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Benfica-Beira-Mar, 0-2: O mais impressionante é que foi tudo normal

CRÓNICA

Uma vitória indiscutível, surpreendente e que, por tão clara, chega a ser escandalosa, eis a conclusão a tirar da vitória que o Beira-Mar veio impor a um Benfica irreconhecível. A equipa de Luís Campos chegou à Luz e não fez por menos: transformou o que, em tempos, foi um inferno que triturava os visitantes, numa verdadeira casa dos horrores para os benfiquistas que se despediram zangados e com alguns lenços brancos nas mãos.

Num jogo sem grandes primores, os encarnados desenharam a derrota antes mesmo de o Beitra-Mar apresentar os seus argumentos e que acabariam por ditar o resultado final. Uma história de sucesso que teve início na abordagem ao jogo, prosseguiu na segurança de processos e culminou, serenamente, como resultado de uma superioridade natural com o desenrolar do encontro.

Ideias claras

O Beira-Mar apresentou-se na Luz com uma ideia assente em pressupostos de funcionamento muito claros. Uma equipa inteligente na avaliação que fez de si própria, realista nos objectivos que traçou e bem orientada no plano traçado. A esse nível, a estratégia passou pelo encaixe perfeito no 4x4x2 do adversário. Um 3x4x3 que revelou mescla de ousadia (três avançados a toda a largura do campo), segurança (três centrais para os dois pontas-de-lança encarnados) e equilíbrio (quatro para quatro na zona intermediária).

O Benfica não se entusiasmou, nunca aproveitou a posse da bola na perspectiva de a fazer circular com intenções de agredir o antagonista; deixou-se ir na onda dos repelões e dos ressaltos, sem arte para evitar os efeitos das interrupções, das quedas e das faltas que, à partida, beneficiavam o antagonista.

Cada um por si

Com um meio-campo pouco povoado e que não conseguiu desequilibrar o jogo; com pouca acção pelas faixas laterais e dois avançados desamparados, o Benfica assinou, muito provavelmente, os piores 45’ da época – e na segunda parte só melhorou ligeiramente, ainda que o resultado prático tenha sido o mesmo.

Ao seu futebol faltou magia, virtuosismo e talento individual; mas faltou-lhe igualmente, diria mesmo que sobretudo, continuidade nas acções combinadas. Perante um colectivo tão desarticulado, não apareceu quem unisse tanta ponta dispersa e invertesse a ideia, transmitida a partir de certa altura, de que cada um tocava o que sabia, sem qualquer intenção de resolver os problemas em conjunto.

Golo 1

Com Miguel a mostrar-se menos disponível fisicamente (deu sinais de que passou o jogo quase todo em inferioridade) e Simão menos inspirado do que é habitual, o Benfica tornou-se uma equipa previsível, à mercê da sorte ou do azar; da bola que, batendo em alguém, pode entrar ou sair; do pontapé para a frente que dá canto ou pontapé de baliza.

Para agravar a situação encarnada, deteriorada com o decorrer do tempo, o Beira-Mar, que se manteve, serenamente, a ver o desacerto do adversário, chegou ao golo. Antes e depois, geriu o desenrolar das operações e limitou-se a introduzir ainda mais vírus no contaminado computador benfiquista que, para começar, esteve sempre vazio de soluções.

Reacção

Para a segunda parte, Trapattoni trocou Paulo Almeida por Carlitos. O italiano pretendeu dar mais soluções técnicas à zona central, mas Carlitos nunca se encontrou, Miguel continuou apático e, logo, o flanco direito foi inexistente – talvez pior do que na primeira metade.

O Benfica esboçou uma ténue reacção nos primeiros minutos após o intervalo e Srnicek teve de se aplicar a remate de Ricardo Rocha (46’), repetindo a proeza com Simão (62’). Mas este assédio não tinha as marcas da fúria. Bem pelo contrário.

Golo 2

Até que, aos 67’, os aveirenses deram o golpe de misericórdia no jogo, num lance que exemplifica tudo aquilo que se passou: mérito de quem teve iniciativa e executou bem (Murray e Tanque Silva), castigo para quem foi passivo e avaliou mal (a defesa encarnada não fica bem na fotografia, tais as facilidades concedidas).

Até ao fim, as bancadas da Luz foram o melhor barómetro do sentimento generalizado. Os adeptos assobiaram e protestaram com razão: é que uma noite má qualquer um pode ter; só é preciso não exagerar.

Árbitro

PAULO BAPTISTA (5). Actuação serena, ponderada e competente do juiz alentejano. Não teve casos difíceis para resolver, mas também não os criou. Foi bem auxiliado e nem o facto de o resultado não ser favorável à equipa da casa o afectou. Em boa verdade, os adeptos, a partir de certa altura, de tão revoltados com a equipa, até se esqueceram dele. Nos tempos que correm, convenhamos que é obra.

Marselha na Luz por Dos Santos

O Marselha está interessado em contratar Dos Santos e enviou mesmo, ontem, Louis de Sousa a Lisboa para conversar com o jogador. O responsável do clube francês debate-se com problemas na posição específica de lateral-esquerdo após a saída de Lizarazu e tenta encontrar uma solução até ao final do período de inscrições.

Adjunto de Peseiro espiou encarnados

O derby de quarta-feira aproxima-se a passos largos e ambos os clubes tentam preparar o encontro da melhor forma possível. Ontem, o Sporting enviou Luís Martins, adjunto do treinador José Peseiro, ao Estádio da Luz para tirar notas sobre o modo de jogar do adversário dos leões nos oitavos-de-final da Taça de Portugal.
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