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Benfica-Alverca, 3-2: Adeus à Luz começa bem

CRÓNICA

"No primeiro dia do resto da vida de um estádio com morte anunciada, os três pontos ficaram na Luz. Mas o Benfica bem escusava de ter passado por alguns sobressaltos finais. Criou bastantes ocasiões e, especialmente na segunda parte, teve momentos de bom futebol"
Benfica-Alverca, 3-2: Adeus à Luz começa bem
NO PRIMEIRO jogo disputado no Estádio da Luz, após a sentença de morte da "Catedral" benfiquista decretada pela Assembleia Geral dos encarnados da passada sexta-feira, a equipa de Toni conseguiu uma vitória suada que a fez pular para o degrau dos 13 pontos, onde já está o FC Porto e ainda podem chegar o V. Guimarães e o Sporting, que hoje medem forças em Alvalade. Embora o Benfica tenha acertado o passo com a modernidade ao partir para a construção de um novo estádio, não haverá nenhum adepto do clube que não sinta uma sombra no coração ao pensar que já não falta muito para o dia da implosão da Luz. Por isso, a partir de agora, cada jogo terá um sabor especial. E o de ontem até teve alguns períodos bem interessantes e conseguidos, quer do Benfica, que mandou na partida (teve 61,5 por cento de posse de bola), apontou mais vezes ao golo (23 remates) e construiu nada mais, nada menos do que 47 ataques, quer do Alverca, que armou a sua equipa de forma inteligente e acabou o jogo à procura do empate.

Toni, quando escolheu o onze inicial, não abdicou de manter dois médios defensivos, provavelmente calculando que o adversário, que possui jogadores "bons de bola", povoaria bastante a intermediária. Mas, à procura do melhor equilíbrio (que, sejamos claros, nesta fase da temporada anda não está encontrado) mandou Simão e Drulovic para as alas e entregou o ataque a Mantorras e Sokota, com o angolano um pouco à frente do croata. Já Carlos Pereira optou por, em primeira instância, anular Mantorras e Sokota, destacando Veríssimo e Torrão, respectivamente, para o seu policiamento. Marco Almeida ficava "a sobrar", dando uma protecção-extra a Yannick.

Com este desenho, os encarnados trataram de jogar a toda a largura do terreno e o seu primeiro golo até havia de nascer de um cruzamento de Simão. Mas, para que a eficácia fosse maior, os encarnados precisavam de manter os seus "alas" sempre bem apoiados, o que Cabral só fez a contento na primeira parte e Pesaresi (que desilusão!) nunca fez. O Benfica marcou cedo, mas imediatamente a seguir teve um bloqueio motor e em dois minutos o Alverca primeiro obrigou Enke a uma superdefesa e depois empatou. Foi preciso um lance de bola parada (cabeçada após canto) para Júlio César, que já fizera o primeiro tento (embrulhado com Paviot, é certo) bisar e descansar um pouco mais os encarnados.

Na segunda parte Zahovic substituiu Sokota e o Benfica passou a estar mais compacto e elaborado, arrancando para algumas jogadas de belo efeito que só não tiveram como consequência o avolumar do marcador devido à inspiração de Yannick. O Alverca, já com o boliviano Ronald Garcia em vez de Poejo, abriu-se um pouco mais, mas viveu grandes dificuldades para se manter "dentro do jogo". Valeu-lhe o desacerto de Zahovic na hora da verdade...

O 3-1, sucessivamente adiado, acabaria por aparecer aos 82 minutos, por Drulovic, e pensou-se que o jogo estaria definitivamente sentenciado. Nada disso. À semelhança do que acontecera após o 1-0, o Benfica entrou novamente em "bloqueio" e uma desconcentração de Meira em zona proibida abriu as portas do 3-2 a Anderson. Os encarnados, sem necessidade (tiveram oportunidades que chegavam para viverem descansados) e um pouco à imagem do que tinham feito contra V. Setúbal, acabaram o jogo com o coração nas mãos. Mas os três pontos ficaram na Luz, naquele que foi o primeiro dia do resto da vida de um estádio com morte anunciada.

O juiz portuense PAULO COSTA podia ter feito melhor. Perdeu-se em vários erros de julgamento, sem olhar a camisolas, é certo; mas mesmo assim esperava-se mais segurança de um árbitro do seu traquejo.
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