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Benfica-Académica, 3-0: Os sinais de esperança de uma águia tranquila

EQUIPA MUITA SEGURA E RACIONAL CHEGA AO TOPO DA TABELA

Quinze dias depois de assobios e lenços brancos, na Luz volta-se a olhar para a vida com optimismo. É assim, nesta época  de loucos...
Benfica-Académica, 3-0: Os sinais de esperança de uma águia tranquila • Foto: Fernando Ferreira
Vitória justa e exibição segura, tudo acompanhado por sintomas de uma esperança que vai e vem mas que, desta vez, parece que veio para ficar, esta foi a receita com que o Benfica bateu o lanterna vermelha da SuperLiga, num jogo que as circunstâncias tornaram especial. Neste campeonato louco, em que a felicidade, o bem-estar e a prosperidade dos grandes têm sido factores efémeros, condicionados pelas tormentas de derrotas impensáveis e pela depressão que gera em adeptos habituados a ganhar, o Benfica voltou a chegar ao primeiro lugar da classificação, agora em igualdade pontual com o FC Porto.

Um feito enquadrado pela surpresa, se pensarmos que, quinze dias antes, o cenário de desolação no anfiteatro da Luz tinha passado os limites do razoável – assobios, insultos, lenços brancos... Duas semanas depois de terem sido arrasados pelo modesto Beira-Mar, os encarnados voltaram para casa a fazer contas à vida. Com a razão que lhes dá a aritmética (e essa é indiscutível) e a expectativa que a equipa alimentou frente à Académica.

Motivação

Perante a motivação suplementar de os dois primeiros à entrada para a 20ª jornada (Sp. Braga e Sporting) terem sido derrotados, o Benfica foi prudente na abordagem ao jogo e paciente no modo como desenvolveu a sua presença em campo. A equipa soube trocar a bola, cavar ascendente sobre o adversário e, aos poucos, aproximar-se da baliza de Pedro Roma; actuou com segurança e tranquilidade suficientes para não dar importância à natural inquietação dos adeptos; teve a força interior para não se deprimir com os primeiros e pouco significativos sinais de desinspiração; soube avaliar os súbitos mas escassos acessos de ousadia da Académica.

Tranquilidade

Para o Benfica o embate de ontem ressuscitou a velha questão de quem encara o tempo como aliado, sem lhe perguntar de que lado está. Os encarnados partiram do princípio de que estava do seu. E estava mesmo, como ficou provado pelo golo de Geovanni, aos 33', na sequência de um canto. Fizeram bem os benfiquistas, porque não lhes adiantava entrar em estado de ansiedade face às primeiras dificuldades; foram excessivamente pragmáticos porque agiram como quem dá por adquirido um bem que nem sequer foi negociado. Mas tudo lhes correu de feição.

A estratégia

A Académica fez o que lhe competia, mantendo o figurino imposto por Nelo Vingada. A equipa aceitou dar a iniciativa ao adversário; ocupou bem o espaço; foi inteligente na interpretação do jogo, dos duelos individuais e da sua importância, mas foi perdendo eficácia com o passar dos minutos.

Com três avançados, os estudantes procuraram travar as subidas dos laterais do Benfica; com três homens na intermediária, encaixaram no trio alimentador dos avançados da casa; com quatro defesas, entenderam (e bem) que podiam defender-se dos adversários mais adiantados. Perante o acerto das marcações, também os estudantes piscaram o olho ao tempo. Quanto mais andassem os ponteiros do relógio, mantendo-se o nulo no marcador, mais perto estariam de introduzir o vírus que podia ser fatal no imenso computador encarnado.

Segurança

Quando chegou à vantagem, o Benfica entendeu que tinha conseguido o mais difícil e agiu em conformidade. A equipa não se entusiasmou, não entendeu o sinal como tiro de partida para uma exibição que a conciliasse com as bancadas, mas foi lúcida e competente ao ponto de evitar calafrios que já tiveram efeitos nefastos na presente época.

Com Petit e Manuel Fernandes a darem consistência defensiva à intermediária; com Nuno Assis a levar o jogo para a frente com critério, procurando activar Geovanni, Nuno Gomes e Simão, os encarnados responderam, logo a seguir ao primeiro golo, com uma hora de futebol seguro. Pouco espectacular, é certo, mas sem quaisquer riscos – até porque, logo aos 59', Simão assinou a obra-prima que elevou para 2-0.

Revolta

A reacção da Académica mostrou uma equipa revoltada e a querer mostrar futebol para, não obstante a situação delicada, se lançar em busca da permanência. Não era fácil dar a volta ao resultado. Mas sempre deu para mostrar que ainda pode dar a volta ao destino.

Árbitro

João Vilas Boas (3). Deixou jogar sem interferir esmagadoramente no jogo – principal vantagem da sua actuação. Depois, aproveitou a feição do encontro para não cometer erros de palmatória, daqueles que interferem no resultado. De qualquer modo, foi acumulando pequenos erros que, na contabilidade geral, afectam a nota final. Não foi mau, mas podia ter sido bom.
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