica. Pela simples razão de que o aspirante ao título - que continua na frente... e Trapattoni ainda não desesperou - mandou uma caricatura para o Restelo.

A defesa remendada não deixava ninguém descansado, por muito que o treinador italiano quisesse manifestar confiança nos substitutos de Ricardo Rocha e Luisão no eixo. Amoreirinha e Argel nunca deram garantias. Pelo contrário, de cada vez que os rápidos Lourenço e Antchouet apareceram, a aflição comandou as operações, a tal ponto que até se esqueceram da bola.

Enganador

O começo do Benfica até deu para enganar. Até ao golo, os encarnados conseguiram controlar o jogo e, inclusivamente, incomodar Marco Aurélio, ainda que de bola parada. Petit, num poderoso livre (12') à trave, podia ter aberto o activo. Antes Zahovic (3') obrigou o guardião belenense a uma bela defesa.

Mas nunca se percebeu verdadeiramente que este Benfica de recurso e baixíssimo rendimento de Bruno Aguiar na intermediária seria capaz de aproveitar o desacerto do maestro azul, Juninho Petrolina. A inconsistência era a marca do futebol encarnado, que perdia lance sobre lance na ala esquerda, precisamente onde pontificava Andersson, o ex-benfiquista que empurrou o Belenenses para um dos resultados mais memoráveis da sua história.

Linear

Foi num lance simples e directo que o castelo (dos horrores) encarnado se desmoronou. Andersson abriu para Lourenço na direita, Fyssas não estava lá e a velocidade de Antchouet fez o resto.

Em menos de dez minutos, o resultado avolumou-se para 3-0. Da ingenuidade de Amoreirinha no lance do "penalty" não vale a pena fazer comentários. Agora, a passividade de toda a linha recuada no terceiro (e decisivo) golo é de pasmar! Como é possível, partindo ainda antes da linha do meio campo, (perdida por Bruno Aguiar) a bola ter circulado por quatro belenenses sem sequer um dos cinco benfiquistas-espectadores esboçar um corte ou uma falta?

Fácil

Para o Belenenses de Carvalhal - que já havia marcado quatro ao Benfica, com o Aves, mas empatou... - nunca foi difícil caminhar para a glória. Enquanto Pelé manietou verdadeiramente Zahovic, deixando o Benfica sem "cérebro", o miolo encarnado esteve preocupado com Juninho Petrolina, ontem "de per si" uns furos abaixo do habitual, abrindo uma auto-estrada para as alas azuis (sobretudo a direita, com Amaral, Andersson e Lourenço) funcionarem sem restrições. Foi a "morte" da águia.

Impotência

Se a situação era negra para Trapattoni, a solução, essa, então, nem se vislumbrava. Com um banco (não custa admiti-lo) assustador, o técnico italiano foi lançando as soluções mais "credíveis", se assim se pode dizer. Imaginamos que sem ele próprio acreditar muito. Sokota, o primeiro substituto, ainda reduziu, mas foi como se não o tivesse feito. É que a "chapa" já ia nos quatro.

Como Trap tem sempre uma visão optimista das coisas, o descalabro do Restelo é bem capaz de ter sido a melhor coisa que podia ter acontecido ao Benfica em vésperas da reabertura do mercado. Oxalá haja alguém preocupado para as bandas da Luz...

Árbitro

PAULO PARATY (4). Num jogo relativamente fácil, o portuense teve o condão de não complicar, ainda que não tenha ficado isento de erros menores, com lançamentos de linha lateral ou um fora-de-jogo. Esteve bem nos dois lances de "penalty": o de Amoreirinha e o pretenso em lance entre Amaral e Zahovic. Com este nível, a arbitragem portuguesa não estaria debaixo de fogo.

Fyssas aumenta leque de lesionados

O lateral-esquerdo Fyssas foi substituído por Dos Santos, aos 51 minutos, em virtude de ter sofrido uma pancada na zona da anca da perna direita. O jogador internacional grego vai ser reavaliado nas próximas horas, aumentando assim o leque de lesionados que estão entregues ao departamento médico da Luz.

Simões chamado à última hora

Eduardo Simões, central da equipa B do Benfica, foi chamado para o jogo de ontem com o Belenenses, preenchendo a vaga existente no banco (Trapattoni só tinha convocado 17 elementos). O jovem integrou o plantel principal à última hora. Estava designado para o jogo da equipa B e só ontem foi avisado.

Gigantes europeus e Bölöni no Restelo

Manchester United, Arsenal, Liverpool, Inter de Milão, AC Milan, Marselha, Rennes (estava presente Bölöni), PSG e Espanyol de Barcelona. Foram estes os clubes europeus - mais o modesto Pontevedra (Galiza) - que enviaram espiões ao "derby" de ontem no Restelo, talvez à procura de um qualquer reforço.
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