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Benfica-Beira Mar, 4-1: Quatro injecções na «febre amarela»

CRÓNICA

"A influência de Jankauskas no crescimento ofensivo do Benfica é notória: fez dois golos nas únicas tentativas; desde que chegou a produção ofensiva da equipa duplicou e já tem mais de metade dos golos de Mantorras"
Benfica-Beira Mar, 4-1: Quatro injecções na «febre amarela» • Foto: João Trindade
O BENFICA manteve-se ao lado do FC Porto na corrida ao título e subiu ao terceiro lugar da I Liga graças a uma clara vitória por 4-1 ante um Beira-Mar que só se abateu após sofrer o terceiro golo e que, em largos períodos do jogo, foi mesmo a melhor equipa em campo. Foi graças a uma eficácia sem precedentes que os encarnados transformaram uma exibição pobre e descolorida numa goleada que deixou nos adeptos um ar de satisfação. Os encarnados viram-se a perder, vitimados por um ataque de "febre amarela" cujos efeitos lhes apareciam de todos os lados e lhes toldavam a concentração e os movimentos, mas viraram o resultado com três golos nos três primeiros remates que fizeram à baliza. O primeiro, de livre directo, quando já só faltavam quatro minutos para terminar a primeira parte. Os dois seguintes em contra-ataques rápidos, a explorar o adiantamento dos aveirenses. No intervalo dos golos foi o Beira Mar quem se mostrou mais perigoso, graças a um futebol de trocas de bola ao primeiro toque e bem coordenados desdobramentos ofensivos, com Luís Manuel como ponto de partida e Petrolina como "pivot".

A influência de Jankauskas no crescimento da eficácia ofensiva do Benfica é notória. Primeiro porque, ontem, o lituano fez dois golos nas únicas duas vezes em que visou as redes de Avelino. Depois porque, desde que ele chegou, a produção ofensiva da equipa duplicou: 12 golos em quatro jogos (média de três por jogo) contra 26 nos 17 da primeira volta (um e meio por jogo). Em seguida porque foi depois dele chegar que o Benfica conseguiu as duas únicas vitórias por mais de dois golos de diferença nesta I Liga (Salgueiros e Beira Mar, ambas por 4-1). Muito por isso, acabadinho de chegar, Jankauskas já tem mais de metade dos golos de Mantorras, ontem o responsável pelo primeiro remate benfiquista que não deu golo. Aos 86 minutos.

Jesualdo Ferreira mudou o esquema que utilizara nas últimas duas partidas em casa, preferindo dar continuidade à dupla de médios-centro formada por Tiago e Fernando Aguiar e obrigando Mantorras a descair para a direita. Mas este esquema originou um encaixe perfeito da defensiva aveirense no ataque do Benfica: com Lobão livre, Vítor Silva seguia Jankauskas, Jorge Neves ocupava-se de Simão, Levato era a sombra de Zahovic e Cristiano, um homem que também está rotinado a jogar no meio, marcava Mantorras. Avelino via o jogo muito de longe e, até Jesualdo trocar Aguiar por Drulovic, só teve que deter um desvio de Cristiano que quase dava autogolo. Foi aos 8' e o Beira Mar já vencia, fruto da primeira combinação Luís Manuel-Petrolina, na qual o brasileiro "furou" Enke. A segunda versão da jogada, aos 16', quase originou o 0-2 e levou o técnico benfiquista a arriscar antes da meia hora.

Com Drulovic à direita, Mantorras juntou-se a Jankauskas e Zahovic e, embora isso não tenha criado grande perigo para a baliza de Avelino, secou a fonte ofensiva aveirense. Levato teve que deixar o esloveno para se ocupar de Mantorras, quase como terceiro central, já que Cristiano tinha agora Drulovic no seu flanco. Como resultado, Luís Manuel recuou para vigiar Zahovic e o futebol do Beira Mar perdeu profundidade, deixando de incomodar Enke. O Benfica não conseguia, mesmo assim, ameaçar a baliza contrária. E foi só num livre magistral de Simão que os encarnados empataram. No seu primeiro remate. E, logo a abrir a segunda parte, num contra-ataque conduzido por Mantorras, fizeram o 2-1, por Jankauskas. No segundo remate.

O jogo mudou. Sousa readiantou a equipa, trocando Bruno Ribeiro por Fary e passando a jogar num 4x2x3x1 que motivou cautelas a Jesualdo (troca de Zahovic por Andersson). Dois remates do senegalês e um de Gamboa podiam ter dado novo empate, mas foi o Benfica a marcar, em novo contra-ataque, desta vez conduzido por Simão e concluído por Jankauskas. Era o terceiro golo, no terceiro remate, a 9' do fim. A incerteza morreu e, até ao fim, o jogo só teve mais três tiros de Mantorras.

A equipa de arbitragem, liderada por PEDRO PROENÇA, não teve problemas, mas errou nalguns foras-de-jogo.
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