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Benfica-Beira-Mar, 1-2: Benfica desce à terra, a nova Luz merece mais

CRÓNICA

Para o Benfica é tempo de descer à terra. A nova Luz está mais do que inaugurada, as eleições confirmaram o que se previa mas a equipa de futebol falhou na altura menos indicada. Podia subir ao 2º lugar, podia aproximar-se mais do FC Porto se vencesse o jogo em atraso no Funchal, podia até dar sequência à bonita série de seis jogos sempre a ganhar (contando com os sucessos sobre o La Louvière e o Nacional de Montevideu).

Podia, mas não pode. Ontem, perante um Beira-Mar que confirmou ser a boa e possivelmente única revelação desta SuperLiga, a turma de Camacho fraquejou. Entrou acutilante no jogo, agradando aos adeptos que acorreram em bom número (mas muito longe de casa cheia), deu mostras de querer prosseguir a onda vermelha das últimas semanas, mas depois começou a soçobrar. E chegou a dar dó: o primeiro remate da segunda parte verificou-se aos 70 minutos (!) e os que se seguiram foram, na sua maioria, efectuados a rondar o apito final, período de descontos naturalmente incluído.

Tratou-se de uma actuação demasiado pobre. Vulgar. E a falta de lucidez - e de banco - na altura em que era preciso dar a volta foi gritante. Acresce que as substituições não resultaram e, em algumas delas, foi pior a emenda que o soneto. A nova Luz merece mais. Muito mais.

O Beira-Mar nem necessitou de deslumbrar. Confirmou aptidões, mostrou que tem um futebol organizado com três ou quatro peças de rendimento acima da média e ao marcar dois golos vincou a razão pela qual possui o segundo melhor ataque da prova.

Com Simão

Sem surpresas no onze, o Benfica procurou cedo o domínio do jogo e Simão (autor do golo) foi o que mais desequilibrou, dando imenso que fazer a Ribeiro, o seu marcador directo. Com rapidez e ao primeiro toque, os locais lograram várias vezes ganhar espaço nos flancos e solicitar os pontas-de-lança. Mas a defesa aveirense também mostrou que não ia ser muito fácil superá-la, tanto nos lances aéreos como no despique de um para um.

Os centrais Zeman e Alcaraz tiveram, para travar Nuno Gomes e Sokota, a preciosa ajuda de Sandro, o médio mais recuado da equipa de António Sousa que, quando em tarefas defensivas, funcionava praticamente como outro central, marcando um dos "pontas" do Benfica.

O meio-campo do Beira-Mar contou também com Marcelinho sobre a direita e Kata na esquerda, elementos de maior contenção do que Juninho Petrolina, o cérebro da equipa e principal alimentador das jogadas de ataque e municiador de Kingsley e Wijnhard. Em suma, um 4x4x2 diferente do do Benfica, que, como se sabe, actua geralmente com Geovanni e Simão nos flancos. Ontem, refira-se, Kingsley nem mostrou os atributos que vinham fazendo dele um perigo à solta. Aliás, o Beira-Mar também não precisou de ser uma superequipa para levar os três pontos da Luz...

Reviravolta

Os aveirenses encararam a segunda parte como mandam as regras, ou seja, sem nada a perder. Ao mesmo tempo, estranhamente, o Benfica consentiu que o adversário mandasse no jogo e na sequência do terceiro canto chegou à igualdade, com Sandro a repetir o que havia feito em Alvalade.

A reacção benfiquista foi ténue e envergonhada. Nada de remates e somente um lance com algum perigo, protagonizado por Nuno Gomes e Sokota. Talvez por isto, Camacho optou por lançar Roger, em detrimento de Geovanni, para espevitar a equipa. Uma troca pouco feliz, primeiro porque o conjunto ficou sem flanqueador à direita e depois porque, volvidos poucos minutos, o Beira-Mar consumou a reviravolta, com Wijnhard a tirar pertido da então já animicamente debilitada defensiva encarnada.

Foi o desencanto na nova Luz. Os incitamentos dos adeptos baixaram de tom e a presença de Vilarinho junto de uma claque também era insuficiente para contagiar fosse quem fosse. Ao invés, fiel ao seu desdobramento e ao acerto dos defesas, em especial dos centrais, o Beira-Mar acreditava cada vez mais em si próprio. E nem passava por grandes sobressaltos.

Nem Roger

Por certo em vias de um ataque de nervos, Camacho apostou em Armando e Carlitos como derradeiros trunfos. Se, com o ala, equilibrou os flancos, com Armando (saiu Argel e Rocha passou para o lado de Hélder) não ganhou absolutamente nada. Para cúmulo, nem Roger lhe valia: o brasileiro bem se desdobrou, acorreu a todo o lado, procurou o remate, mas sem quaisquer efeitos práticos. O Benfica estava quase de rastos e nem obrigava Marriot a trabalhos demasiado esforçados. Só numa ocasião - a insistência de Nuno Gomes levou o esférico à base do poste - houve ligeiro "frisson".

Foi, pois, um Benfica sem soluções que perdeu no primeiro jogo oficial no seu novo estádio. Um Benfica que repetiu erros antigos, nomeadamente os de não saber controlar a ansiedade e os de mostrar fraquezas a mais no último terço do terreno. Do sonho do 2º lugar e da proeza de continuar sem perder, com o Molde à porta, o conjunto encarnado passa a distar 11 pontos do líder FC Porto. Mesmo com um jogo a menos, convenhamos, é muito ponto.

Parabéns ao Beira-Mar pela vitória histórica e pela confirmação do excelente início de campeonato. Sem inventar, a equipa é um verdadeiro bloco.

Árbitro

Carlos Xistra (3). Um jogo complicado para o juiz albicastrense, em especial por volta do minuto 52, quando surgiram dois lances polémicos: primeiro, uma mão de Sokota, na área (a velha história da mão na bola ou bola na mão); e depois, na sequência desse lance e do respectivo canto, o golo do empate, com Wijnhard em situação irregular, a atrapalhar Argel mas a não tocar na bola, que depois sobra para Sandro marcar. As decisões do árbitro são de possível e eventual discussão, mas são, também, difíceis de ser tomadas em fracções de segundo. No "deve e haver" não interferiu no resultado...
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