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Benfica-Académica, 3-0: Os braços antes das asas

DEPOIS DE UM PENÁLTI TÃO CEDO SÓ MUITO TARDE A ÁGUIA VOOU PARA VITÓRIA TRANQUILA

O Benfica não aproveitou o balanço de um golo na “madrugada” do jogo. A noite acabou bem mas não foi nada tranquila. Muito por culpa própria
Benfica-Académica, 3-0: Os braços antes das asas • Foto: Miguel Barreira
Aos 4 minutos, Roberto Brum ajeitou a bola com o braço em plena área. Um penálti tão ridiculamente desnecessário como evidente deu ao Benfica a oportunidade de marcar o primeiro golo no primeiro remate à baliza. Simão (que começou por jogar pela banda esquerda) não perdoou.

O quadro estava definido. Em vantagem tão cedo, certamente o Benfica iria partir para um jogo tranquilo. Ia dar para ver o talento de Robert (que só perto do intervalo passou para o seu flanco preferido, o esquerdo, trocando então com Simão) e sobretudo para avaliar se a fartura no plantel de Koeman resultaria em qualidade de jogo.

Pois muito bem, durante meia dúzia de minutos ainda se alimentou essa ilusão. O Benfica mostrou-se agressivo na recuperação de bola e pôs em sentido as duas linhas defensivas da Académica que se ficou pelo seu meio-campo a tentar... respirar.

Boa lição

As boas indicações do Benfica ficaram-se por aí. Robert e Simão encostaram-se aos flancos, Nuno Gomes andou muito próximo de Miccoli ao mesmo tempo que sentia Danilo “colado” ao seu corpo. Para a equipa funcionar, era preciso uma vaga de fundo que, no entanto, se quebrou na falta de entusiasmo e sobretudo na luta desigual que Petit e Beto travaram com a cortina de cinco homens que a Académica tinha no seu meio-campo.

Foi uma boa dos estudantes que se aproveitaram do momento para trocar de papéis. O chapéu de Roberto Brum só não deu golo porque Moretto fez uma grande defesa mas deu sombra suficiente para a Académica se sentir confortável no jogo e ganhar alento para se mostrar mais atrevida.

E assim foi, muito por obra do talento de Filipe Teixeira (aos 18’ esteve quase a marcar...) e da organização do meio-campo, mas também, é claro, de alguma displicência encarnada que pareceu sempre mais inclinada a viver dos rendimentos do penálti.

E foi assim tão gritante que o jogo chegou aos 20’ com a Académica a registar mais remates e mais cantos que o Benfica. Nos registos encarnados mantinha-se o remate do... penálti de Simão.

O único momento excitante que o Benfica conseguiu produzir foi à meia hora com um passe de Beto a rasgar o meio-campo de Coimbra e Nuno Gomes a surgir no remate que deu origem ao... primeiro canto encarnado.

Mudanças

Mudanças impunham-se no Benfica, mas foi Nelo Vingada quem avançou primeiro. Entrou Joeano para ponta-de-lança, Sarmento ficou a defesa esquerdo e mais tarde Dionattan foi dar mais amplitude de ataque a um meio-campo muito metido na defesa.

Por essa altura já Koeman tinha confiado em Manuel Fernandes para lançar a equipa mais para a frente. O objectivo foi cumprido, mas Manel, fora de forma, descompensou muitas vezes a equipa e a Académica aproveitou. Foram dois os momentos decisivos: primeiro, o remate de Dionattan que Luisão, na área, desviou com o braço; segundo, o espectacular tiro de Joeano ao qual Moretto correspondeu com defesa brilhante.

Asas

O Benfica espicaçou-se e entrou para o último quarto de hora decidido a transformar os braços em asas e... voar. Nélson tornou-se muito mais activo na direita e encontrou em Geovanni o complemento ideal (mais rápido e explosivo do que Robert), ao mesmo tempo que Manduca libertava Nuno Gomes para ponta-de-lança e rasgava horizontes na ala esquerda.

Resultado: o Benfica marcou mais dois golos e terminou com vitória folgada. Fica a sensação que pareceu ter sido fácil. Mas não foi.

Árbitro

ARTUR SOARES DIAS (1). Bem no penálti que beneficiou o Benfica, mal no lance em que Luisão cortou a bola com o braço. Poupou o vermelho a Ezequias.
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